O Índice de Qualidade do Mercado de Trabalho da Região Metropolitana de Salvador (IQMT-RMS) registrou 0,766 ponto em abril, contra o valor de 0,745, apurado no mês anterior. O indicador foi desenvolvido pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria Estadual do Planejamento (Seplan), com o objetivo de avaliar as condições de funcionamento do mercado de trabalho local. O resultado verificado em abril consolida os primeiros quatro meses de 2010 como os melhores da série histórica de 14 anos.
O Índice de Qualidade do Mercado de Trabalho da Região Metropolitana de Salvador (IQMT-RMS) registrou 0,766 ponto em abril, contra o valor de 0,745, apurado no mês anterior. O indicador foi desenvolvido pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria Estadual do Planejamento (Seplan), com o objetivo de avaliar as condições de funcionamento do mercado de trabalho local. O resultado verificado em abril consolida os primeiros quatro meses de 2010 como os melhores da série histórica de 14 anos.
O indicador é obtido com base nos dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Salvador (PEDRMS), e incorpora variáveis em três dimensões: desemprego, inserção ocupacional e rendimento. A avaliação do mercado de trabalho da RMS no longo prazo foi possível por conta da aplicação da metodologia do indicador à série histórica da PEDRMS. O desempenho registrado em abril é o mais elevado da série, iniciada em dezembro de 1996.
O analista da PEDRMS, Luiz Chateaubriand, observa que os resultados do primeiro quadrimestre do ano foram decorrentes do crescimento econômico do País, algo que repercutiu, de maneira positiva, no mercado de trabalho local. Ele ainda acrescenta que o crédito disponível no mercado fortaleceu o poder de consumo da população, algo que também contribuiu para a geração de emprego e renda. “Porém, os níveis de remuneração do trabalhador não se recuperaram, em relação a 1998”, observa.

De acordo com Chateaubriand, com base na metodologia do IQMT-RMS aplicada à série histórica da PEDRMS, o período entre 1997 e 2003 registrou tendência de deterioração das condições de funcionamento do mercado de trabalho na RMS. O decréscimo do índice foi parcialmente interrompido nos anos de 2000 e 2001. Essa inflexão, porém, não foi suficiente para retornar aos níveis dos anos iniciais da série. “O IQMT-RMS voltou a decrescer em 2002 e atingiu o menor valor de todo o período em 2003; a partir de 2004, o índice revela uma persistente melhoria no funcionamento do mercado de trabalho, e retoma, em 2007, os níveis vigentes em 1997 e evolui positivamente nos anos seguintes”,destaca Chateaubriand.
O IQMT-RMS assume valores que variam entre 0 e 1, sendo que, quanto mais próximo de zero, o indicador aponta deteriorização das condições de inserção do trabalhador no universo laboral. Por outro lado, valores próximos a 1 revelam melhoria nas condições do mercado. O índice é calculado com base na Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Salvador (PEDRMS), de onde são obtidas as variáveis para a composição do IQMT-RMS. A primeira, o índice parcial do desemprego computa os dados da taxa total de desemprego, o tempo médio de procura por ocupação, a taxa de desemprego dos chefes de domicílio, além da taxa de participação de pessoas com 10 a 17 anos, no mercado de trabalho.
Já o índice parcial da inserção ocupacional apura o percentual de trabalhadores formais no mercado (assalariados do setor privado com carteira de trabalho assinada e do setor público, regidos por estatuto próprio), o tempo médio de permanência na atual ocupação, e a parcela dos demais trabalhadores que contribuem para a previdência social. E, finalmente, o índice parcial do rendimento, que compreende os seguintes itens: rendimento médio real por hora trabalhada, percentual de trabalhadores com rendimento igual ou superior a um salário mínimo, e o índice Gini, que avalia o grau de concentração dos rendimentos.
Chateaubriand, explica que o IQMT-RMS traz uma síntese do funcionamento do mercado, pois são computados no cálculo do indicador variáveis como as taxas de desemprego e o rendimento. Ele ainda observa que um dos diferenciais do novo índice é a sua periodicidade de análise, tendo em vista que, em outras regiões metropolitanas, há indicadores similares, porém, sem divulgação regular. “Nós, por outro lado, fazemos uma análise mensal, embora o índice seja divulgado a cada quatro meses”, observa.

Mercado de trabalho em discussão, durante lançamento da SEP 86
Gestores públicos, pesquisadores e estudantes estiveram presentes, hoje pela manhã, no lançamento da Série Estudos e Pesquisas (SEP) 86, realizado no Salão Azul da Fundação Luís Eduardo Magalhães (FLEM). O livro tem como título Trabalho em Questão, e reúne 14 artigos de pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior do País, além de uma introdução de autoria do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Márcio Pochmann.
Durante o evento, o palestrante Cláudio Dedecca, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp/SP), comemorou a redução dos índices de desemprego, porém sugeriu uma maior aderência das políticas públicas de geração de emprego e renda aos programas sociais e assistenciais do governo. “É algo que deve ser pensado, principalmente em função da força de trabalho localizada no campo”, observou Dedecca.
A segunda palestrante do evento foi a professora Miriam de Toni, da Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser, do Rio Grande do Sul (FEE/RS). A intervenção da pesquisadora foi relativa à precarização e reestruturação do mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPOA), com ênfase na análise do indicador que apura o funcionamento do mercado de trabalho na RMPOA.
A apresentação do IQMT-RMS foi realizada pelo analista da PEDRMS, Luiz Chateaubriand. Durante o evento, ele apresentou a metodologia do índice a seus resultados aplicados à série histórica da PEDRMS.
Na abertura do encontro, o Secretario Estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Nilton Vasconcelos, avaliou que a redução na taxa de desemprego da RMS, captada pela PEDRMS, a 16,7%, é consistente. Porém, ele ponderou que o desafio do emprego continua, pois quanto mais baixa a taxa de desemprego, maiores dificuldades surgem para reduzi-la mais ainda. Já o chefe de gabinete da Secretaria Estadual do Planejamento (Seplan), Edson Valadares, que esteve no evento representando o secretário Antônio Alberto Valença, comemorou a velocidade de geração de postos de trabalho, verificada nos últimos anos. “Hoje temos crescimento econômico, com geração de emprego e renda”, comemorou.