Publicado: 05/03/2008
Última atualização: 06/10/2026 às 09:26
A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan), iniciou ontem (4) pela manhã as rodadas de discussão sobre Biodiesel: inclusão social e desenvolvimento regional. Secretários de Estado e especialistas destacaram vantagens e desafios da Bahia para a produção do biodiesel, tendo em vista o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), programa do Governo Federal que prioriza a sustentabilidade do setor dos pontos de vista social, ambiental, econômico e estratégico para o Brasil. Atualmente, o PNPB prevê o uso do biodiesel na proporção de 2%, criando um mercado interno de aproximadamente 800 milhões de litros/ano para este combustível, uma economia de até US$ 160 milhões/ano com a redução das importações de petróleo.
O secretário da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Geraldo Simões, ressaltou como vantagens ser o Estado brasileiro com a maior participação da agricultura familiar na produção agrícola (14%), ter cerca de 1/3 da população na zona rural e 2/3 do território correspondente ao Semi-Árido, área que se presta a um número enorme de culturas para produção de biodiesel. “Por outro lado, a quantidade de matéria-prima que nós produzimos hoje ainda não é suficiente para abastecer a capacidade instalada da indústria. Por isso, este ano foi iniciado um projeto de distribuição de sementes, com a distribuição de 270 toneladas de caroço de mamoma, suficiente para o plantio de 50 mil hectares”, disse. Dentro de oito anos, a perspectiva é cultivar 860 mil hectares de oleaginosas.
A agricultura familiar é prioridade do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) desde sua implantação, em 2004, quando o setor passou a ser reconhecido oficialmente. Com a implantação e operação da usina da Petrobras em Candeias, a partir do segundo trimestre, devem ser criados empregos para cerca de 28 mil famílias de agricultores no semi-árido baiano. “Essa é uma oportunidade única para o fortalecimento dessa agricultura”, comentou José Honório Accarini, subchefe da Casa Civil da Presidência da República na área de Biodiesel, Energia, Transportes e Infra-Estrutura. Nesse sentido, Nilo Meira, superintendente regional do Banco do Nordeste do Brasil citou o apoio que as instituições financeiras têm dado à agricultura familiar. “Este é um momento bastante favorável para investimentos. O BNB destinou R$ 200 milhões para a agricultura familiar somente na Bahia”, disse.
Matéria-prima - A soja ainda é a matéria-prima majoritária da produção do setor, situação vista como transitória pelos palestrantes que estiveram no primeiro dos cinco dias de palestras que a SEI está promovendo em parceria com a Petrobras e as secretarias do Planejamento, de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte e da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária. “A monocultura não atende aos objetivos de desenvolver o setor em sintonia com a sustentabilidade, conforme o Selo do Combustível Social criado pelo Governo”, comentou George Luis Dias Mendes, Gerente de Implantação da Planta de Produção da Petrobras em Candeias.
Na Bahia, há grande diversidade de matérias-primas potenciais, como o algodão, o girassol e a própria mamona, mas para o engenheiro da Petrobras, o pinhão-manso é a grande promessa. “Pode-se produzir bem após quatro anos de plantado, mas com até nove meses já é possível ter bons resultados nesse cultivo”, anunciou. “Acredita-se que essa seja a nova `cana-de-açucar` do biodiesel”.A usina localizada na Região Metropolitana de Salvador (RMS) processaráinicialmente mamona, girassol e dendê. Orçada em R$ 78 milhões, deve produzir 57 milhões de litros de biocombustível ao ano. Esta seria a terceira usina de biodiesel na Bahia, juntando-se a Brasil Ecodiesel no município de Iraquara e a Comanche em Feira de Santana.
Entre os próximos passos colocados pelo representante da Petrobras, está a necessidade de atingir um preço mais competitivo na bomba. O diesel ainda sai a R$ 1,80 o litro, enquanto o biodiesel sai a cerca de R$ 2,20. “Em certos casos já se chegou a uma situação mais competitiva, é o caso do combustível obtido a partir do óleo de cozinha, doado nas grandes cidades”.
