Lançamento da SEP 88 reforça parceria entre Governo do Estado e UFBA para pesquisar e preservar o patrimônio arqueológico
A SEI e o Grupo de Pesquisa Bahia Arqueológica, do departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, lançam a Série Estudos e Pesquisas - Patrimônio Arqueológico da Bahia (SEP 88). A publicação vem reforçar a parceria entre instituições do governo e a Universidade para pesquisar, gerir e divulgar o patrimônio arqueológico do estado. O lançamento, realizado em parceria com o Departamento de Infraestrutura de Transportes (Derba) e com o apoio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC/ Secult), acontece no próximo dia 17 de novembro, às 18h, no Museu Rodin Palacete das Artes (Rua da Graça, nº 289).
No evento, a partir das 18h30, acontece a palestra Patrimônio Arqueológico da Bahia, realizada pelo professor e pesquisador Carlos Etchevarne (departamento de Antropologia da FFCH/UFBA), na qual ele irá apresentar um panorama sobre o acervo arqueológico e a arte rupestre do estado, bem como a proposta de criação de circuitos mapeados. Etchevarne é arqueólogo e especialista em arte rupestre, coordena o Grupo de Pesquisa Bahia Arqueológica e é um dos organizadores da publicação.

A SEP 88 reúne oito artigos sobre o tema, apresentando a variedade de situações arqueológicas ocorrentes na Bahia e discutindo sua valorização e potencial, sobretudo, para a compreensão dos processos sócio-históricos anteriores a chegada dos portugueses. Alguns artigos servem para entender a proposta dos circuitos de sítios de arte rupestre da Chapada Diamantina, trazendo ainda um mapa de Sítios Arqueológicos do Estado da Bahia, com a localização de 10 tipos de sítios mais freqüentes no estado.
“Esta publicação constitui um verdadeiro passo à frente, em termos de órgãos públicos, na percepção do valor histórico extraordinário que o patrimônio arqueológico detém, sendo o primeiro estudo sobre arqueologia publicado por uma secretaria estadual”, afirma Etchevarne, que é doutor pelo Muséum National d’Histoire Naturelle (Paris) e investigador colaborador do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto.
Parceria - O lançamento da SEP 88 dá continuidade a uma série de projetos voltados à valorização da arqueologia no estado, entre estes, a exposição Circuitos Arqueológicos da Chapada Diamantina, promovida pelo IPAC, no mês de outubro, como resultado de um projeto iniciado em 2008 através de convênio com a UFBA e concretizado através do Grupo de Pesquisa Bahia Arqueológica. O convênio IPAC/UFBA vem possibilitando uma série de eventos e projetos que valorizam e difundem o patrimônio arqueológico da Bahia, em especial, a arte rupestre.
“A Bahia é um dos estados mais ricos do país quando falamos da quantidade e qualidade do patrimônio material, como construções seculares tombadas, pinturas rupestres, fósseis ou grutas, e podemos tirar proveito disso”, explica Frederico Mendonça, diretor-geral do IPAC. “Por isso, estamos incentivando a construção dos circuitos de turismo cultural a partir dos patrimônios arquitetônico-históricos, ambiental e paisagístico, no que esta publicação da SEI tem muito a colaborar”, diz.
Carlos Etchevarne explica que em 2010 foi dado início ao projeto de identificação, pesquisa e gestão de sítios de arte rupestre, com o apoio da Secretaria do Meio Ambiente e da Secretaria de Cultura, projeto cujos primeiros resultados formam parte do conteúdo da SEP 88. “O desenvolvimento deste trabalho, com a localização dos sítios arqueológicos e a construção dos itinerários, foi possível com apoio das prefeituras e, fundamentalmente, dos membros das comunidades que se encontram próximos aos sítios com pinturas rupestres. Na construção dos circuitos, a participação das comunidades foi permanente e decisiva”, orgulha-se o pesquisador.
A próxima fase deste amplo projeto do Governo do Estado e da UFBA será a implementação de itinerários turísticos planejados, com a intervenção de outras secretarias estaduais, prefeituras, agentes privados e comunidades.