SEI divulga as ocupações formais que mais demitiram e contrataram em dezembro de 2008
As ocupações com carteira assinada que mais demitiram em dezembro de 2008 foram as de servente de obras (-2.266), trabalhador volante da agricultura (-1.103), pedreiro (-948) e trabalhador no cultivo de trepadeiras frutíferas (-893). Os números são divulgados pela Diretoria de Pesquisas da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento, que analisou os principais setores e ocupações sob efeito da sazonalidade e da crise financeira nas demissões do emprego formal no final do ano.
“É preciso separar a redução do estoque de emprego oriunda da presença de fatores sazonais negativos daquela proveniente de demissões relacionadas aos efeitos da crise. Afinal de contas, a incorreta interpretação dos números gera apreensão no mercado e aprofunda ainda mais a crise de expectativas, um dos principais componentes da crise atual”, ressaltou José Ribeiro, Diretor de Pesquisas da SEI.
No último mês de 2008, 15.225 pessoas perderam seus empregos na Bahia, uma retração de 1,18%. O volume de demitidos foi superior ao registrado nos anos anteriores por efeito da turbulência financeira, mas o economista salienta que dezembro sempre registra diminuição dos postos de trabalho com carteira assinada. Tomando como exemplo os quatro anos anteriores, todos tiveram redução das vagas: -5.791 empregos em 2005, -6.815 em 2006, -3.944 em 2007.
Ocupações - Foram eliminados 5.040 postos de trabalho do setor agropecuário. Com mais intensidade, esta é a mesma tendência observada nos anos de 2007 (-3.320 vagas), 2006 (-3.620) e 2005 (-2.957). Este é o setor que mais sofre o efeito da sazonalidade no mês de dezembro. As ocupações que mais cortaram postos neste setor foram as já citadas volante da agricultura (-1.103) e trabalhador no cultivo de trepadeiras frutíferas (-893), além de trabalhador agropecuário em geral (-711), trabalhador no cultivo de árvores frutíferas (-607), trabalhador de extração florestal em geral (-430) e do cultivo de cana de açúcar (-423).
Alguns segmentos da indústria de transformação, a exemplo da produção de alimentos e bebidas e indústria têxtil, também demitem no final do ano. A indústria costuma alcançar o pico da produção e de demanda por trabalhadores nos meses antecedentes a dezembro, para ampliar os estoques de final de ano e, após este período, a necessidade por mão de obra reduz.
As principais demissões na indústria de transformação se deram nas ocupações de trabalhador polivalente da confecção de calçados (-750 vagas), alimentador de linha de produção (-296) e operador polivalente da indústria têxtil (-269). Na construção civil as demissões se concentraram entre os serventes de obras da construção civil (-1.798), pedreiro (-761), gari (-98) e carpinteiro de obras (-94).
Nos serviços, o ciclo escolar influencia diretamente na sazonalidade do emprego com carteira assinada. No mês de dezembro, alguns estabelecimentos escolares costumar desligar trabalhadores, sobretudo professores. No setor de serviços, o subsetor ensino aponta a eliminação de vagas no mês de dezembro: -1.381 em 2008, -1.273 em 2007 e -958 no ano de 2006.
No setor, os desligamentos se concentraram nas ocupações de serventes de obras de serviços (-259 empregos), de professor de nível superior do ensino fundamental da primeira à quarta série (-148) e professor da educação de jovens e adultos no ensino fundamental da primeira à quarta série (-141).
Na contramão da crise, algumas profissões contratam em dezembro
Apesar do saldo negativo de empregos em dezembro de 2008, algumas profissões incrementaram as contratações, quando foram criados 540 novos empregos de vigilante e 288 vagas de vendedor de comércio.
O turismo interno foi destaque ao contribuir com 192 novas vagas de camareiro de hotel, 171 de garçom e 148 de atendente de lanchonete.
Também chamou atenção o surgimento de 172 empregos de trabalhador na olericultura (raízes, bulbos e tubérculos), 148 de repositor de mercadorias e 141 de operador de telemarketing ativo e receptivo (141 vagas).
“O conjunto destas informações de ocupações em alta, mesmo num contexto de crise, é de fundamental importância para o planejamento das ações em prol da manutenção do emprego”, explica José Ribeiro.
Os dados analisados pela SEI são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), recém fornecidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Comparando-se com o resultado nacional, o Estado não sofreu tanto com o desemprego quanto o país que reduziu 2,08% o número de postos de trabalho, isto é, 654.946 empregos. Já o Nordeste seguiu a mesma tendência de perda, mas a contração foi menor, de 1,09%, menos 49.518 vagas.