Panorama social da Bahia com base na PNAD 2007

Publicado: 20/10/2008 Última atualização: 06/10/2026 às 09:56
A Bahia mantém a posição de estado mais populoso do Nordeste, com cerca de 14,1 milhões de habitantes no ano de 2007, isto é, 27% da população nordestina, sendo o quarto mais populoso do país, abrigando 7,4% dos brasileiros. Estes dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgadas em parceria com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia, autarquia da Secretaria de Planejamento.

Conforme as informações prestadas pelos residentes em relação à cor ou raça, cerca de 62,9% da população baiana era composta por pardos, 20,8% de brancos, 15,7% de pretos, 0,6% de amarelos e indígenas. Assim, a Bahia se configura como o estado com a maior proporção de pretos e pardos do país, de 78,6%.

Tratando-se da distribuição espacial da população, as áreas urbanas abrigavam 9,56 milhões de pessoas, o que significa um grau de urbanização de 67,8%. Portanto, ainda é expressivo o número de pessoas vivendo em áreas rurais, cerca de 4,55 milhões de pessoas. Este quantitativo é superior ao total de residentes campesinos da região Norte e cerca de 2,5 vezes maior ao do Centro-Oeste do país. Desta forma, a Bahia abrigar o maior contingente de população rural do Brasil.

Estrutura da População por Sexo e Idade e o Processo de Envelhecimento

Acerca da composição por sexo, existe um predomínio de população feminina na Bahia (171 mil pessoas a mais), já que o contingente de 7,14 milhões de mulheres representa 50,6% do total, ao passo em que o masculino era de 6,97 milhões (49,4%).

No que se refere à estrutura etária, a tendência de envelhecimento da população assume, cada vez mais, visibilidade. A idade mediana da população do estado aumentou 5,5 anos num intervalo de 15 anos. Em 1991, a idade que dividia a população em dois segmentos iguais era de 18,5 anos, sendo que em 2007 já alcançava 24,2 anos. Os fatores determinantes do processo de envelhecimento populacional na Bahia são a queda da fecundidade e o aumento da expectativa de vida.

Em 2007, a população baiana com mais de 60 anos (os idosos) já alcançava 1,4 milhão de pessoas e correspondia a 9,9% do total. É importante destacar que entre a população idosa, há um amplo predomínio de mulheres por conta do significativo diferencial de longevidade feminina (6,6 anos a mais). Em 2007, a população idosa era composta por 764 mil mulheres (54,6%) e 636 mil homens (45,4%). Em relação a população jovem, aproximadamente, 28,3% da população baiana é formada por adolescentes e jovens entre 15 e 29 anos de idade, cerca de 3,98 milhões de pessoas.

O conjunto das significativas transformações demográficas na estrutura etária da população traz grandes desafios e oportunidades, demandando re-direcionamento das políticas sociais e na oferta de bens e serviços.

Analfabetismo e Freqüência à Escola

Na área educacional, a PNAD 2007 aponta que a taxa de analfabetismo da população baiana de 10 anos ou mais de idade era de 16,8%, mantendo-se estável em relação à taxa observada em 2006. Entretanto, vale ressaltar que entre 2006 e 2007 o número de pessoas alfabetizadas aumentou em 167 mil.

Tratando-se da freqüência à escola, a PNAD demonstra o crescimento da freqüência à escola entre as crianças de 4 ou 5 anos. Em 2007, o percentual foi de 73,3%, representando 3,3 pontos percentuais acima do resultado de 2006, que foi de 70,0%. A taxa de escolarização[1] das crianças de 7 a 14 anos apresentou relativa estabilidade – 97,3% em 2006 e 97,1% em 2007 – ao passo em que cresceu significativamente entre os adolescentes de 15 a 17 anos, ao passar de 78,9% em 2006 para 83,1% em 2007.

