Publicado: 27/01/2009
Última atualização: 06/10/2026 às 09:27
Projeto terá resultados ao longo de dois anos, com impactos em setores estratégicos.
A SEI assinou ontem (26), no auditório da Seplan, um contrato de R$ 16 milhões com a empresa Engemap (Engenharia Mapeamento e Aerolevantamento Ltda) para adquirir produtos para o projeto de atualização da base cartográfica do estado. A solenidade teve tom de marca histórica, pelo desafio de destaque nacional que é o de mapear um território tão extenso quanto o do estado da Bahia.
Ao receber os produtos que estão sendo contratados, a Bahia será o primeiro estado do país a contar com uma base cartográfica atualizada, de alta resolução e com cobertura para todo o território. A base existente para o estado está defasada em cerca de 30 anos.
Esta é a segunda contratação realizada para a nova cartografia baiana. O contrato de serviço inclui o modelo digital de surperfície (MDS), que traz a representação em 3D do terreno, ortoimagens, que é a sobreposição do MDS com as imagens de satélite, e as curvas de nível, que revelam a altimetria. Tais componentes são essenciais para a construção de mapas cartográficos com precisão.
Os primeiros produtos licitados para o projeto, contratados em dezembro de 2008 e já em processo de execução pela empresa Imagem Geossistemas e Comércio Ltda, foram as imagens de satélite de alta resolução (2,5 m), recobrindo toda a Bahia. As duas empresas contratadas entregarão os produtos por lotes, ao longo de dois anos, iniciando pelo Oeste baiano, depois Semiárido, Extremo Sul e Litoral, dando conta de todo o Estado. O investimento até o momento é em torno de R$ 20 milhões.
O ato de assinatura foi definido como um momento de “mudança no legado do mapeamento brasileiro” pelo diretor executivo da Engemap, César Antonio Francisco. “A Bahia dá um passo importantíssimo, que serve de exemplo ao Brasil, que possui enorme atraso em termos de conhecimento e mapeamento de seu território. Convivemos com um enorme vazio cartográfico. Para se ter uma idéia, apenas 1% do território brasileiro, aproximadamente, possui mapas na escala 1:25.000, iguais aos que também serão produzidos nesse projeto”, disse o executivo.
O diretor geral da SEI, José Geraldo Reis, reconheceu o momento como uma “revolução silenciosa”. “Estamos dando passos concretos para a efetivação desse projeto, que tem sido um sonho de especialistas, cartógrafos, gestores públicos e, também, da iniciativa privada”. Segundo ele, o trabalho é de fundamental importância para os diversos ramos de atividade humana, em especial para o setor público, contribuindo para o adequado gerenciamento e implantação de obras de infraestutura e logística.
Além disso, mapas são essenciais para as atividades econômicas e industriais, a proteção ambiental e o adequado planejamento territorial. Serão beneficiados, inicialmente, projetos de gestão ambiental de recursos hídricos, os setores do petróleo e gás, agronegócio, mineração e transportes, a proteção de áreas de conservação e o planejamento público das prefeituras municipais, entre outros segmentos estratégicos para o desenvolvimento.
“Essa ação de hoje repercute sobre quase toda ação que se pense no Estado”, disse o secretário do Planejamento Ronald Lobato. “Vamos avançar de forma muito mais competente e, principalmente, de forma mais econômica”. O secretário lembrou que as informações resultantes desse projeto serão disponibilizadas para toda a rede do Estado e devem ser utilizadas em grandes empreendimentos. “Não é só a cartografia. Haverá um banco de dados georreferenciado, articulado com as outras informações que a SEI está sistematizando. O passo é muito grande e muito significativo”.
Cartografia terá mais de três mil folhas topográficas
Com base em imagens digitais de alta resolução (2,5 metros), a nova cartografia contará com mais de 3 mil folhas topográficas, nas escalas de 1:25.000 para o Oeste, o Extremo Sul e o Litoral, e de 1:50.000 para o Semiárido. Está em andamento também a execução de um convênio de cooperação técnica e financeira com a Diretoria de Serviço Geográfico do Exército Brasileiro para avaliação e homologação dos produtos e resultados obtidos. Nesse processo, o corpo técnico do estado será capacitado para utilizar as diversas tecnologias. Será implantada uma nova infra-estrutura de hardware, software e comunicação de dados.
Para se ter uma idéia da evolução, a Cartografia Sistemática do Estado é bastante antiga (décadas de 50 a 70), com apenas 227 folhas topográficas, elaboradas na escala de 1:100.00. Executado por diversas instituições (DSG/Exército, IBGE, SUDENE), originalmente em meio analógico e digitalizadas recentemente pela SEI em parceria com a antiga SRH (Secretaria de Recursos Hídricos) e o IBGE, o projeto tem problemas como a desatualização das bases oficiais; a diversidade de referenciais, formatos de arquivos e precisão; a inconsistência de dados; e a inviabilidade no intercâmbio de dados e informações.
