Bahia é destaque em crescimento

20/06/2008
A Bahia teve crescimento mais expressivo que a média nacional no número de empregos com carteira assinada no último mês de maio. O resultado, divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego, é parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O crescimento foi de 1,1% no Estado, com novas 13,6 mil vagas, um recorde baiano para este mês em toda a série histórica do Caged, enquanto o País cresceu 0,68%, com 202,9 mil vagas.

No acumulado dos meses de janeiro a maio, o Brasil ganha mais destaque, e a Bahia fica atrás. O País teve, nesse período, a criação de 1,05 milhão de vagas, ou expansão de 3,63%, um recorde na geração de empregos. Já a Bahia cresceu 3,27%, com 39,7 mil carteiras assinadas.

A expansão do número de empregos formais na Bahia em maio foi observada em vários setores, com destaque para a agropecuária, que liderou com 3.789 vagas (27,8%); indústria de transformação, com 3.340 empregos (24,5%); construção civil com 3.181 (23,4%); serviços, com 1.781 postos; e comércio, com 1.256 vagas. No acumulado de janeiro a maio, a construção civil segue na liderança da expansão do emprego na Bahia, com 12.204 novos postos de trabalho, o equivalente a 30,7% do total.

“O crescimento da formalidade na Bahia é sistemática e harmônica, está acontecendo em vários setores. A construção civil responde bem, sobretudo por conta das obras do PAC, nas áreas de infra-estrutura e logística. O setor imobiliário também tem puxado, além de serviços e calçados.

Como não é algo isolado, acreditamos que essa tendência de alta vai continuar e que a Bahia pode fechar 2008 com o melhor resultado da década”, avaliou José Ribeiro, diretor de pesquisa da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).

O perfil das novas vagas formais, com dados sobre tipos de cargo, faixas salariais e idades, só será conhecido dentro de 15 dias, quando esse conjunto de informações é liberado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

“Podemos adiantar que esses dados são heterogêneos”, disse José Ribeiro.

Um dado negativo foi o comportamento do Nordeste, que registrou retração de 0,31% no acumulado entre janeiro e maio, com extinção de 12.965 postos de trabalho. A redução teve repercussões no desempenho brasileiro na comparação entre 2008 e 2007 e foi justificada ontem pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, na apresentação dos números. Ele afirmou que a queda na geração de empregos formais no Brasil registrada em maio deste ano, se comparado com maio do ano passado, se deve a “um fator sazonal no setor sucroalcooleiro”.

Segundo o ministro, no mês de maio foram fechados 7 mil postos de trabalho no Estado de Alagoas, por causa do período de entressafra na produção de canade-açúcar. “Só isso explica essa diferença de um ano para o outro”, disse. “Não é um efeito de contaminação do processo macro de geração de emprego. É uma sazonalidade de um Estado e de uma área específica”, afirmou Lupi. Houve queda de empregos também no Ceará e em Pernambuco. A sazonalidade na cultura da cana-de-açúcar não atingiu a Bahia, que vem recuperando vagas na agropecuária.

Pelos dados do Caged, foram gerados em maio deste ano 202.984 empregos com carteira assinada, ante 212.217 registrados em maio de 2007.