SEI lançou Anuário do Emprego Formal com palestra sobre a evolução do emprego na Bahia

Publicado: 20/05/2011 Última atualização: 06/10/2026 às 09:52

Nos últimos dez anos, o emprego formal na Bahia cresceu mais de 80%, enquanto no Brasil, a evolução foi de 65%. Os números foram divulgados hoje, no lançamento do Anuário do Emprego Formal, nova publicação da SEI, que apresenta informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), registro do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Na avaliação da coordenadora geral de Estatísticas do Trabalho do MTE, Emília Veras, palestrante do evento, “os dados demonstram que, tanto no estado como no país, vem acontecendo um aprofundamento do processo de formalização da força de trabalho”.

O Anuário do Emprego Formal é uma iniciativa pioneira da SEI, que busca qualificar o debate sobre os avanços experimentados pela Bahia no tocante à geração de empregos formais. Na versão lançada, o leitor encontrará informações referentes aos anos de 2000, 2008 e 2009, organizadas para os 26 territórios de identidade da Bahia e seus municípios, configurando-se num instrumento de inúmeras possibilidades para estudos sobre o emprego formal bem como para elaboração de políticas públicas nessa área. A publicação pode ser acessada no site da SEI ou na biblioteca Rômulo Almeida (SEI).

Presente ao evento, o secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, parabenizou a SEI pela realização, enfatizando que “esse é um instrumento que traz possibilidades para o trabalho de formulação de políticas públicas”. Vasconcelos lembrou ainda os obstáculos que ainda precisam ser vencidos no campo do trabalho, “a exemplo da baixa empregabilidade dos setores intensivos em capital, do baixo nível de formação do trabalhador em geral, das lacunas nas cadeias produtivas, além das desigualdades entre homens e mulheres, entre negros e brancos, e o trabalho infantil”, elencou. “A base disso tudo é o modelo de desenvolvimento, que estamos buscando rever”.

O diretor-geral da SEI, Geraldo Reis, ressaltou a importância da parceria entre a Setre, o Dieese e demais instituições que estudam, formulam e militam no campo do mercado de trabalho, “a fim de superar os desafios postos, fortalecendo esse momento em que estamos vendo renascer um novo estado de bem-estar social, com chances para novas formas de produção, de relações de trabalho, de lazer. É inexorável o crescimento da formalização da força de trabalho, o que resulta no resgate de uma outra possibilidade já esquecida, que é a formação de um novo mercado consumidor no Brasil”, disse.

Em termos absolutos, o aumento do emprego formal na Bahia, no período avaliado (1999 a 2009), foi de 891 mil postos de trabalho, sendo o estado que mais gerou postos no Nordeste (3,2 milhões). A Bahia também supera os estados das regiões Norte e Centro-Oeste, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. “Contudo, em termos relativos, a Bahia ocupa a terceira posição na região Nordeste, atrás de Maranhão (106%), Ceará (85%) e Rio Grande do Norte (81%), ressaltou Emília Veras.

A questão de gênero foi um dos destaques do debate. “Na análise dos dados sobre a evolução da participação da mulher no mercado de trabalho formal do Brasil, é evidente a tendência ascendente, ao passar de uma participação de 39,13%, em 1999, para 41,43%, em 2009”. Este comportamento é resultado da elevação dos empregos das mulheres no nível de escolaridade Superior Completoe no nível de escolaridade Superior Incompleto. “Contudo, a tendência não se repetiu na Bahia, onde não houve evolução da participação das mulheres no mercado formal”, disse.

Em 2010, foram 139 mil novos empregos registrados na Bahia

Em 2010, o emprego na Bahia cresceu 6,98%, percentual similar ao verificado em nível nacional (+6,94%), situando-se, no entanto, abaixo do aumento ocorrido na Região Nordeste (+7,93%). Em termos absolutos, a Bahia respondeu pela geração de 139,6 mil postos de trabalho, a maior geração de empregos da Região Nordeste. Os dados assinalam uma elevação do emprego em quase todos os setores, com destaques, em termos absolutos, para os Serviços, Comércio e Construção Civil.

“Os dados por gênero revelam que, ao contrário do que se observou em nível nacional, a elevação do nível de emprego das mulheres (+5,58%) foi bastante inferior ao dos homens (+8,01%) em 2010”, enfatizou Veras. “E este aumento expressivo do emprego dos homens frente ao das mulheres decorreu do desempenho mais favorável dos homens em todos os níveis de escolaridade”, apontou. “Ressalto, porém, que, em termos absolutos, no nível Superior Completo, a geração de empregos femininos (7.999 postos) foi superior à verificada para o gênero masculino (6.054 postos)”.

Na Bahia, o aumento do rendimento real foi da ordem de 2,81%, acima da média nacional (2,57%), porém menor do que a média da Região Nordeste (3,42%). O rendimento médio em 2010 foi de R$ 1.426,11. Em todos os níveis de escolaridade observa-se que os rendimentos dos homens são superiores aos das mulheres. As informações por gênero apontam que as mulheres (3,25%) obtiveram ganhos reais superiores aos registrados para os homens (2,42%). Em termos reais, os aumentos recebidos pelas mulheres, com exceção nos níveis de Ensino Superior Completo e até o 5º ano incompleto do Ensino Fundamental, foram superiores aos dos homens.