A cartografia baiana está sendo reformatada no âmbito da Comissão Estadual de Cartografia (CECAR), entidade coordenada pela SEI/Seplan e com a participação de diversos órgãos públicos, que após um levantamento das demandas e da análise do acervo constatou a urgência da construção de uma nova base cartográfica.
Cartografia passo a passo
Acompanhe os passos da SEI para atualizar a cartografia, defasada em cerca de 30 anos.
1° - Assinado (dezembro 2008) contrato em torno de R$ 4 milhões para aquisição de imagens de satélite com alta resolução (2,5m), a serem entregues no prazo de um ano e meio.
2° - Novo contrato, no valor em torno de R$ 16 milhões, para aquisição de três produtos cartográficos, a serem entregues no prazo de dois anos:
Modelo Digital de Terreno - Um modelo digital que apresenta a elevação do terreno com precisão.
Ortoimagens – Documento cartográfico que representa as feições geográficas das imagens de satélite projetadas ortogonalmente (com relevo e precisão na localização). Equivale a uma carta topográfica, o que possibilita a realização de medidas, de modo análogo às que são feitas sobre um mapa.
Curvas de nível – As alturas de toda a topografia. Para Oeste, Extremo Sul e Litoral serão entregues curvas de nível com equidistância de 10m. Para o Semiárido, as curvas de nível terão equidistância de 20m.
3º - Está em andamento a execução de um convênio de cooperação técnica e financeira com a Diretoria de Serviço Geográfico do Exército Brasileiro para avaliação e homologação dos produtos e resultados obtidos.
4º - Todo o material estará disponível em mais de 3 mil folhas topográficas, nas escalas de 1:25.000 para o Oeste, o Extremo Sul e o Litoral, e de 1:50.000 para o Semiárido.
5º - Nesse processo, o corpo técnico do estado será capacitado para utilizar as diversas tecnologias. Será implantada uma nova infra-estrutura de hardware, software e comunicação de dados.
6º - Depois que os produtos forem fiscalizados e homologados, serão distribuídos para os órgãos do estado. As diversas instituições provedoras e usuárias de dados nas três esferas de governo serão integradas e será construída uma infra-estrutura de dados espaciais para o estado da Bahia.
A SEI assinou ontem (26), no auditório da Seplan, um contrato de R$ 16 milhões com a empresa Engemap (Engenharia Mapeamento e Aerolevantamento Ltda) para adquirir produtos para o projeto de atualização da base cartográfica do estado. A solenidade teve tom de marca histórica, pelo desafio de destaque nacional que é o de mapear um território tão extenso quanto o do estado da Bahia.
Ao receber os produtos que estão sendo contratados, a Bahia será o primeiro estado do país a contar com uma base cartográfica atualizada, de alta resolução e com cobertura para todo o território. A base existente para o estado está defasada em cerca de 30 anos.
Esta é a segunda contratação realizada para a nova cartografia baiana. O contrato de serviço inclui o modelo digital de surperfície (MDS), que traz a representação em 3D do terreno, ortoimagens, que é a sobreposição do MDS com as imagens de satélite, e as curvas de nível, que revelam a altimetria. Tais componentes são essenciais para a construção de mapas cartográficos com precisão.
Os primeiros produtos licitados para o projeto, contratados em dezembro de 2008 e já em processo de execução pela empresa Imagem Geossistemas e Comércio Ltda, foram as imagens de satélite de alta resolução (2,5 m), recobrindo toda a Bahia. As duas empresas contratadas entregarão os produtos por lotes, ao longo de dois anos, iniciando pelo Oeste baiano, depois Semiárido, Extremo Sul e Litoral, dando conta de todo o Estado. O investimento até o momento é em torno de R$ 20 milhões.
O ato de assinatura foi definido como um momento de “mudança no legado do mapeamento brasileiro” pelo diretor executivo da Engemap, César Antonio Francisco. “A Bahia dá um passo importantíssimo, que serve de exemplo ao Brasil, que possui enorme atraso em termos de conhecimento e mapeamento de seu território. Convivemos com um enorme vazio cartográfico. Para se ter uma idéia, apenas 1% do território brasileiro, aproximadamente, possui mapas na escala 1:25.000, iguais aos que também serão produzidos nesse projeto”, disse o executivo.
