O Indicador de Confiança do Empresariado Baiano (ICEB), que mensura as expectativas do setor produtivo baiano, permaneceu, em abril, na zona de Otimismo Moderado, ao registrar 122,4 pontos. Em relação à pontuação de março, o indicador registrou leve queda de 12,5 pontos percentuais (p.p.), ainda assim, permanecendo na zona de Otimismo Moderado pelo décimo mês consecutivo. O ICEB é calculado mensalmente pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento, e apresenta pontuação de -1.000 a 1.000 para as expectativas dos setores de atividade no estado.
Entre os setores analisados, o Agropecuário e o de Serviços e comércio melhoraram os seus indicadores, atingindo 291,7 pontos e 221,5 pontos, respectivamente, ambos permanecendo em suas respectivas zonas de Otimismo e de Otimismo Moderado. O primeiro registrou expansão de 41,7 p.p., enquanto Serviços e comércio cresceram 50,2 p.p. O destaque negativo se deu no setor Indústria, que registrou queda de 146,1 p.p. em relação ao mês imediatamente anterior, atingindo, em abril, -110,2 pontos. O setor migrou da zona Otimismo Moderado e entrou pela primeira vez na zona de Pessimismo Moderado. Esse resultado condiz com as pesquisas de sondagens realizadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Fundação Getúlio Vargas (FGV) em que ambas as instituições apontaram um certo desalento do empresariado nacional nos meses de abril e maio.
“A indústria é o setor que produz essencialmente commoditties, produtos com preço fixado no mercado internacional, sendo assim, é o setor mais sensível à apreciação da moeda doméstica”, explica Urandi Freitas, coordenador de Estatísticas da SEI. “Adicionalmente, a produção industrial sofre impactos também da política monetária contracionista implementada pelo governo, em especial, do arrocho na taxa de juros e do encarecimento do crédito. Esses eventos combinados influenciam negativamente na formação das expectativas nesse setor”, avalia.
O questionário da Pesquisa de Confiança do Empresariado Baiano, realizada pela SEI, divide-se em duas partes: a primeira é referente às variáveis econômicas (PIB, câmbio, inflação e juros), e a segunda, ao desempenho das empresas (vendas, situação financeira, emprego, capacidade produtiva, dentre outras). No mês de abril, em termos agregados, pela segunda vez desde quando iniciado o cálculo da série do ICEB, as variáveis de desempenho das empresas suplantaram as variáveis econômicas, com 130,9 pontos contra 105,5 pontos, respectivamente. No que tange às variáveis econômicas, todos os setores se retraíram, em especial, a indústria, que migrou da zona de Otimismo Moderado para zona de Pessimismo Moderado. Quanto ao desempenho das empresas, o único setor que se retraiu foi a indústria, que permaneceu pelo quinto mês consecutivo na zona de Pessimismo Moderado.
Analisando as expectativas quanto ao comportamento da inflação para os próximos 12 meses, constata-se que 64% dos entrevistados acreditam que os preços estarão se afastando da estabilidade, sendo que o indicador para esta variável, para o conjunto dos setores, revela Pessimismo Moderado, com -181,8 pontos. Seguindo a mesma tendência, as expectativas para a variável Juros encontram-se desalentadas, com indicador global atingindo a marca de -250 pontos, zona de Pessimismo Moderado. Ademais, do total dos sondados pela pesquisa de confiança, 55% esperam que a taxa de juros Selic irá variar entre 2,1 p.p. e 4 p.p. nos próximos 12 meses.
Quanto à expectativa do empresariado em relação ao comportamento do PIB nacional e do PIB estadual, em geral os setores apresentaram resultados bastante razoáveis, com indicador geral atingindo a marca de 409,1 pontos e 363,6 pontos, ambos localizados na zona de Otimismo. Aproximadamente 40% dos entrevistados acreditam que o PIB estadual cresça acima de 5% nos próximos 12 meses, ao passo que 54% crêem que o PIB nacional cresça entre 3% e 4,9% no mesmo período.
Quanto às expectativas empresariais para as vendas nos próximos 12 meses, o indicador geral atingiu 181,2 pontos, zona de Otimismo Moderado. Todavia, a expectativa em relação ao crédito vão na contramão das vendas. Percebe-se que os agentes econômicos estão receosos, com indicador geral atingindo -68,2 pontos, zona de Pessimismo Moderado. Do total dos respondentes da pesquisa de confiança, 41% esperam que o crédito esteja pouco atrativo nos próximos 12 meses.
No que diz respeito à capacidade produtiva, no geral, os setores apresentaram estado de ânimo de Otimismo Moderado, com 136,4 pontos. Quanto às expectativas em relação às exportações, os setores também apresentam estado de ânimo de Otimismo Moderado, contudo, atingindo pontuação zero. Vale ressaltar que o setor indústria apresentou os piores resultados dentre os setores pesquisados, -222,2 pontos, zona de Pessimismo Moderado.