Quilo de açúcar tem reajuste de 28,83%

10/03/2009

Pressionado pelos baixos estoques nas usinas, produto chega mais caro às gôndolas dos supermercados e pesa mais no bolso do baiano.

O preço do açúcar subiu 28,83% em fevereiro, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O preço médio de um quilo do produto, que era encontrado nas gôndolas por R$ 1,11, subiu para R$ 1,43, pressionado pelos baixos estoques nas usinas. Em casos isolados, o consumidor, que antes encontrava o produto até R$ 0,99, viu o preço subir para até R$ 1,69 no mesmo estabelecimento, conforme pesquisa da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Segundo Vânia Moreira, coordenadora da pesquisa, a última semana de fevereiro mostrou o aumento do produto: “Mas no mês de março é que teremos o verdadeiro impacto deste aumento no índice”.

Outro dado observado pela coordenadora é que os questionários da pesquisa estão vindo sem o preço do açúcar. “Se não tiver o pacote de um quilo, o pesquisador não coloca o preço de um pacote de dois quilos”, exemplifica.

Como o açúcar é um gênero alimentício de primeira necessidade, algumas redes estão preferindo vender apenas o pacote de dois quilos. Deste modo, as pessoas que levariam três quilos acabam levando quatro. “É opção do próprio mercado”, relata Josué Teles, vice-presidente da Associação Baiana de Supermercados (Abase). Teles acrescenta que este aumento repassado aos estabelecimentos comerciais também prejudica as vendas.

“Percebi uma redução de venda na minha rede de cerca de 20% do açúcar. O consumidor acaba retraindo mesmo a compra”, informa Teles.

Para Nádia Vieira, economista do Dieese, há uma tendência de aumento de preço até abril, já que a produção na Índia caiu e a exportação do Brasil, consequentemente, aumentou. “A oferta interna se reduziu bastante”.

Durante o mês de fevereiro, um adulto que consuma três quilos de açúcar gastaria R$ 4,29, segundo o Dieese. Para a economista, este ainda é um valor pequeno na cesta. Mas ela lembra que como o açúcar é um alimento importante na dieta das pessoas, o gasto vai variar de acordo com o consumo de cada família.

Para Selma Magnavita, presidente do Movimento das Donasde-casa, a dica é reduzir mesmo o consumo, já que o açúcar é um alimento de difícil substituição.

“É evitar o desperdício.

E tentar comprar do açúcar mais grosso, que inclusive é mais saudável”, orienta Selma.

O baixo nível de estoque nas usinas é a explicação para a valorização na cotação do açúcar cristal branco. Segundo a pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq-USP, Mariana Pessini, as usinas “queimaram” estoques reservados para o período de entressafra, no fim do ano passado, para evitar possíveis prejuízos por conta do cenário de crise que se desenhava.

“Desde janeiro tem havido uma forte demanda nos mercados internos e externos”, diz, explicando ser esta pressão o motivo para a alta no preço do produto.

A tendência de alta permanece neste início de mês, segundo Mariana Pessini. “O setor antecipou a safra (que normalmente começa em abril) para o início de março porque as características são as de que o mercado tem tudo para ficar bom, mas o cenário é muito dinâmico”, diz.