Diretor-geral da SEI, Geraldo Reis, divulga nota sobre o ranking do PIB regional 2008.
Por uma leitura mais racional da evolução das economias catarinense e baiana
A mudança de posição da Bahia no ranking do PIB nacional de 2008, perdendo a sexta posição para Santa Catarina, pode ser compreendida com base na análise dos movimentos dos preços e das quantidades de bens e serviços produzidos das duas economias. Com perfis produtivos diferenciados, a Bahia se destaca pela produção de commodities, entre as quais soja, cacau, algodão, celulose e derivados de petróleo, enquanto Santa Catarina se destaca pelas produções têxteis, de artigos de madeira e produtos eletroeletrônicos. É importante ressaltar que já havia um empate técnico entre esses dois estados no ranking do PIB nacional, com a diferença de posições gravitando na casa dos décimos de participação.
No caso da economia baiana, ocorreram em 2008 majorações de preços de importantes matérias-primas (petróleo e nafta), bem acima da média das demais matérias-primas utilizadas na indústria, afetando um importante ramo da nossa economia, o químico e petroquímico. O aumento de preços dos insumos, quando não integralmente repassados para o preço do produto final, provoca redução do valor adicionado da economia. Um outro fator a influenciar os valores nominais do PIB foi observado no índice de preços dos produtos finais das duas economias. Embora o esforço produtivo da economia baiana (com taxa de crescimento real do PIB de 5,2%) tenha sido maior do que o de Santa Catarina (3,1%), o nível dos preços dos produtos finais daquele estado se ampliou 14%, de maneira bem superior ao da economia baiana (6%), pois os preços das commodities estavam deprimidos no cenário internacional naquele momento.
A leitura dos números amparada por uma perspectiva mais técnica e racional mostra que o crescimento real da Bahia de 5,2% expressa uma dinâmica de crescimento baseada na evolução da plataforma de produção dos seus bens e serviços. Tal fato possibilita a geração de empregos e a ampliação de novos negócios, enquanto os aumentos de preços, embora representem ganhos, podem ser apenas resultantes de fatores muitas vezes conjunturais que não se assentam em uma base física tão necessária ao processo produtivo, mas, que influenciam o valor final da grandeza macroeconômica.
Apesar do resultado favorável para Santa Catarina, em 2008, não se pode afirmar que esse movimento configura-se numa tendência a ser mantida, tendo em vista que os fatores que influenciaram as duas economias não apresentam sinais de manutenção, sendo possível, já em 2009, que a Bahia volte ao sexto lugar. Vale lembrar que, em 2009, enquanto a economia nacional teve um desempenho de -0,2%, a Bahia teve um ligeiro crescimento de 1,7%, gerando cerca de 71 mil empregos. No primeiro semestre de 2010, a economia baiana cresceu 10,3%, devendo fechar o ano com um PIB entre 7,5% e 8,0%, o segundo maior da série histórica. E, possivelmente, geraremos mais de 100 mil empregos em 2010. Além disso, uma série de projetos em infraestrutura estão em fase de maturação, devendo se converter em investimentos a parir deste final de ano (ferrovia, rodovias, portos, equipamentos para a copa etc) o que deverá colaborar com a performance econômica do estado.
A equipe da SEI fará um levantamento mais detalhado sobre as economias dos dois estados e, dentro de cerca de dez dias, apresentaremos informações mais consistentes sobre o tema. Na oportunidade, alertamos que o debate excessivamente acalorado sobre o referido fato pode obscurecer uma possível reflexão mais racional acerca das potencialidades e limitações da nossa economia, bem como, do real salto qualitativo que desejamos para o nosso estado.
Geraldo Reis
Diretor-geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI)