SEI e DIEESE divulgam estudo sobre mulheres no mercado de trabalho

Publicado: 05/03/2009 Última atualização: 06/10/2026 às 09:27
A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Seplan, em parceria com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgou na quarta-feira (4/03) a edição especial da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Salvador (PED/RMS) que buscou retratar a situação da mulher no mercado de trabalho.

Pelo quinto ano consecutivo reduziu o desemprego da população feminina, passando de 25,3%, em 2007, para 24,1%, em 2008. Entretanto, no mesmo período, a redução da taxa de desemprego para a população masculina foi mais intensa, chegando a 16,5% no último ano. Em 2008, a diferença entre as taxas de desemprego da população masculina e feminina foi de 46%, sendo que em 2007 era pouco mais de 37%.

Quando comparado 2008 com o ano anterior, a taxa de participação das mulheres caiu de 55,2% para atuais 54,2%, o que representou uma queda de 1,8%, muito próxima da redução observada entre os homens, de 1,9%, cuja participação passou de 68,4% para 67,1%, no período.

Em relação à ocupação, as mulheres tiveram um crescimento de 4,1% em 2008. Por outro lado, este resultado superou o acréscimo verificado entre os homens no último ano, de 1,6%. Os resultados para as mulheres refletiram desempenhos positivos nos Serviços e no Comércio, enquanto para os homens as principais contribuições foram observadas na Construção Civil e nos Serviços. Em razão do crescimento mais acentuado do nível de ocupação entre as mulheres, a sua participação no total de ocupados resultou em ligeiro aumento, passando de 46,3%, em 2007, para 46,9%, em 2008.

Relação Família e Trabalho na perspectiva de gênero


Dentre os dados que mais chamam atenção na Pesquisa está o fato das mulheres sem cônjuges e com filhos apresentarem a mais elevada inserção no mercado de trabalho, com taxa de participação de 64%, frente às das mulheres dos demais arranjos familiares. De acordo com a PED, a taxa de desemprego entre essas mulheres é a segunda menor entre as pesquisadas, o que indica uma elevada pressão a que estão sujeitas, pelo fato de, na maioria das vezes, serem as provedoras exclusivas do sustento familiar.

As mulheres cônjuges no casal com filhos apresentaram a menor taxa de participação (59,3%) e a mais elevada taxa de desemprego total (22,6%), sendo que, entre aquelas com filhos menores de 5 anos de idade, aproximadamente, 1/3 estava em situação de desemprego.

As maiores dificuldades de obtenção de um trabalho remunerado enfrentadas pelas mulheres com filhos pequenos indicam que a maternidade é, muitas vezes, um obstáculo para o mercado de trabalho, tanto do lado da demanda, por dificuldades de encontrar um posto que lhes permitam conciliar as funções de mãe e de responsável pela casa, quanto pelo lado da oferta, que associa, de forma simplista e discriminatória, a contratação de mulheres mães e em idade reprodutiva a maiores gastos com encargos trabalhistas.

A chefe mulher sem cônjuge e com filhos tem a menor presença entre as ocupadas no setor privado com carteira assinada, 24,6%, e está em maior proporção, frente às mulheres dos demais arranjos, entre as autônomas, 24,1%, e no emprego doméstico, 20,0%. Isso expressa, mais uma vez, a fragilidade de inserção dessas mulheres, já que o serviço doméstico e parte da ocupação autônoma apresentam níveis elevados de precariedade e instabilidade.

A maior proporção de mulheres na RMS estão ocupadas no setor privado com carteira de trabalho assinada, com proporções que variam de 24,6%, no caso da chefe mulher sem cônjuge com filhos, a 37,7%, em se tratando da cônjuge mulher no casal sem filhos. A segunda posição na ocupação entre as mulheres, exceto para aquelas que moram sozinhas, é como autônomas.

Já as mulheres que moravam sozinhas, diferentemente das demais, têm sua segunda principal forma de inserção no setor público, 23,1%, e a menor participação, relativamente às das demais posições, no emprego doméstico, 13,4%, confirmando uma situação menos precária de inserção no mercado de trabalho.