Mulheres negras são 80% dos trabalhadores domésticos na Bahia

Publicado: 29/04/2009 Última atualização: 06/10/2026 às 09:56
Mulheres, negras, jovens e com baixa escolaridade. Este ainda é o perfil do trabalhador doméstico na Bahia e no Brasil. O tema esteve na pauta da oficina de planejamento da Agenda Bahia do Trabalho Decente, realizada ontem (28), no auditório da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). Segundo informações do estudo Panorama do Trabalho Doméstico, apresentado pelos economistas da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMS) Luiz Chateaubriand e Leormínio Moreira Filho, realizado à pedido da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mulheres negras, com idade entre 18 e 39 anos e com curso fundamental incompleto são a maioria da força de trabalho no setor.

Participaram do evento representantes da Federação Nacional dos Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Sindicato dos Trabalhadores Domésticos da Bahia (Sindoméstico), OIT, Setre, Conder, Dieese, Ministério Público do Trabalho, Ministério da Previdencia Social, Confederação Nacional dos Trabalhadores do Comércio e Serviços (Contracs) e o Movimento das Donas de Casa da Bahia.

O estudo foi realizado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/ IBGE) e revela que, dos 458 mil trabalhadores domésticos existentes na Bahia (2007), quase 79,2% são mulheres negras, 14,3% são mulheres não negras, 5,8% são homens negros e 0,7% são homens não negros.

O estudo mostrou que o trabalho doméstico representa em torno de 7% da força de trabalho da Bahia, um contingente próximo ao que está empregado no setor industrial. Porém, cerca de 72% destes trabalhadores ganham menos do que um salário mínimo e mais de 80% não têm carteira assinada ou não contribuem para a previdência.  

A situação parece ser mais precária para as diaristas, categoria em que 89% não têm carteira de trabalho assinada e 87% não contribuem com a previdência social. “Essa categoria é a de maior precariedade, pois não tem proteção social, tem um ritmo de trabalho mais intenso, não tem jornada estabelecida e está sujeita a uma maior deterioração do trabalho”, explica o pesquisador Luiz Chateaubriand.

Segundo os territórios de identidade, os dados do Censo 2000 mostram que a maior concentração do trabalho doméstico (33,9%) está na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Segundo a faixa etária, a PNAD 2007 mostra que 43% desses trabalhadores têm entre 25 e 39 anos de idade e 20% têm entre 18 e 24 anos.

Ao analisar o cenário dos últimos dez anos (de 1997 a 2007), o emprego doméstico vem em forte ritmo de crescimento, com aumento de 52% no contingente de trabalhadores, incremento bem acima dos outros setores de atividade. “Nesses 10 anos, percebemos que aumentou a participação relativa do emprego doméstico no mundo do trabalho frente às demais ocupações, mas esta ainda é uma classe invisível, sem o devido reconhecimento da sociedade”, disse Luiz Chateaubriand.