Mesmo que de forma tímida, a inserção da mulher no mercado de trabalho da Região Metropolitana de Salvador apresentou melhorias no ano de 2012, refletidas pela redução da participação entre os desempregados e no encurtamento do hiato existente entre seus rendimentos e os rendimentos dos homens. Os resultados positivos, no entanto, não foram suficientes para modificar de forma significativa as desigualdades existentes - as mulheres continuam enfrentando grandes dificuldades no mercado de trabalho, já que representam mais de metade da população desempregada e, quando ocupadas, tem menores rendimentos do que homens.
Mesmo que de forma tímida, a inserção da mulher no mercado de trabalho da Região Metropolitana de Salvador apresentou melhorias no ano de 2012, refletidas pela redução da participação entre os desempregados e no encurtamento do hiato existente entre seus rendimentos e os rendimentos dos homens. Os resultados positivos, no entanto, não foram suficientes para modificar de forma significativa as desigualdades existentes - as mulheres continuam enfrentando grandes dificuldades no mercado de trabalho, já que representam mais de metade da população desempregada e, quando ocupadas, tem menores rendimentos do que homens.
O Boletim Especial Mulheres apresenta os indicadores sobre a inserção feminina no mercado de trabalho da Região Metropolitana de Salvador, utilizando como fonte de informações a base de dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Salvador (PED-RMS), executada pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan) em parceria com o Dieese, a Setre-BA e a Fundação Seade do Estado de São Paulo, com apoio do MTE/FAT.
Para analisar a inserção da mulher no mercado de trabalho da Região Metropolitana de Salvador, a PED apresenta os principais resultados do mercado de trabalho na RMS em 2012. No último ano foram criadas 70 mil novas ocupações, o maior valor absoluto de geração de postos de trabalho da série histórica anual da Pesquisa. Mas outro recorde de toda a série da PED, a inserção de mais 135 mil pessoas na População Economicamente Ativa (PEA), exercendo pressão sobre o mercado de trabalho na RMS, não permitiu que a significativa geração de empregos reduzisse o número de desempregados da RMS, que passou de 15,3% para 17,7%, entre 2011 e 2012.
Este comportamento se observa tanto para homens quanto para mulheres. Em 2012, cresce o número de mulheres ocupadas na RMS com a geração de 28 mil novos postos de trabalho, mas cresce também o número de desempregadas, em 34 mil. Resultado da inserção de 62 mil mulheres na PEA. Estes números, quando comparados com o desempenho dos homens no mercado de trabalho, confirmam as desigualdades de gênero existentes. Os homens absorveram 60% das novas oportunidades de trabalho geradas, contra 40% para as mulheres. Apesar de sua participação entre os desempregados ter decrescido, as mulheres, em 2012, seguiram sendo minoria entre os ocupados (45,7%) e maioria entre os desempregados (57,2%).
O aumento de mulheres ocupadas na RMS foi observado em quase todos os setores de atividade econômica, com destaque para o Comércio e Serviços. Já na Indústria, o número de mulheres ocupadas se manteve estável. No setor de Comércio, o contingente feminino apresentou importante crescimento de 4,1%, percentual menor que o verificado para os homens, 5,9%. Nos Serviços, setor com grande importância na estrutura ocupacional feminina, houve aumento de 4,1% para as mulheres, proporção também inferior ao registrado para os homens, 6,1%.
A taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho cresce mais do que a dos homens - A taxa de participação – indicador que estabelece a proporção de pessoas com dez anos de idade ou mais presentes no mercado de trabalho, como ocupadas ou desempregadas – cresce 6,0%, maior variação relativa da série histórica da Pesquisa. Este incremento foi mais significativo para as mulheres, que aumentaram sua participação em 7,7%. A taxa de participação feminina passou de 49,3% da População em Idade Ativa (PIA), em 2011, para 53,1% em 2012. Entre os homens, esse indicador elevou-se de maneira menos acentuada (4,2%), passando de 64,9% da PIA masculina, em 2011, para 67,6% no ano em análise.
Inserção no mercado de trabalho - O aumento no nível ocupacional, em 2012, ocorreu, sobretudo, no assalariamento do setor privado com carteira de trabalho assinada: crescimento de 8,2% no contingente assalariado feminino e de 10,0% no masculino. No contingente de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado, observou-se aumento de 5,8% para as mulheres e de 6,2% para os homens, interrompendo uma sequência de cinco anos de queda neste indicador, o que sinaliza acréscimo na parcela de trabalhadores sem garantias trabalhistas.
Entre os assalariados do setor público, observou-se significativa redução, que atingiu os homens (6,7%) e, em proporção superior, as mulheres (8,7%). Esse resultado traz impacto negativo na estrutura ocupacional feminina, dado que o setor público se configura num importante espaço de inserção das mulheres e de rendimentos médios mais elevados. Dentre as demais modalidades de inserção ocupacional, destaca-se o acréscimo de 5,6% no número de mulheres no trabalho autônomo, superior ao observado para os homens, 1,7%. Nos serviços domésticos, setor que representa 17,3% de toda ocupação feminina, houve ampliação de 6,3% no número de mulheres ocupadas, com acréscimo em suas duas componentes: aumento de 8,0% para as trabalhadoras domésticas diaristas e 3,4% para as mensalistas.
Redução nos rendimentos foi menos intensa entre as mulheres - Em 2012, o rendimento médio real diminuiu tanto para os homens (4,8%) quanto para as mulheres (2,2%). O valor auferido pelas mulheres passou de R$ 943 para R$ 922 e o dos homens, de R$ 1.267 para R$ 1.206, entre 2011 e 2012. Apesar da ligeira aproximação entre os rendimentos masculinos e femininos, a desigualdade de rendimentos entre os sexos se manteve no último ano. Em 2011, o rendimento médio mensal feminino correspondeu a 74,4% do masculino, passando a 76,5%, em 2012. Eliminando o efeito da menor jornada semanal de trabalho das mulheres, o rendimento médio por hora auferido pelas mulheres correspondia a 84,0% do rendimento dos homens, em 2011, passando a equivaler a 86,3%, em 2012.