O diretor geral da SEI, José Geraldo Reis, reconheceu o momento como uma “revolução silenciosa”. “Estamos dando passos concretos para a efetivação desse projeto, que tem sido um sonho de especialistas, cartógrafos, gestores públicos e, também, da iniciativa privada”. Segundo ele, o trabalho é de fundamental importância para os diversos ramos de atividade humana, em especial para o setor público, contribuindo para o adequado gerenciamento e implantação de obras de infraestutura e logística.
Além disso, mapas são essenciais para as atividades econômicas e industriais, a proteção ambiental e o adequado planejamento territorial. Serão beneficiados, inicialmente, projetos de gestão ambiental de recursos hídricos, os setores do petróleo e gás, agronegócio, mineração e transportes, a proteção de áreas de conservação e o planejamento público das prefeituras municipais, entre outros segmentos estratégicos para o desenvolvimento.
“Essa ação de hoje repercute sobre quase toda ação que se pense no Estado”, disse o secretário do Planejamento Ronald Lobato. “Vamos avançar de forma muito mais competente e, principalmente, de forma mais econômica”. O secretário lembrou que as informações resultantes desse projeto serão disponibilizadas para toda a rede do Estado e devem ser utilizadas em grandes empreendimentos. “Não é só a cartografia. Haverá um banco de dados georreferenciado, articulado com as outras informações que a SEI está sistematizando. O passo é muito grande e muito significativo”.
Cartografia terá mais de três mil folhas topográficas
Com base em imagens digitais de alta resolução (2,5 metros), a nova cartografia contará com mais de 3 mil folhas topográficas, nas escalas de 1:25.000 para o Oeste, o Extremo Sul e o Litoral, e de 1:50.000 para o Semiárido. Está em andamento também a execução de um convênio de cooperação técnica e financeira com a Diretoria de Serviço Geográfico do Exército Brasileiro para avaliação e homologação dos produtos e resultados obtidos. Nesse processo, o corpo técnico do estado será capacitado para utilizar as diversas tecnologias. Será implantada uma nova infra-estrutura de hardware, software e comunicação de dados.
Para se ter uma idéia da evolução, a Cartografia Sistemática do Estado é bastante antiga (décadas de 50 a 70), com apenas 227 folhas topográficas, elaboradas na escala de 1:100.00. Executado por diversas instituições (DSG/Exército, IBGE, SUDENE), originalmente em meio analógico e digitalizadas recentemente pela SEI em parceria com a antiga SRH (Secretaria de Recursos Hídricos) e o IBGE, o projeto tem problemas como a desatualização das bases oficiais; a diversidade de referenciais, formatos de arquivos e precisão; a inconsistência de dados; e a inviabilidade no intercâmbio de dados e informações.
A cartografia baiana está sendo reformatada no âmbito da Comissão Estadual de Cartografia (CECAR), entidade coordenada pela SEI/Seplan e com a participação de diversos órgãos públicos, que após um levantamento das demandas e da análise do acervo constatou a urgência da construção de uma nova base cartográfica.
Cartografia passo a passo
Acompanhe os passos da SEI para atualizar a cartografia, defasada em cerca de 30 anos.
1° - Assinado (dezembro 2008) contrato em torno de R$ 4 milhões para aquisição de imagens de satélite com alta resolução (2,5m), a serem entregues no prazo de um ano e meio.
2° - Novo contrato, no valor em torno de R$ 16 milhões, para aquisição de três produtos cartográficos, a serem entregues no prazo de dois anos:
Modelo Digital de Terreno - Um modelo digital que apresenta a elevação do terreno com precisão.
Ortoimagens – Documento cartográfico que representa as feições geográficas das imagens de satélite projetadas ortogonalmente (com relevo e precisão na localização). Equivale a uma carta topográfica, o que possibilita a realização de medidas, de modo análogo às que são feitas sobre um mapa.
Curvas de nível – As alturas de toda a topografia. Para Oeste, Extremo Sul e Litoral serão entregues curvas de nível com equidistância de 10m. Para o Semiárido, as curvas de nível terão equidistância de 20m.
3º - Está em andamento a execução de um convênio de cooperação técnica e financeira com a Diretoria de Serviço Geográfico do Exército Brasileiro para avaliação e homologação dos produtos e resultados obtidos.
4º - Todo o material estará disponível em mais de 3 mil folhas topográficas, nas escalas de 1:25.000 para o Oeste, o Extremo Sul e o Litoral, e de 1:50.000 para o Semiárido.
5º - Nesse processo, o corpo técnico do estado será capacitado para utilizar as diversas tecnologias. Será implantada uma nova infra-estrutura de hardware, software e comunicação de dados.
6º - Depois que os produtos forem fiscalizados e homologados, serão distribuídos para os órgãos do estado. As diversas instituições provedoras e usuárias de dados nas três esferas de governo serão integradas e será construída uma infra-estrutura de dados espaciais para o estado da Bahia.