Petroquímica

Publicado: 16/01/2008 Última atualização: 06/10/2026 às 09:26
Investir em infra-estrutura e logística é um dos passos para superar os gargalos do setor petroquímico na Bahia. Uma das ações já previstas pelo Governo visando a revitalização do segmento é a construção do Sistema BA 093, com 195 quilômetros de rodovias que irão integrar os principais Pólos Industriais do Estado – Candeias, Camaçari e CIA – com os portos de Aratu. Esta foi uma das notícias discutidas ontem (15), no lançamento da revista Bahia Análise & Dados – Petroquímica na Bahia, evento que comemorou os 30 anos do Pólo de Camaçari debatendo os desafios do segmento do petróleo na Bahia.

O encontro, realizado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan), no auditório do Hotel Mercury, reuniu secretários de Estado, representantes de indústrias, de sindicatos e especialistas. “Estamos fomentando a discussão sobre como alavancar a economia petroquímica baiana tendo em vista a tendência de reestruturação do setor em nível mundial, especialmente, em busca de novos mercados, matérias-primas mais baratas e ganho de escala”, disse na abertura o diretor geral da SEI, José Geraldo Reis.

A deteriorada condição da infra-estrutura para escoamento da produção e recebimento de matérias primas é um dos entraves atuais. De acordo com o secretário do Planejamento, Ronald Lobato, o Sistema BA 093 é uma das respostas concretas que o Governo está dando ao empresário. O projeto, previsto no planejamento estratégico, irá abranger a Região Metropolitana de Salvador (RMS), o Recôncavo Sul e o Litoral Norte, integrando 17 municípios, que representam 56,3% do PIB Estadual e 74,3% da arrecadação de impostos sobre os produtos.

Serão ampliadas e recuperadas as rodovias BA 093, BA 512, BA 524, BA 526, BA 535, BA 519, BA 522, dentre outras. Também serão investidos cerca de R$ 2,5 bilhões na construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste. “O projeto beneficia o setor em pauta com a redução do número de acidentes, do tempo de viagem, do custo de transporte e seguros e a eliminação dos pontos críticos”, explica Ronald Lobato.

Para o secretário da Fazenda, Carlos Martins, é preciso observar ainda outros gargalos. “O câmbio, a defasagem tecnológica e o acesso a crédito são problemas que precisamos resolver para alavancar novos investimentos no Pólo”, ressalta. Também “é preciso combater a baixa integração produtiva, acabar com a carga tributária em cascata e gerar condições para ampliar o porte empresarial”, complementou Oswaldo Guerra, economista da Universidade Federal da Bahia.

Para o presidente da Petroquisa (braço químico da Petrobras), José Lima de Andrade Neto, o setor precisa se reinventar. “Alguns desafios geram novas oportunidades. A pressão de órgãos ambientais é cada vez maior em todo o mundo. Precisamos interagir com o meio ambiente e a sociedade, olhando para as oportunidade no campo da biomassa, investir na produção de subprodutos de alto valor agregado, criar alianças com outras indústrias, como a Petrobras já está fazendo com as indústrias químicas”, disse.

Também estiveram presentes os secretários Rafael Amoedo (Indústria e Comércio) e Rui Costa (Relações Institucionais), além do presidente da Bahiagás, Davidson Magalhães, Manuel Carnaúba (COFIC), Jorge Lins Freire (Fieb) e o diretor Carlos Itaparica (Sindicato dos Químicos e Petroleiros do Estado da Bahia).

Petroquímica em revista

A publicação da SEI Bahia Análise & Dados – Petroquímica na Bahia analisa a situação do setor no Estado, traçando um panorama histórico e as perspectivas futuras, além de lembrar o aniversário de 30 anos do Pólo Petroquímico de Camaçari.

A publicação traz uma entrevista com o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, além da contribuição de especialistas do meio acadêmico e do meio empresarial. O presidente da Petroquisa, José Lima de Andrade Neto, colaborou com um artigo sobre a petroquímica baiana no cenário atual e suas perspectivas futuras. Pedro Wongtschowski, presidente do Grupo Ultra, discorre sobre as estratégias competitivas da indústria petroquímica. Érico Oliveira, superintendente de desenvolvimento e comunicação do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), tratou dos desafios do Pólo Petroquímico enquanto vetor do desenvolvimento regional.

O professor de Economia da UFBa, Oswaldo Guerra, escreveu sobre a nova petroquímica brasileira, e o professor Noelio Spinola, da Unifacs, apresenta um panorama histórico do setor no estado. Participaram ainda Graça Druck e Tânia Franco do CRH/ UFBa, que tratam do mundo do trabalho na petroquímica baiana, e o professor Fernando Pedrão, da Unifacs, que escreve sobre as indústrias do petróleo no mundo, colaborando com a análise de um cenário mais amplo.

A revista está disponível para download gratuito no endereço eletrônico www.sei.ba.gov.br/publicacoes.