A produção do Estado cresceu 13,7% em fevereiro em relação a janeiro. Na comparação com fevereiro de 2008, porém, houve queda de 10%.
A produção industrial baiana exibe um número positivo que é o maior destaque da pesquisa industrial mensal que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou ontem. Em fevereiro de 2009, a indústria da Bahia, no ajuste sazonal, avançou 13,7% em relação a janeiro do mesmo ano. Foi o melhor desempenho entre os estados avaliados, maior que o da Região Nordeste (4,1%) e superior também à média nacional (1,8%). Se a comparação for com fevereiro do ano passado, houve retração de 10%, o quinto resultado negativo consecutivo.
Dois setores puxaram o bom resultado na comparação com janeiro: veículos automotores (35,9%) e alimentos e bebidas (16,6%). No entanto, dos nove segmentos pesquisados, cinco exibiram queda na produção, os mais significativos foram da metalurgia básica (-24,6%), produtos químicos (-21,8%) e refino de petróleo e produção de álcool (-7,5%). É o resultado da queda na fabricação de barras, perfis e vergalhões de cobre, e lingotes, blocos ou placas de aço ao carbono; etileno não-saturado e polietileno de baixa densidade; óleo diesel e nafta, respectivamente.
A análise do desempenho mensal na comparação com o mês anterior não é considerada na avaliação da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). “Esses dados são sazonais, portanto pode haver distorção.
A Bahia continua com números negativos na indústria”, comentou Marcos Verhine, economista da Fieb. Na reunião de dados para avaliação, a Fieb utiliza as informações do IBGE, mas faz uma separação entre setores da indústria de transformação e da indústria extrativa mineral, o que gera algumas diferenças nos resultados. São três as variações consideradas pela Fieb: o comparativo entre fevereiro de 2009 e fevereiro de 2008; o acumulado de 2009 e o acumulado dos últimos 12 meses. Em todos eles o comportamento da Bahia foi negativo: -10,1%, -14,2% e -0,9%, respectivamente, de acordo com os dados da federação.
A indústria baiana, que estava quase paralisada no final do ano passado, não mostra ainda sinais de recuperação efetivos. Enquanto a Fieb defende não levar em conta o resultado de fevereiro em comparação com janeiro por se tratar de um dado reprimido, o IBGE considera a relevância da mudança.
“O índice positivo de 13,7% deve, sim, ser considerado porque foi o melhor em todo o País e porque significa a inversão da curva que vinha decrescente.
É um dado interessante, seria ainda pior se a curva continuasse caindo”, defendeu Joilson Rodrigues, chefe do Departamento de Documentação e Disseminação de Informações do IBGE-BA.
ALENTO O governador Jaques Wagner recebeu o resultado da pesquisa do IBGE na cidade de Montes Claros, em Minas Gerais, onde participa do 10º Fórum de Governadores do Nordeste e da quinta reunião do Conselho Deliberativo da Sudene. De acordo com informações divulgadas pela Assessoria Geral de Comunicação Social do Governo (Agecom), Wagner comentou, referindose apenas ao número que mostra alta de 13,7%: “É um alento diante do momento que estamos vivendo. Sei que devemos ter atenção em relação à crise, mas também um otimismo responsável e confiança no trabalho que está sendo feito”.
Na comparação fevereiro de 2009 e fevereiro de 2008, o único Estado com alta de produção foi o Paraná (1,5%), com desempenho positivo do setor de edição e impressão. Nos outros 13 estados, houve queda. Entre eles, tiveram desempenho inferior à média nacional (-17,0%) o Espírito Santo (-29,5%), Minas Gerais (-26,0%), Amazonas (-20,8%), Rio Grande do Sul (-20,5%), Santa Catarina (-19,8%), Pernambuco (-17,5%) e São Paulo (-17,5%).
Registraram queda inferior à média nacional (-17%): Bahia (-10,0%), Pará (-10,2%), Ceará (-10,5%), Goiás (-11,1%), Região Nordeste (-12,1%) e o Rio de Janeiro (-13,2%).