O Indicador de Confiança do Empresariado Baiano (ICEB), índice que avalia as expectativas dos sindicatos e associações representantes do setor produtivo do estado, registrou alta de 56,7 pontos no mês de junho, em relação a maio.
O Indicador de Confiança do Empresariado Baiano (ICEB), índice que avalia as expectativas dos sindicatos e associações representantes do setor produtivo do estado, registrou alta de 56,7 pontos no mês de junho, em relação a maio. O indicador, calculado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento, atingiu 177,3 pontos e segue na zona de Otimismo Moderado. A pontuação é a maior desde outubro de 2010, revelando uma melhora nas expectativas dos empresários baianos em relação à economia nos últimos meses.
O setor de Serviços e comércio foi o principal responsável pelo desempenho do indicador no mês, com forte crescimento das expectativas para o segmento. A pontuação do setor expandiu 115,5 pontos, atingindo 304,4 pontos, migrando da zona de Otimismo Moderado para a de Otimismo. “Isso explica o crescimento do ICEB, já que os serviços e comércio têm o maior peso na economia baiana, impactando no indicador geral”, afirma o economista Urandi Freitas, coordenador de Estatística da SEI.
O setor da Agropecuária apresentou queda de 13,9 pontos, ao passo que o setor Indústria caiu 55 pontos. O primeiro caiu para 166,7 pontos e continua na zona de Otimismo Moderado. O segundo chegou aos -107,1 pontos, a pontuação mais baixa da séria, na zona de Pessimismo Moderado.
Considerando as duas componentes da pesquisa do ICEB – variáveis econômicas (PIB, câmbio, inflação e juros) e desempenho das empresas (vendas, crédito, situação financeira, emprego, capacidade produtiva, abertura de unidades) –, as primeiras continuam tendo melhores expectativas do empresariado. As variáveis econômicas apresentaram incremento de 61,2 pontos, atingindo 187,3, enquanto a segunda caiu 10,4 pontos, fechando o mês de junho com 62,9 pontos.
Com relação às variáveis econômicas, os setores Agropecuária e Serviços e comércio tiveram suas expectativas aumentadas, se encontrando nas zonas de Otimismo Moderado e Otimismo, respectivamente. Por outro lado, a Indústria piorou seu nível de confiança, contudo, mantém-se na zona de Otimismo Moderado.
Sobre as variáveis de desempenho das empresas, os setores apresentaram resultados variados. O setor Serviços e comércio deslocou-se da zona de Otimismo Moderado para a zona de Otimismo. Em contrapartida, a Agropecuária e a Indústria reduziram suas expectativas. A primeira caiu para a zona de Otimismo Moderado e a segunda segue na zona de Pessimismo Moderado. Vale ressaltar que, sobre o desempenho das empresas, a Indústria segue batendo recordes de pessimismo, atingindo, em junho, o menor valor desde que foi iniciada a pesquisa.
“Juros altos e câmbio apreciado explicam o Pessimismo Moderado da Indústria baiana. A taxa de juros elevada encarece o custo de capital das empresas. Já a valorização cambial reduz a competitividade da Indústria frente ao mercado externo”, explica o economista da SEI Urandi Freitas. “A manutenção da baixa taxa de câmbio é decorrente do influxo de capitais em dólar, uma vez que a taxa de juros no país vem tendo aumento gradual, política monetária restritiva de combate à inflação”, completa.
Avaliando as expectativas quanto ao comportamento da inflação para os próximos 12 meses, observa-se que 65% dos respondentes esperam que os preços tendam à estabilidade. O indicador para esta variável, para o conjunto de todos os setores, segue na zona Otimismo Moderado, o que significa que os agentes mantiveram a mesma expectativa do mês imediatamente anterior. Contudo, as expectativas sobre a taxa de juros se deterioraram quando comparadas ao mês de maio. O índice se deslocou da zona de Pessimismo Moderado para a de Pessimismo. Esse resultado é coerente com a decisão da última reunião do Copom de aumentar a taxa SELIC, a taxa básica de juros é utilizada como referência pelo mercado monetário.
Quanto às expectativas em relação ao comportamento do PIB nacional e do PIB estadual, de maneira todos setores apresentaram resultados bastante positivos, encontrando-se na zona de Otimismo. O PIB nacional atingiu a marca de 369,6 pontos, enquanto o PIB estadual atingiu 478,3 pontos. Aproximadamente 52% acreditam que o PIB nacional crescerá entre 3,0% e 4,9% nos próximos 12 meses. Já 35% dos entrevistados apontam crescimento do PIB baiano acima dos 5,0%.
No que concerne às expectativas das vendas nos próximos 12 meses, o indicador seguiu a tendência dos últimos meses, atingindo 217,4 pontos, zona de Otimismo Moderado. Entretanto, ao observar os resultados apurados para o crédito, percebe-se que os agentes ainda mantêm um certo nível de receio. O indicador para esta variável atingiu, em junho, -22,7 pontos e segue na zona de Pessimismo Moderado. Dentre todos os setores, a indústria apresentou os piores resultados.
No que diz respeito à expectativa sobre a saúde financeira das empresas, indicador para esta variável atingiu 152,2 pontos, zona de Otimismo Moderado. O destaque positivo se deu no setor Serviços e comércio. Outra variável com expectativas positivas foi o emprego, com 130,4 pontos, na faixa de Otimismo Moderado. Novamente os resultados do setor Serviços e Comércio divergiram dos outros setores, ingressando na zona de Otimismo. Existem expectativas positivas em relação ao aumento das vendas, criação de empregos e abertura de novas unidades.