O Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia cresceu 10,4% no segundo trimestre de 2010, em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Com o resultado, a economia baiana fechou o primeiro semestre com expansão de 10,0% na comparação com o igual período de 2009. As informações são da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria Estadual do Planejamento (Seplan). Os dados foram divulgados em coletiva à imprensa hoje (3). O evento foi realizado no auditório da Seplan, e contou com a presença do secretário estadual do Planejamento, Antônio Alberto Valença, e do diretor-geral da SEI, Geraldo Reis.
O PIB do Brasil, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também apresentou importante crescimento no segundo trimestre, com taxa de 8,8% em relação ao ano anterior, acumulando 8,9% de expansão no ano, até junho de 2010. Contra o primeiro trimestre deste ano, o incremento do PIB Brasil foi de 1,2%.
Na avaliação do diretor-geral da SEI, “o resultado do PIB baiano no segundo trimestre surpreendeu positivamente, com leve superação das projeções da SEI para o período. Essa taxa de 10,4% foi puxada, principalmente, pelo setor de serviços, pelo fato de representar cerca de 63% da estrutura do PIB, com destaque para os segmentos de transportes (14,6%) e comércio (10,2%). A indústria também cresceu fortemente, com taxa de 12,2%, e a construção civil se mantém em alta com incremento de 18,8%”, explica Geraldo Reis. O diretor da autarquia sinaliza ainda que “no acumulado do semestre, a economia baiana apresenta uma média de 10% de crescimento, reforçando fortemente a possibilidade de crescermos mais de 7% no ano, o que significaria o segundo maior PIB desde o início da série histórica, em 1996, sendo superado apenas em 2004, em função dos impactos da implantação da Ford no estado”, avalia.
Durante a coletiva, o secretário Antônio Alberto Valença fez uma análise em relação a uma série de dados da economia baiana, relativos ao primeiro semestre. A partir dos dados do emprego formal, fornecidos pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Valença pondera que a economia baiana passa por um período de desconcentração espacial, tendo em vista que a Região Metropolitana de Salvador (RMS) gradualmente abandona seu protagonismo, em favor de outros pólos dinâmicos localizados no interior do Estado, como os municípios de Vitória da Conquista, Feira de Santana e Barreiras. No primeiro semestre do ano, a RMS gerou 27.111 postos formais, ante 34.223 registrados no interior. “A questão da infraestrutura está diretamente ligada à desconcentração, tendo em vista a viabilização de investimentos no interior. Neste sentido, podemos destacar o Complexo Porto-Sul e a Ferrovia Oeste-Leste, que terão capacidade de dinamizar, do ponto de vista econômico, uma série de municípios baianos”, pondera o secretário.
Atualmente, a estrutura produtiva do PIB da Bahia é caracterizada pela preponderância do setor de Serviços, responsável por 63,9% das atividades do estado, seguido pelo setor da indústria, com 27,5%, e, finalmente, pelo setor primário, com 8,6%.
Indústria segue em forte ritmo de crescimento
Após ter registrado incremento de 13,4% no primeiro trimestre de 2009, a indústria baiana manteve o ritmo de crescimento e fechou o segundo trimestre com expansão de 12,2%. No ano (1º semestre), a expansão da indústria foi de 13,2%.
A indústria de transformação, que tem maior peso no setor industrial, registrou expansão de 9,9% no segundo trimestre, em comparação a igual período do ano anterior, acumulando, nos primeiro seis meses de 2010, alta de 11,9%. Nos últimos 12 meses (julho de 2009 a junho de 2010), a variação acumulada na indústria de transformação é de 6,0%. No 1º semestre, houve expansão em todas as atividades do segmento. Destaque-se a expansão no refino de petróleo e álcool (39,1%) e produtos químicos (5,7%), dois importantes segmentos da indústria baiana e que registraram, no ano de 2009, fortes quedas por conta da crise internacional. Vale mencionar ainda o crescimento nos ramos de metalurgia básica (16,9%), alimentos e bebidas (8,3%) e veículos automotores (10,6%).
