O Indicador de Confiança do Empresariado Baiano (ICEB) registrou a segunda queda consecutiva no ano de 2010.
O Indicador de Confiança do Empresariado Baiano (ICEB) registrou a segunda queda consecutiva no ano de 2010. O indicador calculado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento, retraiu-se 6,5% entre novembro e dezembro de 2010. Algumas medidas preventivas anunciadas pelo governo ajudam a explicar o comportamento apreensivo do setor produtivo baiano para os próximos 12 meses, como o anúncio de cortes dos gastos públicos federais, a redução do volume de crédito e o viés de alta da taxa de juros.
No último mês do ano de 2010, o ICEB alcançou a marca de 127,8 pontos, permanecendo na zona de Otimismo Moderado. “Esse foi o menor patamar alcançado pelo indicador desde março, quando foi iniciado o cálculo da série. O resultado foi influenciado pela queda substancial na confiança do setor Indústria, que sofreu retração de 74,8% no seu indicador, fixando-se na zona de Otimismo Moderado”, explica o economista da SEI Urandi Paiva. Com efeito, apesar dos setores Agropecuário e Serviços e comércio apresentarem melhoras nos seus indicadores, de 53,8% e 83,3%, respectivamente, essas não foram suficientes para impedir a queda do ICEB. Ainda assim, esses dois setores não se deslocaram na escala de expectativas, permanecendo na zona de Otimismo Moderado.
O questionário da Pesquisa de Confiança do Empresariado Baiano divide-se em duas partes: a primeira referente às Variáveis econômicas (PIB, câmbio, inflação e juros) e a segunda referente ao Desempenho das empresas (vendas, situação financeira, emprego, capacidade produtiva, dentre outras). No mês de dezembro, mais uma vez, as expectativas sobre as variáveis econômicas superaram a de desempenho das empresas, 229 pontos contra 77,2 pontos, respectivamente. No que tange às variáveis econômicas, os setores Agropecuário e Indústria arrefeceram 9,1% e 23,6%, respectivamente, o primeiro setor permaneceu na zona de Grande Otimismo e o segundo migrou para zona de Otimismo Moderado. Em relação ao desempenho das empresas, o único setor a sofrer retração foi a Indústria que saiu da zona de Otimismo Moderado para zona de Pessimismo Moderado.
Avaliando o desempenho da inflação para os próximos 12 meses, percebe-se que os agentes econômicos reascenderam seu estado de ânimo para uma possível estabilidade dos preços, com indicador global na zona de Otimismo Moderado, com 108,5 pontos. Contudo, o mesmo entusiasmo não é constatado para variável juro, com indicador global atingindo a marca de -195,7 pontos, fixando na banda de Pessimismo Moderado. Ademais, 52% dos entrevistados pela pesquisa de confiança apostam que a taxa de juros Selic crescerá entre 2,1 p.p. e 4 p.p. nos próximos 12 meses.
Sobre as perspectivas de crescimento econômico para o Brasil e a Bahia, os resultados são os melhores, com o indicador geral alcançando a marca de 514,7 pontos e 488,6 pontos, zonas de Grande Otimismo e Otimismo, respectivamente. Do total de sondados pela pesquisa, aproximadamente 40% dos pesquisados apostam que o PIB estadual cresça acima dos 5% nos próximos 12 meses.
No tocante ao desempenho das vendas para os próximos 12 meses, as expectativas são bem sólidas com o indicador alternando durante todo o ano entre Otimismo e Otimismo Moderado, no último mês do ano o indicador geral ficou na zona de Otimismo Moderado. Não menos importante, o crédito registrou seu pior resultado no ano e permaneceu na zona de Pessimismo Moderado, com -140,7 pontos. Não obstante, do total dos entrevistados 65% acreditam que o crédito estará pouco atrativo nos próximos 12 meses.
Em relação a variável emprego, o indicador geral atingiu a marca de 109,6 pontos, zona de Otimismo Moderado, mesmo assim, 36% dos entrevistado pretendem contratar mais trabalhadores. Seguindo a mesma tendência do emprego, a variável abertura de unidades situou-se na zona de Otimismo Moderado, com 110,9 pontos, sendo que 30% dos entrevistados esperam abrir novas unidades nos próximos 12 meses.