15/06/2008
Nos corredores da sede da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), em Salvador, a expectativa é grande. O fôlego internacional para o consumo de minerais metálicos como ouro, ferro, cobre e níquel traz perspectivas animadoras para a empresa, vinculada à Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM). A estratégia da companhia é o enobrecimento da pauta da mineração do Estado, com a maior representatividade dos itens metálicos, tendo em vista o potencial baiano no setor, e o aquecimento da demanda externa.
A tendência é a de que a CBPM alce vôos mais altos, e, inclusive, abra capital em bolsa de valores, a fim de tornar-se mais competitiva.
O presidente da Companhia, Nílton Silva Filho, diz que o projeto encontra-se em estado “embrionário", e que técnicos da empresa fazem estudos para tanto.
Os planos ainda incluem outras frentes de modernização da autarquia, como a elaboração de um novo plano de cargos e salários para os empregados, em versão compatível com o praticado no setor privado. “A nossa expectativa é impedir uma ‘fuga de cérebros’”, observa Silva Filho, com a percepção da alta demanda do mercado para geólogos e engenheiros de minas experientes.
A CBPM tem sido agressiva no lançamento de novos editais de exploração mineral. Após nove concorrências públicas, lançadas no primeiro trimestre, na próxima terça-feira, a empresa lança mais 16 editais para exploração comercial de minérios em diversas regiões do território baiano. Um recorde. Afinal, são 25 concorrências públicas lançadas em menos de um semestre.
Nada comparável ocorreu ao longo dos 35 anos da companhia.
As áreas-alvo dos editais foram antecipadas para A TARDE. Um dos itens mais ambicionados pelos investidores são as jazidas de alto teor de ferro, localizadas no norte do Estado, estimadas em 15 milhões de toneladas. As reservas estão distribuídas entre os territórios dos municípios de Sento Sé, Casa Nova, Remanso, Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes. Além de ferro, a região é rica em minérios como ouro, chumbo, magnesita, além de pedras gemológicas, insumos que podem atender às indústrias de vidro, cerâmica, ou mesmo a confecção de jóias.
Atualmente, estão instaladas no Estado pelo menos 330 empresas de mineração, em 100 municípios, com uma produção que gera cerca de R$ 1,64 bilhão, o equivalente a 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) baiano, de acordo com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). A meta da companhia é duplicar a participação mineral na economia estadual, nos próximos dois anos.
ESTRANGEIROS Os principais interessados nas riquezas do solo baiano são investidores estrangeiros.
Companhias de países diversos como China, Índia ou mesmo Cazaquistão aportam no Estado, ávidas para a exploração mineral, um dos combustíveis do aquecimento da economia mundial nos últimos anos.
Os estrangeiros vêm em busca de minerais como ferro, insumo básico de setores como construção civil e siderurgia, além do níquel, que, por sua vez, tem aplicação em áreas como robótica, cunhagem de moedas, ou até mesmo na produção de óleos vegetais, usado como catalisador de processos.
Neste sentido, a chegada do investidor estrangeiro não deve suscitar qualquer sentimento de xenofobia. Ao contrário. Apenas a MirabelaMineração, subsidiária da australiana Mirabela Nickel S/A, empreende plano de investimentos de pelo menos R$ 700 milhões para a exploração de níquel em Itagibá, a 370 km de Salvador. O gerente-geral da mineradora, Paulo Oliva, afirma que a perspectiva é extrair pelo menos 150 mil toneladas anuais de concentrado de níquel no município, a partir de junho do próximo ano.
No momento, o projeto está em fase de implantação, com a geração de aproximadamente 1,5 mil empregos, entre diretos e indiretos. Quando do período de operação, a previsão é que sejam gerados ao menos 500 empregos diretos. A jazida de Itagibá possui cerca de 90 milhões de toneladas do minério, o que daria uma vida útil de pelo menos 20 anos à atividade extrativa na região. Apenas com o projeto da Mirabela, a CBPM arrecadará em royalties R$ 8 milhões ao ano, além da geração de impostos estaduais e municipais. Outra fronteira de exploração mineral é a extração de ouro na mina de Maria Preta, no município de Santa Luz, área adquirida pela canadense Yamana Desenvolvimento Mineral. O grupo Yamana deve gerar anualmente cerca de US$ 2 milhões em royalties. Já em Vitória da Conquista, a 509 km de Salvador, a Companhia Brasileira de Bentonita (CBB) investiu cerca de R$ 22 milhões para a produção de bentonita.
