Dia Mundial da População

Publicado: 10/07/2008 Última atualização: 06/10/2026 às 09:56

No dia 11 de julho comemoramos o Dia Mundial da População. Algumas mudanças, já percebidas no dia a dia pela população baiana, são apresentadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria de Planejamento, em uma análise detalhada e atual das características populacionais que norteiam a Bahia.

Atualmente com 14 milhões de habitantes a Bahia é o estado mais populoso do Nordeste, representando 27% da população nordestina, e o quarto estado mais populoso do país, com 7,5% da brasileira. Em 2020 os baianos devem somar 15,6 milhões. (Dados do IBGE – Contagem da População de 2007).

A grande novidade fica por conta das migrações. As informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE referentes ao ano de 2006 revelam mudanças. A Bahia, que mantinha sua tendência histórica de expulsar a população por migração, passou a apresentar saldo migratório positivo no ano de 2006.

De acordo com a pesquisa, entre os anos de 1995 e 2000 o saldo migratório do Estado foi de -267 mil pessoas. Entre 2001 e 2005 o número diminuiu para -39 mil pessoas. Já em 2006, a tendência foi revertida e o saldo migratório passou a ser positivo (+33 mil pessoas). Esses números apontam a redução do fluxo de saída e a intensificação no ingresso de pessoas na Bahia, inclusive dos migrantes de retorno.

Tais tendências apontam a combinação de dois fatores: o primeiro é um relativo desestímulo do local de destino, o processo de reestruturação produtiva, sobretudo em São Paulo, eliminou uma série de ocupações em que, tradicionalmente, boa parte dos migrantes conseguia se inserir.

O segundo movimento é a atração no local de origem. A Bahia passou a absorver investimentos produtivos de porte e alguns centros dinâmicos na sua economia passaram a exercer atratividade, a exemplo do avanço da produção de grãos no oeste da Bahia, da cadeia do papel, celulose e silvicultura do extremo-sul do estado, da fruticultura irrigada da região do Baixo-Médio São Francisco, da indústria automobilística, com o empreendimento da Ford na Região Metropolitana de Salvador e o boom do turismo em algumas regiões do litoral norte e no próprio extremo-sul da Bahia, com a consolidação de Porto Seguro, e com o surgimento de Itacaré, no litoral sul.

De acordo com o Diretor de Pesquisas da SEI, José Ribeiro, outros fatores que podem estar contribuindo para reter a população nos tradicionais centros de emigração são algumas iniciativas federais como, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e os programas de transferência de renda, a exemplo do Bolsa Família. “Na Bahia, esses aspectos são de suma relevância já que o estado possui a maior população rural do Brasil (4,5 milhões de pessoas). Tratando-se do Bolsa Família, em dezembro de 2007 cerca de 1,4 milhões de famílias baianas participavam do programa e os recursos repassados durante o ano perfaziam o expressivo montante de R$ 1,2 bilhão” diz.

Natalidade e esperança de vida na Bahia

As mulheres baianas tendem a ter menos filhos. A taxa de fecundidade que era de 7,2 filhos/mulher em 1970 declinou para 2,2 filhos/mulher em 2006 e considerando-se o ritmo atual de declínio da fecundidade, em 2010, a taxa será de 2,05 filhos/mulher, média abaixo do nível de reposição da população (2,1). Em 2030, a perspectiva é que as mulheres baianas terão, em média, menos de dois filhos (1,9 filhos).

Enquanto a taxa de natalidade diminui, a esperança de vida dos baianos aumenta. Em 2006, a taxa de mortalidade alcançava 71,7 anos, superior a média nordestina (69,4 anos) e bastante próxima da média nacional (71,9 anos). É importante destacar que entre a população idosa e, sobretudo, entre os mais idosos, há um amplo predomínio de mulheres por conta do significativo diferencial de longevidade feminina.

O envelhecimento também possibilita o surgimento de excelentes oportunidades de criação de novos negócios em diversas áreas. De um modo geral, o setor privado ainda apresenta timidez em relação ao mercado consumidor de bens e serviços para a população idosa. Alguns segmentos do setor empresarial e dos investidores ainda desconhecem o significado efetivo do processo de envelhecimento populacional. “Infelizmente grande parte destas transformações no padrão demográfico continua sendo desconhecida pelo grande público. A potencialidade dos estudos populacionais para a formulação, implementação e avaliação de políticas públicas e para a decisão na área de negócios é ainda muito pouco aproveitado no Brasil” completa José Ribeiro.