Mercado de Trabalho

Segundo a PNAD 2007, a População Economicamente Ativa (PEA) de 10 anos ou mais de idade da Bahia perfazia cerca de 7,15 milhões, sendo 4,78 milhões residentes em áreas urbanas (66,8% do total) e 2,37 milhões em áreas rurais (33,2%).

Frente ao contingente de 7,15 milhões da PEA, 6,49 milhões pessoas estavam trabalhando e 660 mil estavam desocupadas. A taxa de desocupação em 2007 era, portanto, de 9,2% e se manteve estável em comparação ao ano de 2006, mantendo-se superior ao do conjunto do país (8,2%). Vale ressaltar que entre 2006 e 2007, apesar da estabilidade da taxa de desocupação, o número de pessoas ocupadas cresceu em 49 mil. Entretanto, não foi suficiente para absorver o incremento da PEA ocorrido durante o mesmo período, que foi de 56 mil pessoas. Segundo José Ribeiro, Diretor de Pesquisas da SEI, “É importante enfatizar que num contexto de crescimento econômico aumenta a procura por trabalho, na medida em que os trabalhadores se sentem mais estimulados e encorajados a se inserirem no mercado, sobretudo aqueles que estavam desalentados”.

Tratando-se da distribuição dos trabalhadores baianos por setor de atividade econômica em 2007, a atividade agropecuária absorvia 35,2% dos ocupados e os serviços 35,7%. O comércio e reparação 15,0%, enquanto que a indústria respondia por 7,6% e a construção por 6,2% do total de trabalhadores.  Apesar de só responder por 8,0% do PIB estadual em 2007, a agropecuária é uma atividade muito importante já que absorve mais de um terço da ocupação no estado, o correspondente a 2,28 milhões de trabalhadores.

A proporção de trabalhadores com carteira de trabalho assinada, na estrutura ocupacional, aumenta de 19,8% em 2006 para 20,3% em 2007. Por conta do aumento da formalização das relações de trabalho, a proporção de trabalhadores baianos que contribuem para a previdência cresce de 31,5% em 2006 para 32,2% em 2007.

O combate ao trabalho infantil ainda representa um grande desafio. Apesar da relativa estabilidade da taxa de atividade observada entre 2006 e 2007, de 14,2% para 14,1%, cerca de 201 mil crianças baianas de 10 a 14 anos de idade ainda participavam do mercado de trabalho no ano de 2007.

Acesso a Serviços

A proporção de domicílios baianos que contam com serviço de energia elétrica cresceu de 92,8% em 2006 para 94,6% no ano de 2007. O percentual de domicílios atendidos por rede geral de abastecimento de água apresentou um leve declínio ao passar de 76,9% em 2006 para 76,3% em 2007.

Tratando-se do esgotamento sanitário, entre 2006 e 2007 aumenta de 40,6% para 42,7% a proporção de domicílios ligados à rede coletora. Considerando-se conjuntamente rede coletora e fossa séptica a evolução é ainda mais expressiva: de 52,1% para 60,3%. Cresce também o percentual de domicílios com coleta de lixo: de 72,5% em 2006 para 73,4% em 2007.

A telefonia apresentou uma expansão considerável, já que a proporção de domicílios que conta com esse serviço evoluiu de 50,1% para 56,2% entre 2006 e 2007.

Posse de Bens Duráveis

A presença dos principais bens duráveis nos domicílios baianos apresentou expansão entre 2006 e 2007:
 
  • Televisão – de 84,5% para 87,9%
  • Geladeira – de 70,4% para 73,9%
  • Fogão – de 95,0% para 95,7%
  • Máquina de lavar roupa – de 11,6% para 12,4%
  • Microcomputador – de 10,6% para 13,8%
  • Microcomputador com acesso a Internet – de 7,5% para 10,2%
De acordo com Ribeiro, “O conjunto das informações trazidas pela PNAD 2007 demonstram uma melhoria generalizada das condições de vida da população baiana, seguindo a tendência nacional”.