População - Workshop reúne demógrafos para traçar agenda

Publicado: 29/04/2008 Última atualização: 06/10/2026 às 09:56
A SEI realizou ontem (28), em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o workshop Projeções de população para o planejamento estratégico e políticas públicas - demandas, desafios e potencialidades. Estiveram representadas 24 instituições, de 14 diferentes estados, além do Ministério da Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde, com a presença do secretário Jorge Solla e de técnicos do órgão. Especialistas em demografia traçaram os primeiros passos de uma agenda nacional para produção de estimativas populacionais.
O tema é visto como essencial para a tomada de decisão em setores básicos como saúde, educação, habitação, assistência social e planejamento urbano. A área da saúde foi a mais lembrada como prejudicada pela falta de informação. A eficiência de campanhas de vacinação de jovens e idosos e o planejamento de construção de hospitais dependem de estimativas. “Mas, especialmente no Nordeste e outras regiões pobres do País, predominam a subnotificação de mortalidade e ausência de cobertura plena do registro de nascimentos”, enfatizou Vera Barea, representante do Ministério da Saúde.

Segundo estimativas da ONU lembradas por Taís de Freitas Santos, representante auxiliar do UNFPA, a população mundial era de 6,7 bilhões, em 2007, e chegará a 9 bilhões de pessoas, em 2050, distribuídas de forma desigual pelo globo. A população no primeiro mundo está estabilizada e deve permanecer assim até 2050. Já nos 50 países menos desenvolvidos, a população deve dobrar nesse período. O cenário para o Brasil e a América Latina será intermediário entre as duas situações, o que torna imperativa a produção de estimativas confiáveis para uso do planejamento.

O envelhecimento é outra preocupação. Em 2006, eram 70 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no mundo. Em 2050, serão 2 bilhões. “Esse processo também acontece de forma mais acentuada nos países em desenvolvimento, onde o envelhecimento terá conseqüências mais acentuadas para o poder público”, diz a representante do Fundo.

No Brasil, em 2007, a população brasileira de crianças de 0 a 14 anos era de 52,1 milhões. Em 2030, este número deve cair para 50,5 milhões, o que vai alterar a demanda de gastos com a saúde materno-infantil. Por outro lado, a população idosa (60 anos e mais de idade) deve crescer de 17,3 milhões para 40,4 milhões, no mesmo período. “Na composição da morbidade dos idosos, figura uma alta proporção de doenças crônico-degenerativas, dentre as quais destacam-se as doenças do aparelho circulatório - com especial incidência de doenças cérebro-vasculares e isquêmicas do coração -, assim como neoplasias e diabetes, demandando, portanto, internações prolongadas, tecnologia médica avançada e recursos humanos e físicos mais qualificados”, exemplifica José Ribeiro, diretor de Pesquisas da SEI.

Participaram do workshop representantes do IBGE, Ministério da Saúde, Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP), Associação Nacional das Instituições de Planejamento, Pesquisa e Estatística (Anipes), Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), Fundação Seade (SP) e SEI, que apresentaram experiências na área sociodemográfica.

Além de servir para levantar um diagnóstico de carências de informações e as conseqüências dessa situação,o evento marcou o início dos trabalhos em rede no Brasil para a implementação do Projeto SIPROJ – Sistema Integrado de Projeções e Estimativas Populacionais: Subsídios para o Planejamento Estratégico e Políticas Públicas. Foi acertada uma agenda futura de trabalhos coordenados pelo IBGE e com apoio do UNFPA, IPEIA e ANIPES.

Essas instituições agendaram uma reunião para definir os recursos que devem destinar e captar para viabilizar a agenda, que deve cobrir todo o país. O Ministério da Saúde, representado por Vera Barea, anunciou que pode contribuir através de convênio com o IBGE visando inicialmente o Nordeste, onde há maior carência de informação.