Saldo positivo

11/07/2008

Há um saldo positivo para a Bahia na linha de migrações com Estados mais prósperos, sobretudo São Paulo.

Em 2006, os migrantes aqui chegados superaram em 33 mil o número dos que partiram. É o retorno à terra natal, que A TARDE antecipou em 24 de fevereiro último, com base em levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para aquele ano.

Há pelo menos duas explicações para isso: a relativa escassez de postos de trabalho no destino, dos migrantes baianos, causada por um modelo produtivo mais enxuto, e a absorção pela Bahia de investimentos de porte, como a produção de grãos no oeste, a celulose e a silvicultura no sul, a fruticultura irrigada pelo Rio São Francisco, a indústria automobilística na Região Metropolitana de Salvador e a consolidação de Porto Seguro e Itacaré como pólos turísticos.

Mas hoje, Dia Mundial da População, convém lembrar, a título de alerta, que nos últimos meses a Bahia perdeu empreendimentos industriais em torno de US$ 1,5 bilhão e que gerariam cerca de 2.600 empregos diretos, a exemplo da "Planta Verde" da Braskem (optou pelo Rio Grande do Sul), com investimento previsto de US$ 500 milhões; uma central de serviços da GM (cerca de US$ 30 milhões) e a fábrica da Toyota (US$ 1 bilhão).

Aliás, desde o ano passado dezenas de empreendimentos industriais projetados para a Bahia optaram por outros Estados, e o Pólo Petroquímico de Camaçari é citado como exemplo de parque industrial em declínio. Há empresas desejosas de deixar o Estado, caso o governo cancele a política de incentivos fiscais ou reduza o nível de incentivos destinados à oferta de infra-estr utura.

A administração atual parece não se empenhar muito na atração de investimentos.

Faz o básico, apresenta planos, mas sem vontade política de superar carências. Ainda assim, a indústria baiana manteve em 2006 a sexta posição no ranking nacional. Com 14 milhões de habitantes, a Bahia é o Estado mais populoso do Nordeste, apesar de queda expressiva na taxa de natalidade (de 7,2 filhos/família, em 1970, para 2,2, em 2006). A expectativa de vida aumenta e faltam bens e serviços para a população idosa.

Estes dados, analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), convidam a uma revisão crítica da política pública de investimentos.