“Poucos questionam hoje a idéia de que o centro de gravidade do crescimento econômico mundial vem se deslocando para a Ásia, e, mais concretamente, para a China”. A afirmação consta do artigo “No Espelho da China”, do economista Antônio Barros de Castro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele fará a palestra de abertura do VI Encontro de Economia Baiana (VI EEB), às 10 horas da manhã, no dia 16 de setembro, no Bahia Othon Palace Hotel, em Salvador. A intervenção de Barros deverá tratar da nova configuração mundial, na qual, de maneira gradual, a China assume protagonismo.
“Se a China e os EUA mantiverem o crescimento verificado nos últimos anos, os dois países passarão a ter o mesmo peso na economia global, num intervalo de poucos anos”, prossegue o economista. Associado a este fator de reorganização da economia global, a análise de Barros trata do contexto econômico, com os efeitos da crise financeira internacional de 2008. Neste sentido, um dos principais desdobramentos do episódio são as dificuldades orçamentárias dos países europeus, como Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, agregados em torno do acrônimo PIIGS.
Em contrapartida, alguns países estão tendo, nos anos mais recentes, as suas oportunidades mais que multiplicadas, revolucionadas, pela ascensão chinesa, considera Barros. “Entre as economias mais claramente alavancadas encontram-se algumas integrantes do continente africano”, prossegue o professor. O Brasil também se destaca, por conta da ascensão chinesa, sobretudo no que tange à produção de insumos, exportados para aquele país.
Portanto, prossegue Barros, as empresas e economias que buscam reposicionar-se, tendo em vista a erupção da China, devem entender de partida, que as oportunidades e ameaças serão freqüentemente redefinidas. “Tanto a dinâmica empresarial, quanto a natureza das políticas públicas de apoio às empresas até agora vigentes, devem ser seriamente repensadas, em decorrência da mutação em curso no meio ambiente econômico”, conclui.
O Encontro de Economia Baiana é um evento anual, que tem como objetivo tratar de temas conjunturais, relativos ao ambiente econômico. O encontro ocorre nos dias 16 e 17 de setembro, no Bahia Othon Palace Hotel, em Salvador, e é organizado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria Estadual do Planejamento (Seplan), em parceria com a Desenbahia e o Mestrado em Economia da UFBa. A participação no evento é gratuita. Inscrições no site: http://www.mesteco.ufba.br/encontro/.