Menos 15 mil postos de trabalho na RMS

02/02/2009

Jornal A Tarde - Economia, 29 de Janeiro de 2009

MERCADO: Apesar da perda de vagas em dezembro, o desemprego recuou, passando de 19,9%, em novembro, para 19,8%, no último mês de 2008

O mercado de trabalho da Região Metropolitana de Salvador (RMS) encolheu em dezembro.

De acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), 15 mil ocupações desapareceram em 30 dias e o total de postos de trabalho caiu para 1,470 milhão.

Além da perda de vagas, a pesquisa mostra que a falta de expectativas levou 21 mil pessoas a desistirem de procurar emprego em dezembro. A redução na população economicamente ativa (PEA) é apontada como um efeito dos tempos de crise.

Apesar da perda de postos de trabalho, em termos percentuais, o desemprego caiu. Era de 19,9% em novembro e 19,8% em dezembro, o menor índice já verificado no período, desde o início da pesquisa, em 1996. A explicação é que a PEA serve como base para o cálculo e como a mesma diminuiu, a pressão foi menor.

“Em momentos de crise, acaba havendo um certo desânimo”, explica a coordenadora da pesquisa no Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Ana Margareth Simões.

Segundo ela, os números demonstram a relação entre a geração de emprego e o desempenho da economia. A indústria, um dos primeiros setores a sentir os efeitos da turbulência econômica, perdeu três mil vagas entre um mês e outro, equivalente a 2,3% da capacidade. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a perda foi de oito mil empregos. Pior, só o setor de serviços, onde desapareceram 24 mil ocupações em um mês.

Os resultados positivos ficaram por conta do comércio, que gerou 12 mil novas vagas no período das festas do final de ano.

Percentualmente, o crescimento foi de 5,4%. Outro setor que apresentou ritmo positivo foi a construção civil, que no último mês aumentou em 4 mil o número de postos de trabalho.

O contrato do técnico em logística Marcus Vinícius Conceição, que trabalha na área de almoxarife, terminou em setembro com uma empresa que prestava serviço à Refinaria Landulpho Alves. Estava com um emprego “quase certo” no Polo, mas a expansão da empresa onde iria trabalhar acabou adiada por conta do cenário internacional.

“Não deu certo lá e em todo lugar que vou, a desculpa é a crise”. No comércio, até encontrou oportunidades, mas preferiu se manter na área industrial. “Tenho apenas 21 anos e vou correr atrás”, diz.

Mais sorte teve Arlênio S.

Duarte, 28, que trabalhava há três anos como auxiliar de manutenção na Bomber, produtora de alto-falantes em Mata de São João. Ganhava R$ 631 por mês.

Foi demitido em dezembro de 2008. A justificativa? “Reflexo da crise”. Acaba de conseguir um trabalho como auxiliar de produção numa fábrica de solas de sapato em Vitória da Conquista.

ANO DE 2008 – Os resultados da PED são mais uma demonstração de que 2008 deve deixar saudades em relação ao ritmo da atividade econômica. Nem a redução nos últimos três meses do ano foram capazes de reverter a tendência de queda no desemprego anual pela quinta vez seguida.

No início de 2008, o aumento do poder de consumo das famílias e a estabilidade econômica garantiram o crescimento do PIB em 5,5%, que impulsionou a queda do desemprego de 20,3 para 19,8%.

Em relação aos rendimentos, houve um aumento de 9,3%, que elevou a renda média na RMS para R$ 950. “Esta foi a maior variação registrada em todas as regiões pesquisadas”, destaca o analista da pesquisa pela Superintendência de Estudos Econômicos da Bahia (SEI), Luiz Chateaubr iand.

No Brasil, em todo o ano de 2008 foram gerados 804 mil novos postos de trabalho.

As vagas atenderam a 613 mil pessoas que entraram no mercado de trabalho e ajudaram a empregar 190 mil desempregados.

Pesquisas divergem em metodologia

Apesar de medirem os mesmos fenômenos, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE guardam diferenças metodológicas e de abrangência geográfica, que explicam os resultados distintos em dezembro.

O Caged registra todas as admissões e todos os desligamentos realizados pelas empresas de todo o País. Considera só empregos formais. O levantamento do IBGE é domiciliar – o informante é o morador de uma residência presente numa amostra do universo a ser pesquisado. É realizado apenas nas seis maiores regiões metropolitanas brasileiras: São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife, onde se concentram 25% dos ocupados do País. Para Cimar Pereira, gerente do IBGE, o Caged antecipa as tendências, pois fecha no último dia do mês, quando ocorrem demissões.

Já a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) é realizada por amostra de domicílios em seis regiões metropolitanas. Diferente da PME, não pesquisa a situação do emprego no Rio de Janeiro, que é substituído pelo Distrito Federal. A pesquisa considera na População em Idade Ativa (PIA) pessoas entre 10 e 14, abaixo da idade mínima para o trabalho no Brasil.