O preço médio da cre vermelha na Região Metropolitana de Salvador passou de R$ 8,16 para R$ 10,32 nos últimos 12 meses, de acordo com a pesquisa mensal da cesta básica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Com a expectativa de manutenção do cenário, muitos baianos começam a mudar hábitos de consumo para adequar o orçamento. A soja é apontada como uma boa fonte de proteínas a um preço acessível.
O segurança Luís Américo acrescentou a soja na lista de compras desde janeiro. O produto é adicionado ao cardápio com legumes e bastante tempero.
“Só que não dá pra ficar sem carne nenhuma. A gente compra um pouquinho e faz um ‘sobedesce’, que todo mundo gosta”, conta. “Antes fazia a feira do mês com R$ 350, mas hoje, mesmo reduzindo a quantidade de produtos, não dá”, reclama Para a costureira Clara Andrade, a solução para fechar o orçamento foi muita atenção às promoções, mesclar a carne “de segunda” e com a soja texturizada.
“Fico muito atenta a qualquer promoção; no último sábado, saí de casa, em Castelo Branco, para comprar coxas e sobrecoxas a R$ 4 no centro da cidade”, lembra.
“As pessoas com poucos recursos para alimentação podem utilizar como opção de proteínas a soja texturizada, que se encontra com facilidade nos mercados”, sugere a nutricionista Rose Santos. De acordo com ela, uma grande dificuldade para a população é que substituir todos os nutrientes da carne pode custar mais caro que consumir o produto “Infelizmente, a comida que faz bem é muito cara”, lamenta a nutricionista, que explica que seria necessária uma alimentação com legumes, grãos e frutas variadas, além de castanhas, nozes e amêndoas para substituir a carne sob o ponto de vista nutricional.
Quanto ao preço, a supervisora técnica do Dieese na Bahia, Ana Georgina Dias, admite que a soja aumentou bastante, mas ainda é uma opção muito interessante para para o consumidor final.
A abertura da União Européia para as exportações brasileiras é apontada como principal explicação para o aumento da carne.
“Para os produtores, os preços no exterior são bem mais atrativos, o que desabasteceu o mercado interno”, avalia a supervisora técnica do Dieese.
Os outros aspectos apontados como responsáveis pelo aumento são os preços dos insumos e a atual de entressafra. “O aumento no preço da soja e do milho, bastante utilizados como ração, acabam criando um ‘efeito cascata’ no caso dos animais criados em confinamento”, destaca Ana Georgina. “A entressafra causa problemas porque aumenta os custos da pecuária, uma vez que a escassez de pastagens faz os animais engordarem lentamente”, explica.
Um grande abate de matrizes no ano passado provocou a diminuição de bezerros no Estado, de acordo com a economista da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), Marília Campo. “O abate e as exportações provocaram a queda na oferta interna”, avalia.
A carne branca, que poderia representar uma alternativa para o consumidor, também vem aumentando de preço. “Neste caso, há uma inversão na ordem das causas. O principal fator para o aumento do frango é o aumento no preço do milho. Mas o aumento de demanda externa também influencia”, avalia Ana G eorgina.
De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), 45,5% das aves brasileiras foram destinadas ao mercado externo em junho.
O índice de preços ao consumidor (IPC), divulgado pela SEI, aponta aumentos nos preços do produto de junho de 2007 até o último mês de maio de 18,03% para o produto abatido na hora e de 0,59% nos congelados.