O setor de serviços e a indústria lideram o processo de desconcentração da economia revelado pelo PIB municipal de 2007 divulgado pela SEI
Os dados mais recentes do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios baianos, calculado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) em parceria com o IBGE e os diversos órgãos de estatística e planejamento do País, apontam para um processo de desconcentração espacial da atividade produtiva do estado. Os números na Bahia revelam um ganho de participação dos municípios fora da Região Metropolitana de Salvador no PIB do estado entre 1999 e 2007. A desconcentração aconteceu nos setores de serviços, o de maior peso na estrutura do PIB, e no industrial, ambos com um consistente declínio de três e de quatro pontos percentuais, respectivamente, na participação do grupo dos cinco maiores PIB´s municipais de cada setor.
Os resultados evidenciam uma desconcentração espacial da atividade econômica da Região Metropolitana de Salvador que, em 1999, era responsável por aproximadamente 46,7% do PIB da Bahia e passou, em 2007, a representar 41,7% do total das riquezas produzidas pelo estado da Bahia. Observando-se os cinco maiores PIB’s municipais verifica-se que, em 1999, eles representavam 51%, do total da atividade econômica do estado e passaram, em 2007, a representar 47%, o que reforça o argumento da desconcentração.
No Setor de Serviços, a redução foi de 51% para 48% do total da participação dos cinco maiores municípios do setor. Mesmo com a perda de três pontos percentuais na participação desde 1999, Salvador, em 2007, continua como o mais a importante município baiano na composição do Valor Agregado do setor, com 31,1%. Em seguida, Feira de Santana (5,2%), com destaque na atividade comercial, em especial pela sua estratégica localização e pela produção de serviços de apoio à atividade industrial. Os municípios de São Francisco do Conde (4,3%) e Camaçari (4,2%) têm, principalmente, nas atividades de serviço de apoio à indústria a sua maior expressão. O município de Vitória da Conquista (2,8%), com uma população bastante expressiva, aparece no ranking pelas suas atividades comerciais, assim como pela prestação de serviços às famílias e às empresas.
O setor Industrial apresentou o maior percentual de desconcentração, uma redução de quatro pontos percentuais nos grupo dos cinco maiores municípios, que passaram de 61% para 57%. Este é o segundo setor de maior peso na economia do estado e, apesar do movimento de desconcentração, ainda apresenta alto grau de concentração econômica. Com a contribuição de apenas cinco municípios, sendo a sua maioria pertencente à Região Metropolitana de Salvador (RMS), o Valor Agregado, pelos mesmos, alcança mais da metade da riqueza gerada pelo total do setor na Bahia. São eles: Camaçari, com participação de 22,2%, onde estão instalados o Pólo Petroquímico e a Industria Automotiva. São Francisco do Conde, com 13,2%, onde está instalada a Refinaria Landulfo Alves de Mataripe (RLAM), a segunda maior do País. Salvador, com 11,9%, tem como segmentos de peso no setor, a Indústria da Construção Civil e a Indústria de Transformação. O município de Paulo Afonso, com 5,9%, tem sua economia industrial fortemente influenciada pela presença de quatro usinas da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF) e Candeias, com 3,4%, destaca-se pela extração de petróleo e gás natural e pela existência de indústrias do segmento de transformação.
O setor Agropecuário foi o único onde a concentração da produção aumentou no grupo dos cinco maiores municípios do setor, de 14% para 20%. Nesse caso, alguns municípios estão se tornando mais estratégicos dentro da estrutura da agricultura baiana e até nacional, o que é muito positivo para a economia da Bahia como um todo. O município que está na liderança, São Desidério, tem apenas 7,7% da estrutura produtiva (2007) e, além de liderar o ranking baiano, é também o maior valor agregado agrícola do Brasil. Esse município, assim como Barreiras (4,5%) e Luis Eduardo Magalhães (2,6%) está localizado no Extremo Oeste da Bahia e é especializado, principalmente, na produção de soja. O município de Juazeiro (3,3%), situado no Baixo Médio São Francisco, onde se encontra instalado um pólo de frutas para exportação. O município é responsável pela maior parte da fruticultura irrigada do estado, com grande especialização no cultivo de frutas cítricas e outros produtos da lavoura permanente. Formosa do Rio Preto (2,1%) localiza-se, também, no Extremo Oeste e tem sua economia voltada para as culturas do algodão, soja, milho e café.
Maiores saltos de posição entre 2006 e 2007
Cairu foi o município baiano que deu o maior salto na participação no PIB, passando da 203ª para a 31ª posição, o segundo maior movimento do País entre 2006 e 2007. O setor da indústria é o destaque na economia do município, com exploração de gás na Plataforma do Campo de Manati na Bacia de Camamu, costa do município.
Adustina passou saltou 77 posições no ranking, São Miguel das Matas, 72, Fátima, 71, e Santa Brígida, 64. Fátima e Santa Brígida, localizados na região Nordeste da Bahia, foram destaque com aumento significativo no valor da produção do feijão, o que pode estar associado a elevação nos preços da cultura ocorrida no segundo semestre de 2007. Fátima e Santa Brígida apresentaram também um destaque no setor serviços. Já São Miguel das Matas, com o terceiro maior salto, localizado no Recôncavo Sul da Bahia, é um grande produtor de mandioca, com várias fábricas de farinha. Entre 2006 e 2007 houve aumento da quantidade produzida da mandioca e seu valor de produção cresceu 75%. Esta é a principal cultura de subsistência desse município.