A economia da Bahia registrou, no segundo trimestre de 2009, crescimento no Produto Interno Bruto (PIB).
A economia da Bahia registrou, no segundo trimestre de 2009, crescimento no Produto Interno Bruto (PIB). A expansão foi de aproximadamente 0,6%, em comparação com igual período de 2008, mantendo o mesmo patamar do primeiro trimestre. O resultado foi alavancado pelo setor de serviços, queexpandiu 3,3%. O setor agropecuário não repetiu o mesmo desempenho do período anterior e registrou queda de 6,8%. O setor industrial, mais uma vez, apresentou retração na atividade (0,74%), em função do recuo de 7,3% na indústria de transformação. Os números foram divulgados hoje (11), pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento.
Para o mesmo período de análise, a economia brasileira apresentou queda de 1,2%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda está associada ao baixo dinamismo do setor externo e à queda dos investimentos no País, que acumulam retração de 15% no semestre, em relação ao mesmo período de 2008. Vale ressaltar que o PIB Brasil, quando comparado com o trimestre imediatamente anterior, teve alta de 1,9%, saindo da faixa de recessão técnica. A comparação com o trimestre imediatamente anterior (série dessazonalizada) ainda não é calculada para o PIB Bahia.
“O resultado do PIB baiano no trimestre reafirmou a recuperação da economia do estado e sua tendência de aquecimento, mostrando a capacidade de recuperação apesar da característica de concentração espacial e setorial da nossa indústria”, apontou o diretor-geral da SEI ao apresentar os resultados do PIB estadual em coletiva à imprensa, no Auditório da Seplan, na tarde de hoje (11). “As perspectivas são de um maior aquecimento nos trimestres seguintes, sobretudo se levarmos em conta a base de comparação deprimida no segundo semestre de 2008, apontando para uma possibilidade real de crescimento do PIB em 2009”, explicou.
O secretário do Planejamento Walter Pinheiro apontou que esse crescimento do PIB baiano no período de crise foi influenciado por um conjunto de ações do Governo, especialmente com a descentralização do investimento público. “Nós nos aproveitamos do acerto da política federal e tomamos esse período como oportunidade para fazer esse crescimento através de investimentos, por exemplo, em obras públicas e no aumento das despesas do Estado com remuneração, ampliando a geração de emprego e renda”, disse Pinheiro. O secretário citou “o investimento de R$ 1,2 bilhão em obras de saneamento, cerca de R$ 1,8 bilhão investidos em obras de infraestrutura, através de recursos do PAC, e mais R$ 440 milhões investidos no Programa Água Para Todos”.
Serviços garantem a alta do PIB da Bahia
O setor de serviços, o mais importante na agregação de valor ao PIB do estado, com cerca de 60% da estrutura produtiva, foi determinante para o resultado positivo do PIB trimestral. Capitaneado pelo comércio (5,0%), administração pública (4,8%) e pelos segmentos ligados à atividade turística, como alojamento (3,7%), o setor expandiu 3,3%, resultado ainda melhor que o registrado no primeiro trimestre.
Indústria de transformação é o segmento mais afetado pela crise
Na Bahia, o segmento mais fortemente afetado pela crise mundial foi a indústria de transformação. O segmento apresentou retração de 7,3% em seu valor agregado no trimestre em análise. Com o desempenho negativo da indústria de transformação, o setor industrial (composto pela indústria de transformação, construção civil, serviços industriais de utilidade pública e indústria extrativa mineral) apresentou uma retração de 0,7% no segundo trimestre de 2009 em comparação ao mesmo período de 2008.
“Alguns segmentos industriais ligados, sobretudo, à produção de bens intermediários, diminuíram a produção em função da existência de estoques acumulados de períodos anteriores. Entretanto, o aumento da capacidade instalada da indústria brasileira cria uma perspectiva de mudança nesse quadro a partir do segundo semestre do ano. Isso significa que as demandas para a indústria baiana deverão aumentar ainda no curto prazo, estimulando o aumento na produção interna, apesar do cenário de baixa perspectiva para novos investimentos no setor”, aponta o coordenador de contas regionais da SEI, Gustavo Pessoti.
O resultado do setor industrial foi bastante amenizado pelo excepcional momento da construção civil na Bahia, que se expandiu 10,5% no segundo trimestre. Essa expansão está diretamente relacionada ao crescimento imobiliário da Região Metropolitana de Salvador e, possivelmente, às obras de infraestrutura do PAC em todo o estado.
Algodão e soja colaboram para o desempenho negativo da agropecuária
O setor agropecuário foi outro que apresentou retração no período em análise. “Em certa medida, este setor foi responsável por impedir um crescimento maior do PIB do estado neste trimestre, já que tanto o setor industrial como o de serviços apresentaram resultados melhores do que os obtidos no primeiro trimestre de 2009”.
A diminuição de 6,8% no valor agregado da agropecuária reflete, sobretudo, a queda na produção agrícola, uma vez que a pecuária permaneceu praticamente no mesmo patamar do segundo trimestre de 2008, com leve incremento de 0,2%. Excetuando-se os cultivos de feijão, milho e café, que se expandiram 17,5%, 7,7% e 5,5%, respectivamente, praticamente todas as demais culturas, principalmente as mais representativas em termos do valor bruto de produção, apresentaram diminuição na produção física no segundo trimestre do ano 2009. As maiores quedas foram registradas nas produções de algodão (-17,6%) e soja (-12%), dois produtos que, tradicionalmente, têm grande parte da colheita no segundo trimestre do ano e que foram as maiores pressões negativas para a queda na produção agrícola. Também recuaram as produções de mandioca (-6,5%) e de cana-de-açúcar (-3,9%).
Com esses resultados, a safra de grãos recuou aproximadamente 5,1% no segundo trimestre em comparação ao igual período de 2008. Apesar da queda, as estimativas do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola – LSPA/IBGE apontam que em 2009 a safra de grãos do estado será de aproximadamente 6 milhões de toneladas, a segunda melhor da história da Bahia, mas ainda 4% menor do que a registrada em 2008, quando houve a maior safra de todos os tempos.