PIB baiano cresce 9,5% no primeiro trimestre

Publicado: 08/06/2010 Última atualização: 06/10/2026 às 09:54

O Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia cresceu 9,5% no 1º trimestre de 2010, em comparação ao mesmo período do ano anterior. A estimativa é da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan), divulgada nesta terça-feira (8), em coletiva à imprensa.



Na avaliação do Secretário do Planejamento, Antônio Valença, o resultado reflete o bom momento pelo qual passa a economia baiana. “A Bahia obteve expansão em todos os setores, com destaque para a indústria, que mostra sua capacidade de recuperação. O segmento da construção civil foi o de maior expansão, influenciado por ações de governo, a exemplo da construção de hospitais, estradas, moradias e sistemas de abastecimento de água, além da atração de empreendimentos”, relatou Valença.

No Brasil, os resultados divulgados hoje pelo IBGE dão conta de um crescimento em torno de 9,0% em relação ao primeiro trimestre de 2009 e de 2,7% na comparação com o quarto trimestre do ano. Vale ressaltar que esta última forma de comparação não é calculada em âmbito estadual. No Brasil, os três grandes setores de atividade tiveram desempenho positivo: a Agricultura cresceu 5,1%, a Indústria, 14,6% e os Serviços 5,9%, ante o primeiro trimestre de 2009.

Os outros estados nordestinos que também já divulgaram o PIB foram Pernambuco, com crescimento estimado em 7,8%, e Ceará, com taxa de 8,9%. “Esses resultados mostram que o Nordeste segue a tendência de crescimento encontrada para o Brasil. No caso específico da Bahia, isso espelha um otimismo do conjunto dos agentes econômicos juntamente com as ações do governo, imprimindo maior ritmo à dinâmica da economia”, disse o diretor-geral da SEI, Geraldo Reis. O diretor divulgou ainda a projeção de 7,1% para o PIB 2010, calculada pela SEI a partir de modelagem econométrica. “Vale ressaltar que esta projeção é menos precisa do que as estimativas apresentadas trimestralmente pelo órgão, sendo realizada de acordo com a conjuntura que temos hoje, mas que pode ser alterada pelo cenário internacional”, explicou.

Segundo análise da SEI, o resultado regional foi influenciado pela base comparativa deprimida e pela expansão acentuada da economia do estado, com a Indústria em franca recuperação e os Serviços e a Agropecuária intensificando a produção.


Indústria: retomada do crescimento

O resultado do trimestre traz como um dos destaques a retomada do crescimento da Indústria, que participa com 32% da estrutura do PIB estadual. Após ter registrado retração nos três primeiros trimestres de 2009, o segmento industrial baiano voltou a crescer no final do ano e, no primeiro trimestre de 2010 apresentou uma forte expansão de 13,4% em comparação com o mesmo período de 2009, consolidando assim uma tendência de retomada de crescimento, na medida em que, no acumulado dos últimos doze meses, a indústria baiana acumula expansão de 3,5%.

A Indústria de transformação iniciou 2010 com expansão de 14,0% e, assim como o conjunto do setor industrial, também reverteu a tendência de queda, operando agora numa trajetória ascendente, acumulando, nos últimos doze meses, taxa de crescimento de 1,6%. Esse crescimento é derivado da expansão na produção de alguns dos principais segmentos industriais do estado, a exemplo de refino de petróleo e produção de álcool, com crescimento de 13,6%, destacando-se o crescimento na produção de nafta e óleo diesel, e metalurgia básica (41,9%).

Já a indústria extrativa mineral, apesar de ainda acumular crescimento negativo no período dos doze meses (-1,7%), registrou expansão de 4,4% no primeiro trimestre de 2010.

As estimativas da equipe de Contas Regionais da SEI indicam que os Serviços Industriais de Utilidade Pública (SIUP), que mensuram a geração e consumo de energia e água, apresentaram crescimento de 2,5% no primeiro trimestre, basicamente pela contínua expansão no consumo de energia elétrica. Já na Construção civil, o resultado para o primeiro trimestre foi ainda mais expressivo que nos demais setores industriais. A taxa de crescimento de 15,0% confirma a trajetória de forte expansão pelo qual passa o setor na Bahia e está diretamente relacionado ao crescimento imobiliário da região metropolitana de Salvador e às obras de infraestrutura do PAC em todo o estado da Bahia.


Serviços: maior participação na estrutura do PIB

O setor de Serviços, o de maior peso no PIB baiano, com 60% de participação na estrutura da economia, encerrou o primeiro trimestre de 2010 com expansão de 7,7%. O crescimento do setor de serviços é derivado da expansão das diversas atividades que o compõe, entre elas os segmentos ligados ao turismo. O setor de Alojamento e alimentação expandiu 6,3% no primeiro trimestre. Já as atividades de transporte e armazenagens, em virtude do aquecimento da economia nacional e do aumento nas encomendas feitas junto à indústria baiana, apresentaram uma expansão de 15,8%.

Os Serviços prestados pela administração pública da Bahia expandiram-se 1,7% no primeiro trimestre em comparação com igual período de 2009.

No primeiro trimestre do ano de 2010, o Comércio baiano apresentou uma expansão de 14,9%, acumulando, no período dos últimos doze meses, expansão de 9,3%. Esse resultado corrobora o bom momento pelo qual passa a atividade na Bahia, e é reflexo tanto do aumento da renda do trabalhador quanto da estabilidade da taxa de desemprego, a qual se situou em 11,4%, de acordo com dados da PME – IBGE.


Agropecuária: grãos determinam expansão do setor

O setor da Agropecuária apresentou, no 1º trimestre de 2010, expansão de 14,6% comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, as estimativas da produção baiana de grãos totalizaram 6,8 milhões de toneladas, com crescimento de 13,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Dentre os grãos, destaca-se o crescimento na produção de soja (20,6%), algodão (8,9%) e feijão (23,9%). Ainda na agricultura, a produção de cana-de-açúcar apresentou expansão de 9,6% no primeiro trimestre.