Segmento do petróleo retrai 28,4% e puxa queda de 9,6% na indústria
Em julho, a produção da indústria na Bahia recuou 6,0% em relação ao mês anterior, após acumular ganho de 15,6% nos meses de maio e junho, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM/IBGE), analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento. Na comparação com julho de 2008, a retração foi de 9,6%, influenciada pela queda de 28,4% no segmento petrolífero, o de maior peso na composição da indústria baiana.
“A queda do setor do petróleo está atrelada, sobretudo, à redução da demanda externa, em função da crise nos principais mercados mundiais. Pela primeira vez, aquele que era um dos primeiros segmentos na nossa pauta de exportações passou para a quinta posição”, afirma o diretor-geral da SEI, Geraldo Reis. O setor de petróleo e derivados baiano teve perdas nas exportações de 96,6% em junho e de 45,7% em julho, acumulando queda de 80% nas exportações este ano.
“Essas oscilações entre resultados positivos e negativos na indústria baiana demonstram a complexidade do processo de recuperação da produção de bens intermediários, altamente dependentes dos mercados nacional e internacional. Esse resultado de julho é compreensível, por ter sido este o setor da economia mais afetado pela crise, entretanto, ele não se sobrepõe aos outros indicadores que demonstram a tendência geral de aquecimento das atividades econômicas no estado”, diz o diretor.
A retração no segmento de refino de petróleo e produção de álcool em relação a julho de 2008 (-28,4%) foi puxada, sobretudo, pelas quedas na produção de óleo diesel e nafta. Este grupo representa cerca de 30% na composição da indústria baiana. Também recuaram, em julho, diante do mesmo mês do ano passado, os segmentos de celulose e papel (-16,2%) e de veículos automotores (-54,2%), além de alimentos e bebidas (-1,2%), borracha e plástico (-13%) e metalurgia básica (-10,7%). Por outro lado, as maiores influências positivas vieram de produtos químicos (1,6%) e minerais não metálicos (9,3%). Vale destacar a recuperação do setor químico, que cresceu pela segunda vez consecutiva este ano e tem grande peso no setor industrial, com cerca de 25%.
No período janeiro a julho, comparado com o mesmo período do ano anterior, a produção industrial baiana acumula redução de 10,1%. Refino de petróleo e produção de álcool (-25,9%), metalurgia básica (-21,8%) e produtos químicos (-4,8%) foram os que mais pesaram para a queda. As maiores contribuições positivas vieram dos segmentos de alimentos e bebidas (2,2%) e minerais não-metálicos (7,7%).
Brasil - Na comparação com julho de 2008, o Brasil apresentou recuo de 9,9%, mesma tendência encontrada para o estado. Os índices regionais foram predominantemente negativos nesta forma de comparação, com única exceção em Goiás (4,4%). As taxas negativas mais elevadas foram registradas no Espírito Santo (-20,0%), Minas Gerais (-16,1%) e São Paulo (-11,9%). Frente a junho de 2009, o quadro foi positivo no País, com incremento de 2,2%, sendo que dez das 14 regiões pesquisadas tiveram resultados positivos. Bahia (-6,0%), região Nordeste (-3,5%), Pernambuco (-1,5%) e Pará (-1,0%) foram as áreas que apresentaram queda na passagem de junho para julho.