Desemprego cai, mas atinge. 363 mil na RMS

03/02/2009

Correio da Bahia - Economia, 29 de Janeiro de 2009

Pesquisa realizada pela SEI e Dieese aponta menor taxa desde 1997

A Pesquisa dc Emprego e Desemprego (PED) da região metropolitana de Salvador, divulgada ontem pelo Dieese e pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), apontou a redu ção na laxa, anual de desemprego em 2008 na RMS. Segundo amostragem, o índice chegou ao fim do ano em 19,8% da População Econo micamente Ativa (PRA), contra 20,3% registrados em dezembro de 2007. Em números absolutos, passou de 375 mil para um contigente de 363 mil desempregados. Essa é a menor taxa desde 1997, quando a pesquisa começou a ser realizada. Mas a região metropolitana continua com a liderança nacional do ranking do desemprego.

O economista Luiz Chateaubriand, especialista em mercado de trabalho e res ponsável pela PED, chama a atenção para a redução do nú mero de desempregados (12 mil pessoas). "No entanto, devido à saída de 16 mil pessoas da População Economicamente Ativa". Nesse quesito, apenas o setor de serviços cresceu no número de ocupações (16 mil), em detrimento da queda no comércio (dez mil postos), indústria (oito mil) e outros setores (dois mil), que inclui a construção civil.

COMPARATIVO

Ao tornar como base a media anual de desemprego, a pesquisa mostra que a taxa passou de 21,7% da população economicamente ativa para 20,3%.

Segundo o economista Luiz Chateaubriand, a diminuição de 6,5% na taxa média anual resultou da geração de 39 mil novas vagas e do i ngresso de 17 mil pessoas no mercado de trabalho. Os principais setores que impuLsionaram essa queda - foram a construção civil (9%, o que corresponde a sete mil novas vagas) e servi ços (4,6%, o que representa um universo de 39 mil contratacões). Os serviços domésticos e o comércio retraíram 3,2% e 2,1%, respectivamente, enquanto a indústria se manteve estável.

CAPITAIS

A taxa média de desemprego nas principais regiões metropolitanas - Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo - ficou em 14,1% no ano, ante 15,5% em 2007. (ver tabela abaixo). No mês passado, o contingente de desempregados foi estimado em 2,812 milhões de pessoas, 190 mil a menos do que em 2007. lá o número de ocupados foi calculado em 17,150 milhões, e a PEA em cerca de 19,962 milhões. Em 2008, foram gerados 804 mil postos de trabalho, número suficiente para absorver o conjunto de pes soas que entraram no merca ao de trabalho (613 mil).

QUALIFICAÇÃO

Dois pilares são considerados importantes para entrada ou relocação no mercado de trabalho. O desempregado Fábio Mota, 24 anos, está desde o início de 2008 procurando emprego. Ele trabalhava como garçom, mas agora está em busca de uma vaga como segurança. "Me capacitei e agora espero conseguir uma vaga como segurança". Para o desempregado Joselito Santos Cenceição, 34 anos, a busca pela qualificação é fator decisivo para conseguir emprego.

Na porta do Serviço de Intermediação de Mão-de-obra (Simm), no Comércio, a desempregada Selma Santos, 32 anos, diz que pode faltar tudo, menos a fé e a persistência. Sem trabalhar há cinco anos, ela espera ser recolocada como operadora de caixa.

Para o economista Oswaldo Guerra, esses são fatores imprescindíveis para quem está na busca por um emprego. Para ele, o cenário de crise internacional pinta um cenário muito pessimista para esse ano. "As pessoas não podem perder a esperança. No entanto, sabemos que esse será um ano difícil para o setor produtivo do país". O especialista disse ainda que as empresas serão impactadas. "O mercado interno pode ainda ter um alento, mas quem trabalha com foco no mercado externo sofrerá mais".

A economista do Dieese Ana Simões diz que o cenário atual exige cautela. "Acreditamos que as medidas adotadas pelo governo possam diminuir os impactos da crise". Como exemplo, ela citou a manutenção das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a queda da taxa de juros Selic.