Pequena queda no nível de ocupação eleva desemprego

Publicado: 29/04/2009 Última atualização: 06/10/2026 às 09:56
Em março, a taxa de desemprego na Região Metropolitana de Salvador passou de 19,4% para 20,1% da População Economicamente Ativa (PEA), como mostra os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada em parceria pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), Dieese, Fundação Seade e Ufba. Esta foi a menor taxa relativa ao mês de março desde 1996, quando a pesquisa começou a ser realizada. Vale ressaltar que ao longo da série histórica da PED registra-se aumento da taxa de desemprego todos os anos no mês de março, em decorrência da sazonalidade do mercado de trabalho.

A pesquisa aponta que em março o contingente de desempregados foi de 367 mil, resultado da expansão da População Economicamente Ativa (PEA) em quatro mil pessoas, combinada com a eliminação de nove mil ocupações do mercado de trabalho. Portanto, este mês teve uma pequena redução de 0,6% no número de ocupados, que foi estimado em 1.460 mil trabalhadores na RMS.

De acordo com a análise, houve distintos movimentos entre os setores analisados.  O setor de Serviços expandiu em 1%, nove mil ocupações a mais. Por conta da sazonalidade e dos efeitos da crise, o Comércio e Indústria sofreram reduções dos postos de trabalho, no primeiro a retração foi de 4,1%, representando dez mil vagas eliminadas, e no segundo, o decréscimo foi de 6,1%, menos oito mil ocupações. No agregado “Outros Setores”, que engloba os serviços domésticos, construção civil e outras atividades, foi verificado estabilidade dos postos.

Em relação à posição na ocupação, observou-se uma relativa estabilidade de 0,2% no emprego assalariado, com a criação de dois mil postos de trabalho. Enquanto o setor público expandiu em 3,4%, sete mil pessoas ocupadas, no setor privado houve recuo de 0,7%, menos cinco mil vagas. Detalhando o setor privado, verifica-se uma ampliação do emprego sem carteira assinada em 0,7%, mais mil postos, e a diminuição do trabalho com carteira assinada em 1%, uma redução de seis mil vagas. O número de trabalhadores autônomos também diminuiu, foram 11 mil ocupados a menos, e o de trabalhadores domésticos reduziu em mil pessoas. Já no agregado “Outros” (Empregadores, os Trabalhadores Familiares e os Donos de Negócios Familiares, etc) registrou aumento de mil postos.

Diminui o desemprego na comparação anual

Na comparação entre março de 2009 e o mesmo período de 2008, o desemprego diminuiu 4,3%. A redução do número de desempregados em 20 mil pessoas é resultado da saída de 17 mil pessoas da PEA combinada ao surgimento de três mil ocupações.

Conforme os dados da pesquisa, a ocupação manteve-se relativamente estável em 0,2%, conseqüência do aumento da ocupação nos Serviços em 0,9%, oito mil vagas a mais, e no agregado “Outros Setores” em 2,7%, seis mil postos.  Por outro lado, registrou-se decréscimo da ocupação na Indústria em 7,5%, retração de 10 mil vagas, e no Comércio, 0,4%, redução de mil vagas do mercado de trabalho metropolitano.

Segundo a posição ocupacional, o contingente de trabalhadores assalariados aumentou 4,8%, com crescimento do emprego no setor privado em 32 mil vagas e no setor público em 12 mil. Focando apenas o setor privado, houve aumento do contingente de assalariados com carteira assinada em 34 mil e diminuição do número de trabalhadores sem carteira assinada em dois mil postos. O número de ocupados no agregado “Outros” diminuiu em 27 mil trabalhadores e o de autônomos em 18 mil. Por sua vez, o contingente de trabalhadores domésticos aumentou em cinco mil pessoas.

Rendimentos

No mês de fevereiro, o rendimento ficou relativamente estável para os ocupados, em 0,3%, e para os assalariados, em 0,2%, sendo estimados em R$ 971 e R$ 1.073, respectivamente.

Em relação a fevereiro de 2008, houve crescimento do rendimento real médio para a população ocupada (3,2%) e para a assalariada (2,8%). De acordo com Luiz Chateaubriand, economista da SEI, três fatores colaboraram para a manutenção do rendimento salarial, tais como: a política do salário mínimo, os ganhos das negociações das categorias de trabalhadores com os empregadores e o ganho na produtividade devido o crescimento da economia até o último trimestre de 2008. “Com a crise financeira, a manutenção da atividade econômica fica mais dependente do consumo interno, por isso este crescimento dos rendimentos é importante”.