Participação no mercado de trabalho baiano cresceu nos últimos 10 anos

Publicado: 14/09/2010 Última atualização: 06/10/2026 às 09:54

Nos últimos 10 anos, o mercado de trabalho baiano apresentou aumento da taxa de participação.



Nos últimos 10 anos, o mercado de trabalho baiano apresentou aumento da taxa de participação. Entre 1999 e 2009, o percentual passou de 61,5% para 63,5%, em tendência oposta a verificada no Brasil e no Nordeste, onde as taxas passaram, respectivamente, de 61,0% para 59,7%, e de 61,1% para 59,6%. As informações constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD 2009/ IBGE), analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan).

Apesar do crescimento da pressão sobre o mercado de trabalho baiano, expresso pelo comportamento da taxa de participação, a PNAD 2009 indica que a taxa de desemprego se manteve no mesmo patamar de 1999, em torno de 9,3%, apresentando uma trajetória crescente no início da década de 2000 e voltando a este patamar nos anos finais analisados. Para o Brasil, onde diminuiu a pressão ao longo da referida década, a taxa variou de 9,6% para 8,3%. Já no conjunto do Nordeste, mesmo com o arrefecimento da taxa de participação, a taxa de desemprego cresceu de 8,0% para 8,9%, de 1999 para 2009.

Nas três escalas geográficas (Brasil, Nordeste e Bahia), as menores taxas de desemprego registradas no período 1999-2009 ocorreram no ano de 2008, sendo, respectivamente, de 7,1%, 7,5% e 9,0%. Os dados disponíveis foram sistematizados pela Diretoria de Pesquisas da SEI a partir do Banco Multidimensional de Estatística (BME/IBGE).

“O ano de 2008 foi um período em que a economia brasileira, até o terceiro trimestre, vinha apresentando um excelente ritmo de crescimento. Já em 2009, os dados evidenciam os efeitos da crise sobre o mercado de trabalho nacional. No caso baiano, especificamente, contabilizou-se um aumento da taxa de desemprego, de 9,0%, em 2008, para 9,3% em 2009. Situação semelhante foi constatada nas duas outras escalas geográficas em questão. Porém, na Bahia, o crescimento do desemprego se manifestou com menor intensidade”, ressalta Laumar Neves, coordenador de Pesquisas Sociais da SEI.

Mercado mais exigente - Os níveis de exigência com relação à educação formal dos trabalhadores baianos se elevou no decorrer da década de 2000. O fenômeno foi também visualizado no conjunto do País e do Nordeste. Em termos relativos, foram os trabalhadores com as melhores credenciais ocupacionais que mais ampliaram a participação no conjunto da ocupação. Em 1999, o grupo de trabalhadores com 15 anos ou mais de estudos respondia por 2,4% de toda a ocupação baiana, ao passo que, em 2009, passou a responder por 5,4% dos ocupados, crescendo, proporcionalmente, acima do Brasil (de 6,7% para 10,7%) e do Nordeste (de 3,4% para 6,3%).

Para o período 1999/2009, a SEI constatou ampliação da proporção de contribuintes ao instituto da previdência, saindo de 24,4% para 35,7%, correspondendo a 11,3 pontos percentuais de incremento, pouco superior ao número encontrado para o Nordeste (11,1 pontos) e acima do apurado no Brasil (9,8 pontos percentuais). No plano nacional, essa proporção já alcança a marca de 53,3%.

Rendimento - A analise da distribuição das famílias baianas por classe de rendimento revela que, no período 1999/2009, houve uma queda substantiva na proporção de pessoas sem rendimento na Bahia, passando de 22,4% para 16,1%. Este fenômeno é também constatado no país e no Nordeste, onde esse indicador passa, respectivamente, de 14,3% para 8,9%, e de 24,0% para 15,5%. No mesmo período, aumentou o número de pessoas que recebem até meio salário mínimo na Bahia (de 9,9% para 20,9%) e que recebem mais de meio salário até um salário mínimo (de 25,3% para 28,3%).