A tendência é a de que a CBPM alce vôos mais altos, e, inclusive, abra capital em bolsa de valores, a fim de tornar-se mais competitiva.
O presidente da Companhia, Nílton Silva Filho, diz que o projeto encontra-se em estado “embrionário", e que técnicos da empresa fazem estudos para tanto.
Os planos ainda incluem outras frentes de modernização da autarquia, como a elaboração de um novo plano de cargos e salários para os empregados, em versão compatível com o praticado no setor privado. “A nossa expectativa é impedir uma ‘fuga de cérebros’”, observa Silva Filho, com a percepção da alta demanda do mercado para geólogos e engenheiros de minas experientes.
A CBPM tem sido agressiva no lançamento de novos editais de exploração mineral. Após nove concorrências públicas, lançadas no primeiro trimestre, na próxima terça-feira, a empresa lança mais 16 editais para exploração comercial de minérios em diversas regiões do território baiano. Um recorde. Afinal, são 25 concorrências públicas lançadas em menos de um semestre.
Nada comparável ocorreu ao longo dos 35 anos da companhia.
As áreas-alvo dos editais foram antecipadas para A TARDE. Um dos itens mais ambicionados pelos investidores são as jazidas de alto teor de ferro, localizadas no norte do Estado, estimadas em 15 milhões de toneladas. As reservas estão distribuídas entre os territórios dos municípios de Sento Sé, Casa Nova, Remanso, Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes. Além de ferro, a região é rica em minérios como ouro, chumbo, magnesita, além de pedras gemológicas, insumos que podem atender às indústrias de vidro, cerâmica, ou mesmo a confecção de jóias.
Atualmente, estão instaladas no Estado pelo menos 330 empresas de mineração, em 100 municípios, com uma produção que gera cerca de R$ 1,64 bilhão, o equivalente a 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) baiano, de acordo com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). A meta da companhia é duplicar a participação mineral na economia estadual, nos próximos dois anos.
ESTRANGEIROS Os principais interessados nas riquezas do solo baiano são investidores estrangeiros.
Companhias de países diversos como China, Índia ou mesmo Cazaquistão aportam no Estado, ávidas para a exploração mineral, um dos combustíveis do aquecimento da economia mundial nos últimos anos.
Os estrangeiros vêm em busca de minerais como ferro, insumo básico de setores como construção civil e siderurgia, além do níquel, que, por sua vez, tem aplicação em áreas como robótica, cunhagem de moedas, ou até mesmo na produção de óleos vegetais, usado como catalisador de processos.
Neste sentido, a chegada do investidor estrangeiro não deve suscitar qualquer sentimento de xenofobia. Ao contrário. Apenas a MirabelaMineração, subsidiária da australiana Mirabela Nickel S/A, empreende plano de investimentos de pelo menos R$ 700 milhões para a exploração de níquel em Itagibá, a 370 km de Salvador. O gerente-geral da mineradora, Paulo Oliva, afirma que a perspectiva é extrair pelo menos 150 mil toneladas anuais de concentrado de níquel no município, a partir de junho do próximo ano.
No momento, o projeto está em fase de implantação, com a geração de aproximadamente 1,5 mil empregos, entre diretos e indiretos. Quando do período de operação, a previsão é que sejam gerados ao menos 500 empregos diretos. A jazida de Itagibá possui cerca de 90 milhões de toneladas do minério, o que daria uma vida útil de pelo menos 20 anos à atividade extrativa na região. Apenas com o projeto da Mirabela, a CBPM arrecadará em royalties R$ 8 milhões ao ano, além da geração de impostos estaduais e municipais. Outra fronteira de exploração mineral é a extração de ouro na mina de Maria Preta, no município de Santa Luz, área adquirida pela canadense Yamana Desenvolvimento Mineral. O grupo Yamana deve gerar anualmente cerca de US$ 2 milhões em royalties. Já em Vitória da Conquista, a 509 km de Salvador, a Companhia Brasileira de Bentonita (CBB) investiu cerca de R$ 22 milhões para a produção de bentonita.