SEI estima taxa de 7,5% do PIB em 2010

Publicado: 10/12/2010 Última atualização: 06/10/2026 às 09:53

Após um ano em que a economia foi fortemente abalada pela crise financeira mundial, a economia baiana, assim como a brasileira, retomou firmemente a trajetória de crescimento em 2010. No 3º trimestre do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia apresentou expansão de 6,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior.



Após um ano em que a economia foi fortemente abalada pela crise financeira mundial, a economia baiana, assim como a brasileira, retomou firmemente a trajetória de crescimento em 2010. No 3º trimestre do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia apresentou expansão de 6,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Com o resultado, a estimativa da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento, é de que o PIB 2010 alcance uma taxa de 7,5%, seguindo a mesma tendência de crescimento para o país. As informações foram divulgadas hoje (10), em coletiva de imprensa, com a participação do diretor-geral da SEI, Geraldo Reis, e do chefe de gabinete da Seplan, Edson Valadares.

“A taxa de 2010 será a segunda maior da série histórica do PIB baiano, perdendo apenas para a taxa de 2004, o que demonstra que a economia baiana alcança um novo patamar de crescimento sustentável”, sinalizou o diretor-geral da SEI, Geraldo Reis. “Essa expansão está associada a um novo contexto econômico favorável no Brasil, onde anteriormente tínhamos um PIB potencial em torno de 3,0% e, de 2010 a 2013, projetamos um PIB potencial médio de 5,0%”.

No trimestre, todos os setores da atividade econômica na Bahia exibiram altas taxas de crescimento, com destaque para os segmentos da indústria de transformação, construção civil e agropecuária. Contudo, a taxa de crescimento do PIB foi mais uma vez determinada pelo setor de serviços, o qual cresceu 6,1% e que, devido a seu peso na estrutura do PIB estadual (64,0%), é o setor que determina a tendência de crescimento da atividade produtiva. Em termos de crescimento absoluto, no trimestre, a agropecuária foi o setor que apresentou a maior taxa de expansão (9,9%), seguida do setor industrial (7,0%).

Na comparação com os resultados nacionais divulgados ontem pelo IBGE, “vale destacar que a leve diferença entre as taxas do Brasil e da Bahia, no terceiro trimestre, de 6,7% e 6,4%, respectivamente, deveu-se ao maior incremento na taxa dos impostos no país”, destacou Edson Valadares, chefe de gabinete da Seplan. Já a Bahia foi levemente superior ao país na expansão das atividades econômicas. “Tivemos crescimento superior na agropecuária, com taxa de 9,0%, enquanto no Brasil o setor cresceu 7,0%, e nos serviços, com 6,1% na Bahia, contra 4,9% no país. Somente no setor industrial o Brasil superou a taxa baiana, com 8,3%, enquanto tivemos incremento de 7,0%”, resumiu Valadares.

Nos trimestres anteriores, de janeiro a março e de abril a junho, as taxas de expansão do PIB foram de 9,5% e de 10,4%, respectivamente. Com a natural desaceleração prevista para o último período do ano (outubro a dezembro), as estimativas preliminares da SEI são de que a economia baiana feche 2010 com forte expansão de 7,5% em relação ao PIB de 2009. A taxa deve resultar em um PIB nominal próximo de R$ 145 bilhões. A estimativa para 2010 é de crescimento em todos os setores de atividade: serviços (6,6%), agropecuária (8,7%) e indústria (9,2%).

Agropecuária

A agropecuária apresentou, no 3º trimestre de 2010, expansão de 9,9%, na comparação com mesmo período do ano anterior. A expansão do setor agropecuário deve-se, em grande medida, ao aumento na produção física da maioria dos produtos agrícolas cultivados em solo baiano, sobretudo os grãos.

Nesse sentido, tomando-se como referencia as estimativas preliminares para a safra de 2010 de grãos, observa-se incrementos em relação à safra anterior na produção de soja (28,2%), feijão (8,4%), algodão (3,5%) e sorgo (5,4%). A previsão é que apenas a produção de milho registre queda de 4,8%.

Para as demais lavouras, destaque para a retração de 6,5% na produção de mandioca e de 0,3% na de cacau. Já a cana-de-açúcar e café tiveram crescimento de 10,9% e 7,1% na produção física.

Indústria

A indústria foi o segundo setor com maior taxa de expansão no 3º trimestre de 2010 (7,0%). Analisando-se os segmentos internos da indústria, mais uma vez a construção civil foi o que registrou a maior taxa de expansão no trimestre (11,0%). O reflexo direto desse ambiente favorável à atividade de construção civil é no mercado de trabalho, onde se verifica, entre janeiro e setembro de 2010, um saldo de 27.114 postos de trabalho gerados – crescimento de 20,2%

O crescimento da indústria extrativa mineral está associado ao aumento no processamento de petróleo na Bahia, que no terceiro trimestre teve expansão de 13,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já a indústria de transformação teve crescimento de 5,5% no terceiro trimestre de 2010. No trimestre, foram destaques os segmentos de produtos químicos (17,0%), alimentos e bebidas (5,7%) e celulose, papel e produtos de papel (6,4%). Além destes setores, vale mencionar também a expansão nos metalúrgico (8,1%), automotivo (3,9%), borracha e plástico (13,9%) e minerais não-metálicos (5,9%). Apenas o segmento de produtos químicos teve queda de 1,5%.

Serviços

No terceiro trimestre de 2010 o setor de serviços apontou crescimento de 6,1%. A expansão do setor de serviços foi mais uma vez determinada pelo crescimento das vendas no segmento de comércio varejista, o qual registrou taxa de expansão de 9,2% e pelo segmento de transportes com expansão de 9,4%.

No que se refere ao comércio, o crescimento associa-se aos números positivos do mercado de trabalho, especialmente o crescimento do rendimento dos trabalhadores, enquanto que no segmento de transportes, a própria dinâmica econômica, dada pelo crescimento nos deslocamentos tanto de pessoas quanto de cargas favorece o crescimento do setor.