Economia baiana: superação da crise
Geraldo Reis*
No primeiro trimestre de 2009, a conjuntura econômica da Bahia, marcada por números bastante tímidos, permitiu leituras excessivamente pessimistas quanto ao posicionamento do estado diante da crise. Naquela oportunidade, nós da SEI já indicávamos uma tendência de retomada das atividades econômicas de forma crescente nos 3º e 4º trimestres do ano. Após ter atravessado uma crise de graves efeitos contracionistas, a economia baiana de fato chega ao final de 2009 apresentando boas perspectivas.
A Ford anuncia investimentos de R$ 2,4 bilhões e a Braskem, de R$ 640 milhões. Na mineração, a Bahia inaugura a maior mina de níquel descoberta nos últimos dez anos na América Latina, com investimentos de US$ 450 milhões. Temos ainda o setor de celulose, também com fortes investimentos previstos para 2010. Na petroquímica, o governo federal anunciou a suspensão de cobrança de IPI, PIS/Cofins e Imposto de Importação de bens e serviços relacionados ao setor.
O conjunto da economia baiana apresenta indicadores bastante satisfatórios considerando ser um ano de crise. O comércio deverá crescer 6,5% no ano. O consumo do cimento, um dos principais indicadores para o setor da construção civil, cresceu cerca de 6,7% até setembro. A arrecadação de ICMS é um forte indicador da retomada das atividades, com recorde histórico em novembro, chegando a R$ 902,085 milhões. E mesmo a indústria, o setor mais afetado pela crise, vem retomando suas atividades, com taxas positivas de agosto a outubro. Entretanto, a recuperação desse setor, muito dependente do mercado externo, deverá ocorrer com defasagem em relação aos demais setores da economia.
Nesse contexto, fechamos o 3º trimestre com crescimento de 2,3% no PIB, enquanto o Brasil retraiu-se 1,2%. A estimativa realizada pela SEI é de que o PIB 2009 da Bahia irá crescer 1,5%, atingindo R$ 126 bilhões, o que pressupõe um crescimento para o 4º trimestre de pelo menos 4%. Trata-se de um resultado extremamente positivo e que aponta para um crescimento em sintonia com a economia nacional em 2010.
Contudo, a nossa maior satisfação é observar que, pela primeira vez, os estratos sociais mais baixos foram os que menos sentiram os impactos da crise. De acordo com os registros do Ministério do Trabalho, até o mês de novembro, foram criados 75 mil empregos formais, sendo 53,6% na RMS e 46,4% no interior. Um aspecto importante é que, dos 62 mil empregos gerados até outubro, 53.574 foram criados por microempresas com até quatro empregados, situação que deve ganhar reforço com a aprovação da lei de licitações do Estado, que reserva cotas para contratação de micro e pequenas empresas. A Pesquisa de Emprego e Desemprego registrou em outubro a menor taxa de desemprego desde o início da série, em 1996, passando a 18,7%. As classes A e D aumentaram substancialmente seu poder de consumo.
Sem dúvida que a estabilidade macroeconômica, as políticas de transferência de renda, o aumento da massa salarial e o conjunto das políticas implementadas pelo governo estadual, com investimentos em equipamentos e serviços de saúde e educação, em reforma de estradas, saneamento, abastecimento de água e demais obras de infraestrutura, contribuíram decisivamente para alimentar a capilaridade da economia interiorana. Os resultados do PIB municipal de 2007 já indicam o início de uma reversão da excessiva concentração espacial da economia na RMS. Alguns novos ramos da indústria, como a naval, de mineração, alimentícia e têxtil, também apontam nesse sentido. Os investimentos industriais em implantação entre 2009 e 2010 já somam em torno de R$ 7,6 bilhões, sendo cerca de 65% fora da região metropolitana. Os investimentos em infraestrutura e logística, agora mais acelerados, também são determinantes no desenho de uma nova espacialização do desenvolvimento.
Esse contexto nos permite observar indícios de mudanças qualitativas no padrão de desenvolvimento do estado. Definitivamente, o social se afirma na Bahia como um dos grandes vetores de desenvolvimento econômico.
*José Geraldo dos Reis Santos é sociólogo, diretor-geral da SEI e professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.