Exportações continuam em recuperação, mas saldo da balança comercial é 11,6% inferior ao do primeiro quadrimestre de 2009
O mês de abril continuou a apresentar recuperação nas exportações baianas, com vendas de US$ 627,4 milhões, 30,7% superiores a abril de 2009. Já as importações, que alcançaram US$ 557,1 milhões, deram um salto de 78,1% no mês passado, fruto do dólar barato e do ritmo veloz de crescimento da produção industrial e da demanda dos consumidores, segundo informações de Comércio Exterior da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento.
No acumulado do ano até abril, enquanto as exportações subiram 49,8% - US$ 2,7 bilhões - em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado, atingindo volumes pré-crise, as importações saltaram 84,8% na mesma comparação, atingindo US$ 2,1 bilhões, e mostrando o quanto a valorização do real frente ao dólar aumentou a competitividade dos produtos estrangeiros.
Em função do alto crescimento das importações, o superávit comercial da Bahia caiu 11,6% no período janeiro/abril, passando de US$ 651,8 milhões em 2009 para US$ 576,1 milhões em 2010.
“O forte aumento das compras externas tem a ver tanto com a elevada valorização do real, que reduziu o preço dos produtos importados, quanto com a recuperação da indústria nacional, que aumentou suas compras de matérias-primas no exterior e de bens de capital”, explica o especialista em Comércio Exterior da SEI, Arthur Souza Cruz. “A indústria está importando mais para concorrer justamente com produtos importados. E, para fugir dessa armadilha, o país precisa de uma taxa de câmbio mais competitiva”, diz.
Desde janeiro, o aumento das compras de matérias-primas, peças e componentes do exterior já chega a 54%, na comparação com 2009. Já as importações de bens acabados, prontos para serem vendidos nas lojas, subiram 35%. Os maiores incrementos de produtos importados em abril foram de nafta, automóveis, acetona, fertilizantes, equipamentos eletrônicos e borracha.
Em relação ao comportamento das vendas externas, em abril, foram determinantes para a continuidade da recuperação, os embarques de celulose, com incremento de 59%, óleo combustível (+55%) e soja (+102%). Também contribuiu para o bom desempenho das exportações no mês passado, a alta dos preços dos produtos petroquímicos, em média, 62% superiores a igual período de 2009. EUA e Argentina responderam pela maior demanda de produtos baianos em abril. No ano, esses dois países mais a China, representaram 43% do total das vendas externas baianas. Os principais produtos comprados por esses países são petróleo e derivados, celulose, pneus e calçados, no caso dos EUA; químicos orgânicos, automóveis e derivados de cacau, pela Argentina; e soja, cobre, celulose e couros e peles, pela China.
Mesmo com o dólar situado em uma das mais baixas cotações da história, os exportadores de produtos manufaturados, como calçados, móveis e materiais elétricos, aumentaram em 23,7% o volume de suas venda ao exterior em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado. No caso do setor automotivo, o aumento foi de 16,1%; no de químicos e petroquímicos, passou de 86%.
À exceção de alguns produtos, como cordéis de sisal (queda de 3,6% no preço), o aumento no volume de exportações de manufaturados ocorre paralelamente ao crescimento nos preços dessas mercadorias, de 28,3% em média, e mostra que, embora os produtos básicos e commodities, como soja, minérios e petróleo, ganhem fatia maior na pauta de exportações, a indústria ainda consegue ampliar as vendas, aproveitando a recuperação dos mercados internacionais.