A indústria extrativa mineral, que em 2009 também foi fortemente afetada pela crise internacional, também registrou forte expansão no período. No segundo trimestre, a expansão neste setor foi de 11,1%, enquanto que no acumulado do ano a extração mineral baiana registrou crescimento de 7,8% na comparação com o mesmo período de 2009. Esse crescimento é reflexo da expansão da extração de petróleo e outros minerais produzidos em solo baiano, assim como, da entrada em operação da mina de níquel no interior do estado.
A construção civil foi o segmento da indústria com maior taxa de crescimento, fechando o primeiro semestre com alta de 18,8% em relação ao primeiro semestre de 2009. A expansão da construção civil reflete a manutenção dos investimentos público e privado no estado da Bahia, os quais, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), gerou, entre janeiro e junho de 2010, 17.547 postos de trabalho formal, sendo que destes postos 77,0% foram na construção de edifícios (setor privado) e 15,6% em obras de infraestrutura (setor público).
Serviços crescem puxados pelos transportes e comércio
O setor de serviços, assim como os demais setores da economia baiana, registrou forte expansão no segundo trimestre. No período, a taxa de crescimento foi de 8,8%, culminando no primeiro semestre com expansão de 8,3%, e nos últimos 12 meses, com 7,0%.
Considerando-se os segmentos da atividade, destaca-se a expansão no setor de transportes (14,6%). Vale observar que o subgrupo de transporte aéreo, com taxa de 16%, sinaliza o aumento da vinda de pessoas ao estado e, conseqüentemente, o crescimento do turismo. Como reflexo, o segmento de alojamento apresentou um incremento de 13% entre abril e junho.
O crescimento no segmento de transportes também é derivado, ou pode ser associado, em parte, à expansão da demanda interna, seja aquela destinada à produção industrial, seja aquela destinada ao consumo final. A expansão da atividade comercial em 10,2%, no segundo trimestre, é um dos fatores determinantes da expansão do setor de transportes, dada a relação direta entre crescimento da demanda e necessidade de circulação de mercadorias pelas diversas regiões do estado. No acumulado de janeiro a junho, houve expansão de 12,5% na atividade comercial, em comparação com o mesmo período de 2009.
Todos os segmentos do varejo baiano registraram alta no período, sendo que os que registraram as maiores variações foram os de equipamentos materiais para escritório, informática e comunicação (27,9%) e móveis e eletrodomésticos (25,0%). Ainda merece destaque o crescimento no segmento de hipermercados e supermercados (9,5%), veículos e motos (11,9%) e material de construção (21,0%). Os bons números do setor de comércio varejista são reflexo, em parte, do desempenho positivo do mercado de trabalho, o qual registrou, segundo dados da Pesquisa Mensal do Emprego (PME/IBGE), taxa dedesemprego média de 11,6% no primeiro semestre, praticamente igual à do mesmo período do ano anterior e à elevação do rendimento das pessoas ocupadas que, segundo a mesma pesquisa, registra expansão de 7,8% em 2010.
Agricultura registra expansão de 9,2%
A atividade agropecuária manteve o ritmo de expansão do primeiro trimestre e teve crescimento de 9,2%, acumulando, no ano, até junho, variação de 10,4% em relação ao mesmo período de 2009.
De acordo com as estimativas do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/ IBGE), a produção de grãos da Bahia expandiu-se em 9,0%, totalizando 6,5 milhões de toneladas. Dentre os principais grãos cultivados no estado, destaca-se a expansão na produção física de soja (28,2%). Por outro lado, a produção de feijão e de milho registraram queda: -1,2% e -10,3%, respectivamente. Com relação às demais culturas baianas, a cana-de-açúcar e o café registraram variação positiva de 11,3% e 1,2%, respectivamente, enquanto que mandioca (-4,1%) e cacau (-3,7%) tiveram variação negativa.