SEI divulga nota técnica em que explica a perda de posição da Bahia para Santa Catarina no ranking do PIB nacional de 2008
Os dados das contas regionais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira (17), referentes ao ano de 2008, revelam que a economia baiana perdeu um posto no ranking nacional do Produto Interno Bruto (PIB). Embora os reflexos dessas mudanças sejam pequenos, até mesmo porque a economia baiana cresceu no mesmo patamar da economia brasileira (5,2% em relação ao ano de 2007), deve-se registrar que é a primeira vez, desde que a nova série de contas regionais foi mensurada, que a economia baiana muda de posição no cenário nacional. Os dados divulgados pelo IBGE revelam que o estado de Santa Catarina agora ocupa a 6ª posição, deslocando a Bahia para o 7º lugar.
As explicações para esse fato são relativamente simples e não denotam que o estado está perdendo pujança econômica, pelo contrário. Se analisarmos a taxa de crescimento real do PIB, enquanto a Bahia cresceu 5,2%, Santa Catarina apresentou uma taxa de crescimento de apenas 3,1% em comparação ao ano de 2007. O PIB expressa o valor monetário de tudo aquilo que foi produzido em um determinado local em um determinado período de tempo. Isso significa que seu montante será proporcionalmente maior, quanto maiores forem as quantidades de bens e serviços produzidos valorados pelos seus respectivos preços.
O que se observou em 2008 é que, embora o PIB da Bahia tenha crescido 5,2% e o de Santa Catarina 3,1%, o nível de preços dos produtos da economia catarinense cresceram 14% enquanto os da economia baiana cresceram apenas 6,0% (portanto, oito pontos percentuais menos do que em Santa Catarina). Assim fica fácil perceber que em um lado da equação a economia baiana cresce mais no volume de bens e serviços produzidos, mas em outro sentido, os preços dos produtos produzidos em Santa Catarina assumem um valor bem maior do que os registrados pela economia baiana.
A grande questão é que esses dois estados têm perfis econômicos completamente diferenciados. Enquanto a Bahia se destaca pela produção de commodities, entre as quais soja, cacau, algodão, celulose e derivados de petróleo, Santa Catarina se destaca pelas produções têxteis, artigos de madeira e produtos eletroeletrônicos. Em 2008, os preços das commodities estavam deprimidos no cenário internacional, principalmente no último trimestre, com reflexos negativos para toda a cadeia produtiva baiana. Por apresentar um perfil econômico diferenciado e não ser especializado na produção de commodities, Santa Catarina não se ressentiu dessa queda de preços. Ao contrário, a economia catarinense capitalizou-se com o aumento de preços de seus produtos, dado que os mesmos se mantiveram elevados e até mais elevados do que os registrados pela economia brasileira naquele período (o deflator implícito, isto é, o nível de preços do conjunto dos setores produtivos, obtido no PIB, atingiu 14% em Santa Catarina, contra 6% na Bahia e 7,7% no Brasil).
Além disso, o Departamento de Contas Nacionais do Brasil do IBGE reforçou que em 2008 todos os estados produtores de petróleo (entre eles a Bahia) tiveram uma redução na indústria de transformação em relação ao PIB. Esta perda de participação ocorreu em virtude do segmento de refino de petróleo e coque ter perdido 6 pontos percentuais de participação no total do setor industrial entre 2007 e 2008 em virtude da elevação de 33% do preço internacional do barril de petróleo, principal matéria-prima. Esse fato foi decisivo para diminuir a participação da Bahia no PIB nacional, pois diminuiu ainda mais a agregação de valor da indústria baiana em relação à indústria nacional.
Como as duas economias estão absolutamente no mesmo patamar no ranking do PIB, desde 2002, qualquer alteração na quantidade produzida ou nos preços pode fazer com que um estado passe à frente do outro no ranking. Ora, se ambas as economias estão no mesmo patamar de participação no ranking brasileiro (ambas em torno de 4%), uma alteração desproporcional (ou no volume da produção ou no preço) em favor de uma dessas economias, pode fazer com que uma ultrapasse a outra. E foi justamente o que aconteceu: enquanto o volume de produção da Bahia foi 2 pontos percentuais maior do que o de Santa Catarina, em relação aos preços, os produtos/serviços catarinenses tiveram um crescimento 8 pontos percentuais maiores em relação à Bahia. A tabela a seguir mostra que esse movimento de Santa Catarina ultrapassar a Bahia no valor agregado total da economia, isto é, no somatório de todas as atividades econômicas, já aconteceu no ano de 2004, mas àquela ocasião os impostos fizeram a Bahia ficar levemente à frente de Santa Catarina no PIB total. Em 2008, esse mesmo movimento aconteceu novamente, mas, dessa vez, os impostos, embora no mesmo patamar, foram levemente superiores para Santa Catarina, reforçando ainda mais o ganho de participação desse estado no ranking brasileiro do PIB.

Apesar do resultado em favor de Santa Catarina, não se pode afirmar que esse movimento configura-se numa tendência e é possível que em 2009 a Bahia venha a retomar a 6º posição novamente, até mesmo porque há, na verdade, um empate técnico entre esses dois estados no ranking do PIB nacional, com a diferença de posições gravitando na casa dos décimos de participação em favor de Santa Catarina (4,00% para a Bahia e 4,05% para Santa Catarina). Tudo vai depender de como a crise da economia mundial tenha se refletido em economias com perfis completamente diferenciados. Devido à defasagem temporal de dois anos para consolidação do PIB, o IBGE, em parceria com os demais órgãos de estatística do Brasil, só divulgará o resultado da mensuração dos dados referentes ao ano de 2009 em novembro de 2011.
Dados mais detalhados sobre o PIB baiano de 2008 estão disponíveis no site da SEI.