A dica da Petrobras, que mantém atualmente contratos com seis cooperativas rurais produtoras, é que o agricultor tenha vários tipos de cultura associadas, como as de alimentos, criação de animais e de sementes oleaginosas, diversificando sua produção. Assim ele reduz possíveis prejuízos e produz menor impacto para o meio-ambiente. “O grande problema do Semi-Árido ainda é a irregularidade de chuvas, o que vem sendo minimizado com a construção de cisternas, de pequenas barragens e o aproveitamento de poços furados pela Petrobras. Tudo isso está contribuindo para a redução dos riscos”, disse George Luis Dias Mendes.
“O futuro desse programa vai depender da nossa capacidade de investir em pesquisa. A qualidade é que vai formar um mercado consumidor fiel para estes produtos”, alertou o secretário Ildes Ferreira, da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação. Para José Honório Accarini, da Casa Civil federal, “nosso desafio é agregar valor às nossas riquezas para não repetirmos erros históricos que aconteceram com a cana-de-açúcar e o pau-brasil. E a Bahia tem um papel fundamental para sermos exportadores de biodiesel, de tecnologia, e não apenas de grãos”.
Ronald Lobato, secretário do Planejamento, destacou que “inserir a Bahia nesse cenário é um trabalho em conjunto e cada um de nós tem um papel a desempenhar - Governo, sociedade civil, produtores rurais, movimentos sociais, investidores”.
Rodadas de discussão - “Com este projeto, a SEI está cumprindo o papel de promover a discussão de desafios para o desenvolvimento do nosso Estado. A partir de hoje, até o dia 1º de abril, estaremos levantando questionamentos e apresentando propostas de soluções para os diversos desafios que devemos superar para efetivamente transformarmos o Brasil em uma potência na produção do Biodiesel, entre eles: logística, desenvolvimento regional com inclusão social, tecnologia de produção, comercialização nacional e internacional e viabilidade de participação da agricultura familiar na produção do Biodiesel”, disse Geraldo Reis, diretor geral da SEI.
As Rodadas de Discussão sobre o biodiesel continuam na próxima terça-feira, dia 11, às 14h, no Salão Azul da Fundação Luis Eduardo Magalhães, conforme programação que está no site www.sei.ba.gov.br.
O secretário da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Geraldo Simões, ressaltou como vantagens ser o Estado brasileiro com a maior participação da agricultura familiar na produção agrícola (14%), ter cerca de 1/3 da população na zona rural e 2/3 do território correspondente ao Semi-Árido, área que se presta a um número enorme de culturas para produção de biodiesel. “Por outro lado, a quantidade de matéria-prima que nós produzimos hoje ainda não é suficiente para abastecer a capacidade instalada da indústria. Por isso, este ano foi iniciado um projeto de distribuição de sementes, com a distribuição de 270 toneladas de caroço de mamoma, suficiente para o plantio de 50 mil hectares”, disse. Dentro de oito anos, a perspectiva é cultivar 860 mil hectares de oleaginosas.
A agricultura familiar é prioridade do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) desde sua implantação, em 2004, quando o setor passou a ser reconhecido oficialmente. Com a implantação e operação da usina da Petrobras em Candeias, a partir do segundo trimestre, devem ser criados empregos para cerca de 28 mil famílias de agricultores no semi-árido baiano. “Essa é uma oportunidade única para o fortalecimento dessa agricultura”, comentou José Honório Accarini, subchefe da Casa Civil da Presidência da República na área de Biodiesel, Energia, Transportes e Infra-Estrutura. Nesse sentido, Nilo Meira, superintendente regional do Banco do Nordeste do Brasil citou o apoio que as instituições financeiras têm dado à agricultura familiar. “Este é um momento bastante favorável para investimentos. O BNB destinou R$ 200 milhões para a agricultura familiar somente na Bahia”, disse.
