Diretor de Pesquisas da SEI assume presidência do Conselho Estadual Tripartite de Trabalho e Renda

Publicado: 30/04/2009 Última atualização: 06/10/2026 às 09:56

Tomou posse hoje (30), no auditório da Secretaria do Planejamento (Seplan), o novo presidente do Conselho Estadual Tripartite e Paritário de Trabalho e Renda da Bahia (CETPTR-BA), José Ribeiro Soares Guimarães. Diretor de Pesquisas da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI/Seplan), José Ribeiro foi eleito por unanimidade entre as três bancadas do conselho (governo, empregadores e trabalhadores) e, pelo segundo mandato, irá representar a bancada do Governo por intermédio da Seplan. Participaram da cerimônia o secretário de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre), Nilton Vasconcelos Jr. e a presidente anterior do conselho, Maria das Graças Chavier.

O CETPTR foi criado há cerca de 15 anos com a finalidade de coordenar ações de geração de emprego e renda, articulando instituições e o intercâmbio de informações. Ao assumir o cargo, José Ribeiro assinalou algumas metas prioritárias no atual momento de crise, em que o desafio de enfrentar o desemprego é ainda maior. “A primeira meta é implementar o Observatório do Trabalho da Bahia, organismo fundamental para gerar insumos estratégicos para potencializar o Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda. Outras medidas serão a criação de canais de comunicação para aprofundar o diálogo entre o conselho e a sociedade, fazendo o conselho ter uma existência pública mais sólida, revitalizar as comissões municipais de emprego e aprofundar a implantação da Agenda Bahia do Trabalho Decente, a primeira no mundo de caráter subnacional e que é muito apoiada pela OIT", disse o novo presidente.

Para o secretário Nilton Vasconcelos, da pasta do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, trazer Ribeiro para a presidência do conselho foi uma forma de “trazê-lo para mais perto do mundo do trabalho e contribuir para formar uma massa crítica numa área carente de informação”. Vasconcelos citou a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) como uma fonte rica, mas ainda pouco explorada como base de análise do mercado de trabalho.

No evento, José Ribeiro apresentou um panorama sobre o comportamento do mercado de trabalho na Bahia durante a crise internacional (outubro de 2008 a março de 2009), precedido de uma apresentação de Edmundo Figueirôa, Assessor Técnico da SEI, sobre o cenário econômico neste mesmo período.

Desemprego é maior para quem não tem formação

O maior número de demitidos na Bahia, desde o início da crise no Brasil, em outubro 2008, está entre pessoas de baixa escolaridade, com seis a nove anos de estudo. As informações são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED/ MTE) e mostram também que as maiores baixas foram no interior do estado. “Por seu perfil de pouca instrução, este contingente tem maior dificuldade de reinserção no mercado de trabalho”, explicou José Ribeiro em sua apresentação.

“No longo prazo, de 2002 para cá, vemos que o emprego aumentou de maneira geral, mas caiu para o grupo dos analfabetos funcionais”, disse. Segundo o pesquisador, cerca de 90% das oportunidades de trabalho no mercado formal hoje exigem pelo menos o ensino médio e “apenas cerca de 20% da nossa PEA (População Economicamente Ativa) tem ensino médio completo”.

As ocupações de faxineiro, trabalhadores em diversos cultivos e da extração florestal foram algumas apontadas com as maiores perdas de vagas entre outubro de 2008 e março de 2009. “Temos que ressaltar aí a sazonalidade da informação. A Bahia queimou postos de outubro a janeiro. A partir de fevereiro começou a voltar a contratar, com forte recuperação em março”, relatou. “Em dezembro, quando foi registrada a maior queda, os fatores relacionados à crise intensificaram a sazonalidade tradicional do período. Neste mês temos a entressafra agrícola, o final da bolha de consumo, os estoques já acumulados nas indústrias e o término do ano letivo”, justifica.