19/11/2008
Quando seu Manoel Calixto começou a trabalhar, lá nos idos de 1930, a cidade de Salvador mal chegava ao bairro de Amaralina. Toda aquela região era formada por uma fazenda, onde a limpeza das cocheiras e dos cavalos lhe rendia 20 mil contos de réis. “Era muito dinheiro para um menino de 9 anos”, relembra. Hoje, aos 86 anos, Manoel Calixto do Espírito Santo vende água de coco bem em frente ao Largo de Amaralina, no lugar onde sempre morou. Apesar da aposentadoria compulsória, nem pensa em parar de trabalhar: “Só tive carteira assinada durante os cinco anos que trabalhei na construção civil, mas não reclamo. Criei meus seis filhos e, enquanto puder andar, estarei aqui”.
A história de seu Calixto ilustra bem a situação dos negros no mercado de trabalho. Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Salvador (PED/RMS), uma iniciativa do governo do Estado da Bahia que envolve as secretarias do Planejamento, Trabalho, Dieese , Ufba e a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), o negro entra mais cedo no mercado de trabalho e sai muito mais tarde que os não-negros. A pesquisa vai mais longe. Em 2007, a população economicamente ativa negra somava 1.574 milhão de pessoas, porém, 356 mil delas engrossam os contingentes de desempregados.
“Trabalhei nove anos numa metalúrgica no Portoseco Pirajá. Quando perdi o emprego, na época de Fernando Collor, rodei o CIA, o Pólo, Comércio e nunca achei vaga. Saí com uma mão na frente e a outra atrás”, comenta Fernando Azevedo Maia, 40 anos, que há 10 anos vende lanches e salgados nas ruas de Salvador. Apesar de ter o segundo grau completo, Fernando considera um sonho poder ter um negócio fixo. “Só tive carteira carteira assinada quando trabalhei como office-boy e na metalúrgica. Hoje, meu trabalho é informal, pois não consigo me cadastrar na prefeitura como vendedor ambulante. É andando de bicicleta que eu consigo pagar as minhas contas”, conta.
Gênero – Para a coordenadora da pesquisa pelo Dieese, Ana Margaret Simões, o mercado de trabalho em Salvador, além de ser claramente racista, é marcado pelo preconceito de gênero. “Pior que ser negro, neste mercado de trabalho, é ser negra. A mulher negra é a maior vítima. Vinte por cento das mulheres negras só encontram ocupação no emprego doméstico.
A história de seu Calixto ilustra bem a situação dos negros no mercado de trabalho. Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Salvador (PED/RMS), uma iniciativa do governo do Estado da Bahia que envolve as secretarias do Planejamento, Trabalho, Dieese , Ufba e a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), o negro entra mais cedo no mercado de trabalho e sai muito mais tarde que os não-negros. A pesquisa vai mais longe. Em 2007, a população economicamente ativa negra somava 1.574 milhão de pessoas, porém, 356 mil delas engrossam os contingentes de desempregados.
“Trabalhei nove anos numa metalúrgica no Portoseco Pirajá. Quando perdi o emprego, na época de Fernando Collor, rodei o CIA, o Pólo, Comércio e nunca achei vaga. Saí com uma mão na frente e a outra atrás”, comenta Fernando Azevedo Maia, 40 anos, que há 10 anos vende lanches e salgados nas ruas de Salvador. Apesar de ter o segundo grau completo, Fernando considera um sonho poder ter um negócio fixo. “Só tive carteira carteira assinada quando trabalhei como office-boy e na metalúrgica. Hoje, meu trabalho é informal, pois não consigo me cadastrar na prefeitura como vendedor ambulante. É andando de bicicleta que eu consigo pagar as minhas contas”, conta.
Gênero – Para a coordenadora da pesquisa pelo Dieese, Ana Margaret Simões, o mercado de trabalho em Salvador, além de ser claramente racista, é marcado pelo preconceito de gênero. “Pior que ser negro, neste mercado de trabalho, é ser negra. A mulher negra é a maior vítima. Vinte por cento das mulheres negras só encontram ocupação no emprego doméstico.