Matéria-prima - A soja ainda é a matéria-prima majoritária da produção do setor, situação vista como transitória pelos palestrantes que estiveram no primeiro dos cinco dias de palestras que a SEI está promovendo em parceria com a Petrobras e as secretarias do Planejamento, de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte e da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária. “A monocultura não atende aos objetivos de desenvolver o setor em sintonia com a sustentabilidade, conforme o Selo do Combustível Social criado pelo Governo”, comentou George Luis Dias Mendes, Gerente de Implantação da Planta de Produção da Petrobras em Candeias.
Na Bahia, há grande diversidade de matérias-primas potenciais, como o algodão, o girassol e a própria mamona, mas para o engenheiro da Petrobras, o pinhão-manso é a grande promessa. “Pode-se produzir bem após quatro anos de plantado, mas com até nove meses já é possível ter bons resultados nesse cultivo”, anunciou. “Acredita-se que essa seja a nova `cana-de-açucar` do biodiesel”.A usina localizada na Região Metropolitana de Salvador (RMS) processaráinicialmente mamona, girassol e dendê. Orçada em R$ 78 milhões, deve produzir 57 milhões de litros de biocombustível ao ano. Esta seria a terceira usina de biodiesel na Bahia, juntando-se a Brasil Ecodiesel no município de Iraquara e a Comanche em Feira de Santana.
Entre os próximos passos colocados pelo representante da Petrobras, está a necessidade de atingir um preço mais competitivo na bomba. O diesel ainda sai a R$ 1,80 o litro, enquanto o biodiesel sai a cerca de R$ 2,20. “Em certos casos já se chegou a uma situação mais competitiva, é o caso do combustível obtido a partir do óleo de cozinha, doado nas grandes cidades”.
A dica da Petrobras, que mantém atualmente contratos com seis cooperativas rurais produtoras, é que o agricultor tenha vários tipos de cultura associadas, como as de alimentos, criação de animais e de sementes oleaginosas, diversificando sua produção. Assim ele reduz possíveis prejuízos e produz menor impacto para o meio-ambiente. “O grande problema do Semi-Árido ainda é a irregularidade de chuvas, o que vem sendo minimizado com a construção de cisternas, de pequenas barragens e o aproveitamento de poços furados pela Petrobras. Tudo isso está contribuindo para a redução dos riscos”, disse George Luis Dias Mendes.
“O futuro desse programa vai depender da nossa capacidade de investir em pesquisa. A qualidade é que vai formar um mercado consumidor fiel para estes produtos”, alertou o secretário Ildes Ferreira, da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação. Para José Honório Accarini, da Casa Civil federal, “nosso desafio é agregar valor às nossas riquezas para não repetirmos erros históricos que aconteceram com a cana-de-açúcar e o pau-brasil. E a Bahia tem um papel fundamental para sermos exportadores de biodiesel, de tecnologia, e não apenas de grãos”.
Ronald Lobato, secretário do Planejamento, destacou que “inserir a Bahia nesse cenário é um trabalho em conjunto e cada um de nós tem um papel a desempenhar - Governo, sociedade civil, produtores rurais, movimentos sociais, investidores”.
Rodadas de discussão - “Com este projeto, a SEI está cumprindo o papel de promover a discussão de desafios para o desenvolvimento do nosso Estado. A partir de hoje, até o dia 1º de abril, estaremos levantando questionamentos e apresentando propostas de soluções para os diversos desafios que devemos superar para efetivamente transformarmos o Brasil em uma potência na produção do Biodiesel, entre eles: logística, desenvolvimento regional com inclusão social, tecnologia de produção, comercialização nacional e internacional e viabilidade de participação da agricultura familiar na produção do Biodiesel”, disse Geraldo Reis, diretor geral da SEI.
As Rodadas de Discussão sobre o biodiesel continuam na próxima terça-feira, dia 11, às 14h, no Salão Azul da Fundação Luis Eduardo Magalhães, conforme programação que está no site www.sei.ba.gov.br.