Publicado: 06/03/2009
Última atualização: 06/10/2026 às 09:27
Os impactos da crise financeira internacional sobre o Brasil e a Bahia são inegáveis. Mas, há que se ter cuidado com o diagnóstico das incidências da crise nos diferentes setores econômicos e na sua distribuição espacial.
O pessimismo decorrente dos efeitos psicológicos da crise tem influenciado as leituras da imprensa sobre a realidade. Talvez, na expectativa de que os indicadores refletissem de imediato e com maior intensidade os efeitos da turbulência no estado, análises divulgadas incorreram em equívocos, como na matéria “45 mil baianos desistem de procurar trabalho”, do dia 27 de fevereiro, e no editorial “Desalento oculto”, de 1º de março, do jornal A Tarde.
A Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Salvador (PED/ RMS), divulgada no dia 26 de fevereiro, registrou queda do índice de desemprego de 19,8%, em dezembro de 2008, para 19,4%, em janeiro. Apesar do índice ainda ser alto e da relativa estabilidade, o resultado é considerado positivo diante da atual conjuntura, principalmente se comparado com as demais regiões metropolitanas, dentre as quais Salvador foi a única que registrou queda no desemprego.
Diferente do que foi publicado no editorial, de outubro a janeiro – período do agravamento da crise financeira mundial –, a taxa de desemprego na RMS não cresceu 87%, e sim teve uma retração de 4,9%. Há que se ressaltar ainda equívocos no emprego de conceitos da pesquisa. O desemprego oculto por desalento é composto por pessoas que deixaram de procurar trabalho temporariamente, mas, de forma alguma, deixaram de fazer parte da População Economicamente Ativa (PEA). Elas ainda pressionam o mercado de trabalho. Aumentando o desemprego oculto por desalento, aumenta, conseqüentemente, o índice geral de desemprego. Ao contrário do que foi publicado, o aumento do desalento em 4,7% não pode ser fator de redução do índice de desemprego, pois afeta justamente no sentido oposto.
Os fatores que contribuíram para a redução da taxa de desempregados foram a saída de 8 mil pessoas da PEA (-0,4%) e a geração de novos mil postos de trabalho.
O mesmo equívoco ocorreu na matéria “45 mil baianos desistem de procurar trabalho”. Este contingente compõe os desempregados ocultos por desalento, que cresceram, de outubro a janeiro, 21,6% e não os 87,5% divulgados.
Os resultados dos indicadores econômicos e sociais ainda não permitem afirmações categóricas quanto aos efeitos da crise na Bahia, dado que, nem todos convergem para desempenhos negativos. Setores como o comércio, influenciado pelo consumo das famílias, ainda mantém-se com resultados positivos. Já a indústria apresenta sinais de retração, dado seu perfil e interdependência com os mercados interno e externo. As estatísticas sobre a Bahia, até o momento, não credenciam a análises alarmistas, exigindo cautela, principalmente dos formadores de opinião.
Geraldo Reis – Diretor Geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).
O pessimismo decorrente dos efeitos psicológicos da crise tem influenciado as leituras da imprensa sobre a realidade. Talvez, na expectativa de que os indicadores refletissem de imediato e com maior intensidade os efeitos da turbulência no estado, análises divulgadas incorreram em equívocos, como na matéria “45 mil baianos desistem de procurar trabalho”, do dia 27 de fevereiro, e no editorial “Desalento oculto”, de 1º de março, do jornal A Tarde.
A Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Salvador (PED/ RMS), divulgada no dia 26 de fevereiro, registrou queda do índice de desemprego de 19,8%, em dezembro de 2008, para 19,4%, em janeiro. Apesar do índice ainda ser alto e da relativa estabilidade, o resultado é considerado positivo diante da atual conjuntura, principalmente se comparado com as demais regiões metropolitanas, dentre as quais Salvador foi a única que registrou queda no desemprego.
Diferente do que foi publicado no editorial, de outubro a janeiro – período do agravamento da crise financeira mundial –, a taxa de desemprego na RMS não cresceu 87%, e sim teve uma retração de 4,9%. Há que se ressaltar ainda equívocos no emprego de conceitos da pesquisa. O desemprego oculto por desalento é composto por pessoas que deixaram de procurar trabalho temporariamente, mas, de forma alguma, deixaram de fazer parte da População Economicamente Ativa (PEA). Elas ainda pressionam o mercado de trabalho. Aumentando o desemprego oculto por desalento, aumenta, conseqüentemente, o índice geral de desemprego. Ao contrário do que foi publicado, o aumento do desalento em 4,7% não pode ser fator de redução do índice de desemprego, pois afeta justamente no sentido oposto.
Os fatores que contribuíram para a redução da taxa de desempregados foram a saída de 8 mil pessoas da PEA (-0,4%) e a geração de novos mil postos de trabalho.
O mesmo equívoco ocorreu na matéria “45 mil baianos desistem de procurar trabalho”. Este contingente compõe os desempregados ocultos por desalento, que cresceram, de outubro a janeiro, 21,6% e não os 87,5% divulgados.
Os resultados dos indicadores econômicos e sociais ainda não permitem afirmações categóricas quanto aos efeitos da crise na Bahia, dado que, nem todos convergem para desempenhos negativos. Setores como o comércio, influenciado pelo consumo das famílias, ainda mantém-se com resultados positivos. Já a indústria apresenta sinais de retração, dado seu perfil e interdependência com os mercados interno e externo. As estatísticas sobre a Bahia, até o momento, não credenciam a análises alarmistas, exigindo cautela, principalmente dos formadores de opinião.
Geraldo Reis – Diretor Geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).