Pesquisa do IBGE revela retração no melhor mês para o varejo
A turbulência financeira global atingiu em cheio as vendas do varejo baiano no fim do ano. O volume de vendas sofreu uma forte desaceleração em dezembro - principal mês do setor, por conta das compras natalinas -, em comparação com os dois meses anteriores. Enquanto em outubro e novembro o incremento foi respectivamente de 11"/a e 7% em relação aos mesmos meses de 2007, no mês retrasado foi de apenas 3,9%. O mau resultado da Bahia em dezembro foi o mesmo da média nacional.
De acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), realizada pelo IBGE e divulgada ontem pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), este foi o pior desempenho do comércio varejista baiano em dezembro desde 2002. Para o pfesitlente do Sindicato dos Lojistas da Bahia (Sindilojas), Paulo Motta, a desaceleração está diretamente relacionada à restrição do crédito, ao aumento das taxas de juros e à diminuição dos prazos para pagamentos. "Mesmo assim, conseguimos fechar o ano com um crescimento de 7,8 %" , comemora.
Para o coordenador de acompanhamento conjuntural da SEI, Luiz Mário Viera, a criselinanceira afetou o estado de confiança dos consumidores, principalmente para os bens duráveis, que normalmente têm um valor agregado maior e são financiados em cerca de 75% dos casos. "Antes, o consumidor podia comprar um carro em até 72 meses. Desde setembro, este prazo caiu para 48 meses, na • maioria dos casos com entrada mínima de 20 %" , destaca Vieira.
SEGMENTOS Dos oito ramos de atividades que compõem o indicador da PMC, três apresentaram variações negativas em dezembro.
As principais quedas foram nos setores de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, que registrou retração de 27,1% comparado com dezembro de 2007; tecidos, vestuário e calçados, com decréscimo de 8,6%; e móveis e eletrodomésticos, com recuo de 1,7%.
Em contrapartida, as maiores expansões foram dos segmentos que não são influenciados pelo crédito e pelos juros,-como livros, jornais, revistas e papelaria (23,6%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (18,5%).