Emprego com carteira assinada tem alta de 5,28% em Salvador

01/10/2009

Pesquisa aponta queda da taxa de desemprego de 20,9% em julho para 20% em agosto

Em um ano, 30 mil trabalhadores da Região Metropolitana de Salvador (RMS) conquistaram o benefício de trabalhar com a carteira assinada. A inclusão destas pessoas, que representou um crescimento de 5,28%, indica a manutenção no nível de trabalho formal, apesar da forte influência do cenário de crise nos últimos meses. APesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgada ontem, também mostrou que o mercado de trabalho naregião metropolitana apresentou expansão pelo terceiro mês consecutivo.

A taxa de desemprego caiu de 20,9%, em julho, para os atuais 20% – o segundo melhor desempenho já registrado em um mês de agosto.

Apesar da ampliação no númerode carteiras assinadas,a dinâmica do mercado de trabalho acaba não sendo suficiente para atender a todos.

Depois que passou dos 40 anos, o ex-motorista CletoPedro dos Santos tem encontrado dificuldades para se manter no mercado formal. Agora, aos 62 anos, conformou-se com a renda obtida com a venda e aluguel de cartões telefônicos.

“Nos meses bons, chego a vender R$ 600, apesar dos roubos”, conta.

Para o analista da PED pela SEI, Luiz Chateaubriand, a queda da informalidade durante o período da crise poderia ser atribuída à falta deproteção social para esses tipos de trabalhadores. “É mais fácil demitir quem não tem carteira assinada”, explica o economista.

Agora, a manutenção deste cenário, acredita ele, indica que a RMS pode estar em um momento estrutural em relação à formalização.

De acordo com a PED, havia 614 mil assalariados com carteira assinada no setor privado, contra 584 mil em 2008.

Os assalariados sem carteira, por outro lado, eram 156 mil em 2008 e hoje são aproximadamente 132 mil pessoas.

Bom momento Para a representante do Dieese na PED, Ana Margareth Simões, a pesquisa de agosto teve como principal destaque o aumento de 17 mil postos de trabalho. “O crescimento por trêsmeses consecutivosmostra que estamos voltando à dinâmica anterior”, comenta a especialista, referindo-se à situação do mercado de trabalho de antes da crise.

A expectativa dos analistas é que a RMS chegue ao fim deste ano mantendo o ritmo em Marco Aurélio Martins / Ag. A TARDE relação à criação de empregos.

O mercado de trabalho deverá estar aquecido, apontam, mas existe o temor de que um grande número de pessoas que hoje não estão procurando trabalho voltem a procurar espaço.

Este é o caso do balconista Derivaldo Barreto da Silva. Há oito anos precisou deixar o emprego para cuidar da saúde e desde então tem tido muitas dificuldades para encontrar um trabalho com carteira assinada. “Não estou conseguindo e já penso em tentar trabalhar para mim”, afirmou.

Outras capitais Com a mudança de 20,9% para 20%, a Região Metropolitanade Salvador(RMS)foi aque apresentou a maior queda na taxa de desemprego (-4,3%) entre as áreas cobertas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego( PED). Aindaassim, a taxa verificada na capital baiana é maior que a média das capitais brasileiras participantes da pesquisa, que caiu de 15%, em julho, para 14,6%.

As informações da Pesquisa mostram que, em agosto, o contingente de desempregados nas seis regiões foi estimado em 2,9 milhões de pessoas, 79 mil a menos do que no mês anterior.

O nível de ocupação aumentou em quase todas as regiões pesquisadas, com exceção de Recife, que foi a única cidade em que o desemprego aumentou, e Belo Horizonte, onde o cenário foi de estabilidade.

Apesar do desempenho negativodeRecife eopositivo de Salvador, o incômodo título de capital do desemprego permanece entre os baianos.

“A diferença está caindo bastante. Hoje estamos apenas 0,5% atrás de Recife”, aponta a coordenadora da PED pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais do Estado da Bahia (SEI), Vânia Moreira.

Em relação à renda obtida pelo trabalhador, a situação de Salvador muda um pouco em relação às outras regiões.

Aqui, o ganho de rendimento foi de 0,5%, maior apenasque os aumentos nas cidades de Recife e do Distrito Federal. Na RMS, o ganho médio do trabalhador foi de R$ 962.