A produção industrial baiana fechou o mês de fevereiro em alta de2,8%, na comparação com o mês anterior. O desempenho significa osegundo fechamento mensal positivo do ano, após o tímido avanço de 0,5%obtido em janeiro. Em relação a igual mês do ano passado, o setorcresceu 11,7%, maior taxa desde novembro de 2004 (30%). No acumulado de2008, a indústria baiana registra crescimento de 5,7%, portanto abaixoda média nacional do período, que alcançou 9,2%.
As informações foram divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No indicador acumulado, o setor industrial do Estado apresentou taxaspositivas em oito das nove atividades acompanhadas pelo Instituto. Asprincipiais influências no crescimento anual tiveram origem nos setoresde celulose e papel (30,4%), seguidas por refino de petróleo e produçãode álcool (3,4%), além de produtos químicos (2%).
Na outra ponta da tabela, a única taxa negativa foi registrada peloagregado de alimentos e bebidas (-0,4%), pressionada pelo itensfarinhas e “pellets” da extração do óleo de soja, e óleo de soja embruto, aponta o IBGE em relatório.
O professor da Universidade Salvador (Unifacs), Adary Oliveira,observa que os números da indústria registrados nos nos primeiros doismeses do ano foram influenciados pelo crescimento do País, o que puxoua produção industrial. O professor é evita classificar o crescimentocomo uma tendência, com o argumento de que a expansão da indústria noperíodo poderia ser ainda maior.
“O percentual obtido em fevereiro ainda é pequeno, em relação à economia do Estado”, avalia.
Ele ainda acrescenta que pesam contra o desenvolvimento estadual osgargalos infra-estruturiais, como as limitações operacionais do Portode Salvador, além da necessidade de duplicação das BRs 101 e 116. ”Casomedidas urgentes não sejam tomadas, poderemos ter um apagão doescoamento da produção no Estado, o que seria grave“, arremata Oliveira.
RECUPERAÇÃO – O coordenador de acompanhamento conjuntural daSuperintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), LuísMário Vieira, por outro lado, vê no desempenho obtido nos doisprimeiros meses do ano uma perspectiva de recuperação da indústriaestadual, após o pífio crescimento de 2% verificado no fechamento doano passado.
"Desde outubro de 2007, a indústria está mostrando sinais derecuperação, e, este mês os indicadores apontam claramente arecuperação dos principais segmentos", aponta Vieira. Ele prevê, para oencerramento do exercício 2008, uma alta de 5% na produção industrialdo Estado.
Enquanto as projeções para o decorrer do ano não se realizam, aindústria baiana vem perdendo espaço na comparação com a médianacional. Dentre os 13 Estados nos quais o IBGE faz o levantamento,mais o agregado ”Região Nordeste“, o crescimento da indústria baianafoi de 2,4% no acumulado dos últimos 12 meses, superando apenas oCeará, que emplacou 0,9%, no mesmo período. Já a média do País foi de6,9%, considerando a mesma base.
De acordo com o último levantamento da SEI, finalizado em janeiro, noacumulado dos últimos 12 meses (fevereiro de 2007 a janeiro de 2008), ocrescimento da indústria baiana foi de 1,5%, portanto, inferior aoresultado acumulado nos 12 meses anteriores (janeiro a dezembro de2007), que havia sido de 2%.
Entre os segmentos, analisados o de veículos automotores (-4,7%) erefino de petróleo e produção de álcool (-0,4%) acumularam queda. Paraos demais gêneros destacam-se: alimentos e bebidas (5,9%); borracha eplástico (14,6%); e produtos químicos (0,8%), itens que não conseguiramcontrabalançar as perdas do período.
LIMITES – O economista da Superintendência de DesenvolvimentoIndustrial (SDI), da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), MarcusVerhaine, observa os grandes investimentos feitos na planta industrialbaiana, como o Complexo Ford, de Camaçari, alcançaram seu grau dematuração, o que limita a possibilidade de expansões da produçãoindustrial mais significativas.
Porém, o setor de celulose e papel poderá ser uma fonte de bonsresultados, por conta dos investimentos da Bahia Sul no Estado. Emfevereiro, na comparação com o mesmo período do ano passado, o setor decelulose e papel se expandiu 34,1%, acompanhando a tendência daindústria baiana no período, que cresceu 11,7%, com destaque naprodução de químicos, que teve alta de 12,1%.
O desempenho de fevereiro do ano passado foi negativamente influenciadopor uma série de paradas em diversas indústrias, o que impulsionou aperformance de 11,7% obtida em fevereiro de 2008, na comparação com omesmo período do ano anterior.
PAÍS A indústria do Ceará, com crescimento de 3,4%, obteve o melhordesempenho no País em fevereiro. São Paulo (-1,5%), Minas (-1,6%) e Rio(-0,9%), que respondem por cerca de 60% do total da indústria nacional,exerceram as pressões negativas da indústria registrados nos nosprimeiros dois meses do ano foram influenciados pelo crescimento doPaís, o que puxou a produção industrial. O professor é evitaclassificar o crescimento como uma tendência, com o argumento de que aexpansão da indústria no período poderia ser ainda maior.