Produção industrial baiana ganha fôlego e cresce 7,5%

07/07/2009

Os segmentos de refino de petróleo e álcool, papel e celulose, produtos químicos, borracha e plástico e metalurgia básica lideraram a expansão do setor em maio em relação ao mês anterior, segundo levantamento do IBGE

A produção da indústria baiana – um dos setores mais afetados pela crise financeira internacional – ganhou fôlego em maio e cresceu 7,5% em relação a abril, segundo pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o segundo melhor desempenho do País, atrás apenas do Estado do Amazonas, que obteve crescimento da produção de 11,7%.

De acordo com o levantamento, o segmento de refino de petróleo e álcool liderou a expansão da indústria em maio deste ano em relação a abril, com incremento de 28,7%. Neste comparativo, também cresceram os ramos de celulose, papel e produtos de papel (5%), produtos químicos (4,9%), borracha e plástico (17,6%) e metalurgia básica (7%).

Na contramão, tiveram retração de produção os setores de alimentos e bebidas (-0,3%), minerais não-metálicos (-3,2%) e veículos automotores (-1,6%).

Na comparação de maio com igual mês do ano passado, no entanto, a indústria baiana continua sofrendo: a produção do setor recuou 12,3%, segundo o IBGE.

O principal ponto negativo registrado foi a queda de 48,1% no refino de petróleo e produção de álcool. Mas os analistas minimizaram o dado, apontando uma parada técnica na Refinaria Landulfo Alves como motivo para o decréscimo. “Não sei detalhes sobre essa parada técnica, mas entendo que essa queda foi pontual, não foi uma questão de crise“, comentou o economista da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Maurício Pedrão.

Ele considerou ainda que o Estado permanece numa linha de variação de crescimento da produção muito próxima da apresentada pela média do País.

“No acumulado dos 12 meses, a Bahia teve uma queda de 5,2%; muito próximo do índice geral do País, que foi de 5,1%“, comparou o economista.

O diretor de Estatística e Estu dos Sócio-Econômicos do Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia, Maurício Jansen, sustenta a mesma interpretação sobre o dado apresentado pelo setor de refino de petróleo e produção de álcool. “Esta redução apontada foi pontual e não se deu por uma questão de demanda. A indústria química e petroleira está inclusive retomando a patamares de produção registrados antes do advento da crise”, afirmou o sindicalista.

RECUPERAÇÃO – O crescimento da produção industrial no Estado, em maio, recupera em parte o recuo de 10,9% em abril. Segundo Geraldo Reis – diretor-geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan) – o desempenho da indústria está coerente com os resultados de outros indicadores. “O montante arrecadado pelo Estado com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) atingiu a marca de R$ 836 milhões, um incremento de 7,67% em relação a abril, e 6,98% acima dos valores de maio de 2008. A maior contribuição veio do setor industrial, que arrecadou mais 14,45% (R$ 368 milhões) em relação a maio de 2008“, apontou.

Segundo a análise da SEI, o aquecimento do setor também se refletiu na geração de 1.870 novos empregos na indústria de transformação no mês analisado.

“A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salários (PIMES/ IBGE), aponta aumento de 15% no pessoal ocupado no refino de petróleo, e de 11%, na metalurgia”, informa Reis.

De janeiro a maio deste ano a indústria baiana acumula um recuo de 12,5%, pressionada pelas taxas negativas em seis das nove atividades industriais analisadas na pesquisa do IBGE. Mas, no governo do Estado, a postura é de otimismo. “Os resultados confirmam que a economia baiana vem recuperando sua dinâmica, após os impactos negativos da crise financeira internacional”, avalia o secretário do Planejamento, Walter Pinheiro.

Segundo o secretário, “de cada três novas vagas geradas no Nordeste, em maio, duas foram criadas no mercado de trabalho baiano, sendo que do total no estado, cerca de 80% dos novos postos foram gerados em municípios fora da Região Metropolitana de Salvador”.

PAÍS – A produção industrial brasileira cresceu em oito das 14 regiões pesquisadas pelo IBGE em maio ante abril, na série com ajuste sazonal. Além de Bahia e Amazonas, a indústria registrou taxas positivas também em São Paulo (2,4%), região Nordeste (1,8%), Minas Gerais (1,4%), Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro (todos com 0,6%).

O Estado de Pernambuco registrou variação zero. Já as regiões com recuo na produção industrial em maio ante abril foram: Espírito Santo (-0,6%), Goiás (-1,2%), Paraná (-4,1%), Ceará (-4,3%) e Pará (-5,6%). Na comparação com maio de 2008, todos os 14 locais pesquisados registraram taxas negativas.