Pesquisa realizada pela parceria SEI/Secult revelou que o rendimento real médio do trabalhador durante a festa, em 2010, foi de R$ 737,00
A pesquisa Suplemento do Carnaval – Infocultura nº 06, realizada em parceria, pela SecultBA e a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Seplan, com base em questionário da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PEDRMS), constatou, mais uma vez, que o carnaval é uma oportunidade de geração de trabalho para uma parcela de moradores da capital baiana, como foi também apresentado nas pesquisas de 2008 e 2009. Os dados de 2010 revelam que, dos 571 mil residentes que foram para a rua durante o carnaval, 478 mil brincaram e 93 mil pessoas trabalharam. As informações foram divulgadas hoje (24), no lançamento do Infocultura, na sede do Conselho Estadual de Cultura (Campo Grande).
Na abertura do evento, o secretário de Cultura do Estado da Bahia, Albino Rubim, destacou a importância da pesquisa para apoiar a elaboração de políticas públicas. “A SEI e a Seplan são importantes parceiros para permitir que nossas decisões sejam sustentadas em pesquisa. E uma informação relevante que essa pesquisa traz é de que quase 60% das pessoas que pulam no Carnaval de Salvador são foliões pipoca, dado que deve ser considerado na hora da elaboração das nossas políticas”, disse o secretário Albino Rubim.
Já o diretor-geral da SEI, Geraldo Reis, representando o secretário do Planejamento, Zezéu Ribeiro, reforçou que “há interesse em dar continuidade à parceria estabelecida com a Secult, tendo em vista a importância de alimentar a interlocução da área estatística e econômica com a cultura”, disse.
Perfil do trabalhador - Dos 93 mil que trabalharam (3,6% da população residente), a maior parte deles: são homens (63,3%), negros (89,8%), estão com idade entre 25 e 39 anos (74,9%), têm segundo grau completo (46,9%) e têm renda familiar entre um e dois salários mínimos (39,1%).
“Temos uma situação de baixa escolarização do trabalhador e baixo nível de renda, fatores que devem ser observados para que, de fato, o Carnaval possa constituir uma alternativa significativa de fonte de renda para essa população”, apontou Thaiz Braga, diretora de Pesquisas da SEI, que destacou que “como era de se esperar, a principal ocupação encontrada foi a de vendedores ambulantes, constituindo 21,8% dos ocupados na festa”.
De acordo com a pesquisa, “a maioria dos postos de trabalho relacionados à festa, embora cada vez mais inseridos no modo de produção capitalista, é marcada pela informalidade, atividades em tempo parcial e ausência de contratos de trabalho. Dentre os residentes em Salvador que atuaram no Carnaval 2010, 39,0% não possuíam qualquer tipo de contrato ou vínculo trabalhista”.
A pesquisa revelou ainda que, durante o carnaval, o comércio tem um foco voltado para os produtos alimentícios, bebidas, adereços entre outros produtos. Merece destaque ainda os guardas, os policiais, vigilantes, seguranças particulares, motoristas de ônibus, cobradores, auxiliares de serviços gerais, faxineiros e lixeiros. “A despeito do Carnaval de Salvador estar cada vez mais centralizado em grandes blocos, camarotes e arquibancadas, a festa movimenta não só a economia das empresas formalmente constituídas, mas também os pequenos negócios e, sobretudo, a economia informal representativa de grande parte das ocupações geradas na folia”, destaca o diretor-geral da SEI, Geraldo Reis.
Os dados revelam também um cuidado com a segurança da festa e do folião com um percentual de 11,7% para carcereiros, seguranças e vigilantes e 11% para guardas, oficiais e policiais. Os outros números são: 9,2% para motoristas; 6,2% para vendedores; 4,7% para compositores e músicos; 3,7% atendentes de bar e lanchonetes; 3,5% para gerentes, 2,0% para enfermeiros e 1,7% para auxiliares de serviços gerais. O maior número ficou com os ambulantes, perfazendo um total de 17,0%. A pesquisa revelou ainda que o rendimento real médio para cada trabalhador foi de R$ 737,02. Já a mediana encontrada foi de R$ 305,00 (valor encontrado ao dividir o contingente entre duas metades com maiores e menores salários - ou seja, metade dos trabalhadores recebe até esse valor).
“O interessante dessa pesquisa é que temos um retrato da festa de maior valor cultural da cidade, a mais representativa, investigada sob a ótica dos residentes em Salvador e não sob a ótica do turista”, destacou a pesquisadora da Secult, a economista Carlota Gottschall.