
Número de idosos aumenta de 5,7 para 11,9% da população entre 2010 e 2030. População abaixo dos 15 anos diminui
A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan), divulga nesta sexta (06) o estudo “Projeções Demográficas para a Bahia 2010-2030”, elaborado pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais (Cedeplar), órgão especializado em projeções demográficas, e analisado pela SEI. A pesquisa aponta, entre outras questões, o aumento da expectativa de vida dos homens de 71 anos (entre 2005-2010) para 76 (entre 2025-2039) e das mulheres de 77 (entre 2005-2010) para 81 (entre 2025 – 2039). Além disso, o estudo também indica a redução do ritmo do crescimento populacional entre 2010 e 2030 na Bahia. Até 2030, as projeções apontam que a população baiana ultrapassará os 16 milhões, mas que questões como migração, queda de fecundidade e envelhecimento populacional contribuirão para a tendência de declínio do crescimento da população. Na próxima semana, a SEI divulgará as projeções demográficas para os Territórios de Identidade e municípios.
Décadas atrás, o crescimento natural da população brasileira era bastante elevado e relativamente constante e a Bahia não era exceção. Na Bahia, por exemplo, as alterações no perfil demográfico, como redução da mortalidade e maior expectativa de vida, ocorreram de forma bastante acentuada a partir da década de 80. Em anos mais recentes, o acelerado declínio da fecundidade, o avanço na queda da mortalidade, e as mudanças na distribuição espacial da população, alteraram a dinâmica populacional e reforçaram a necessidade de projeções demográficas para os municípios e suas localidades.
O planejamento e o desenvolvimento regional, as políticas públicas e atividades econômicas dependem do conhecimento sobre o comportamento futuro da população. Para o caso da Bahia, é importante prever a variação da população dos municípios, por idade e sua correlação com o ensino, nas áreas urbana e rural. É imprescindível também conhecer os fluxos migratórios do estado, tendo em vista, principalmente, a expansão do porto em Ilhéus, implantação de novas Universidades, a estrada de ferro Leste-Oeste, entre outros investimentos.
Menos filhos, mais tarde – As projeções demográficas apontam que, se nos anos 1980 as mulheres baianas tinham de cinco a seis filhos, a taxa de fecundidade no estado, em 2010 passou a ser de 2,3 filhos por mulher, com expectativa de queda para 1,66 até 2030. De acordo com o IGBE, no Brasil a tendência também é uma redução do número, passando dos 1,97 filhos por mulher registrados no Censo Demográfico de 2010, para 1,51 em 2030, com estimativa de 1,50 em 2050.
O estudo também aponta que a mulher baiana está deixando para ter seus filhos cada vez mais tarde. Apesar de a fecundidade na Bahia continuar se concentrando em mulheres com até 35 anos de idade, as projeções apontam uma tendência ao aumento da taxa de fecundidade em mulheres de 35 a 40 anos, devido ao adiamento da maternidade – antes reservada ao período juvenil.
Além da diminuição da fecundidade, outro fator de influência na mudança do perfil populacional na Bahia é a redução do crescimento da população. A taxa de crescimento populacional – de 0,84% ao ano entre 2010 e 2015 –sofrerá redução progressiva até chegar à taxa de 0,55% ao ano, entre 2025-2030. Assim, dentro de um período projetado de 20 anos, a população da Bahia ganhará um pouco mais de dois milhões de pessoas, totalizando 16,2 milhões ao final do período (2030).
Outra característica do crescimento populacional na Bahia é que o estado permanecerá com um número maior de mulheres do que de homens. Se a população de mulheres nos anos 2000 era de 6,7 milhões, a expectativa é que, em 2030, esse número ultrapasse os oito. Já a população masculina era de 6,5 milhões nos anos 2000, com previsão de chegar a 7,9 milhões em 2030.
Envelhecimento e longevidade - O declínio da fecundidade influenciará bastante no perfil da população baiana nos próximos anos. Isso porque a população dos grupos etários mais jovens (menos de 15 anos) diminuirá a sua influência na estrutura etária, e aumentará o peso relativo da população idosa (mais de 65 anos). No entanto, é a população das idades intermediárias que permanecerá com o maior peso relativo na estrutura etária, e esse peso será incrementado durante o período. De acordo com a pesquisa, a etapa chamada de transação demográfica (em que a maior parte da população encontra-se no grupo etário potencialmente produtivo -15 a 64 anos) pode configurar um potencial demográfico favorável ao crescimento econômico.
Na Bahia, em 2010, o grupo de 60 ou mais anos de idade era composto por cerca de 1,4 milhões ou 10,3% do total, enquanto que o grupo de 0 a 29 anos de idade somava aproximadamente 7,6 milhões ou 54% do conjunto da população. Já em 2030, estes valores serão, respectivamente, 16,7% e 40,7% do total da população, refletindo a redução na base da pirâmide e o alargamento no topo da pirâmide etária.
Geraldo Reis, diretor-geral da SEI, comenta os resultados da pesquisa: “O envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida dos homens e mulheres baianos demandará, segundo o estudo, uma forte demanda de serviços ao idoso o que pode mudar o foco das políticas de seguridade social, saúde e educação. Deste modo, iniciativas voltadas à população idosa (acima de 60 anos) serão cada vez mais importantes no âmbito das políticas públicas, enquanto ocorrerá menor pressão para as demandas relacionadas à infância e à adolescência”.
Mudanças - Os dados revelam que o volume de migrantes em todo o Brasil aumentou de 4,2 milhões no período 1986/1991 para 5,2 milhões em 1995/2000; porém diminuiu para 5,0 milhões entre 2005/2010. Isso mostra diminuição relativa do contingente de migrantes interestaduais, uma vez que houve aumento da população brasileira, especialmente naquelas idades de maior propensão a migrar – adultos jovens. O estudo aponta que é possível que nas próximas décadas as áreas que exerceram atração sobre grandes volumes de migrantes no passado continuem a perder participação relativa de seus contingentes populacionais no total do País. Isso significa que apesar de esses estados atraírem população, experimentam relativo enfraquecimento no poder de atração e absorção da população migrante.
No caso da Bahia, os dados mostram que, apesar das perdas experimentarem diminuição, os saldos negativos foram os mais volumosos entre todas as UFs, durante os três quinquênios considerados (1986-1991, 1995-2000 e 2005-2010). Em termos relativos, as taxas líquidas da Bahia se identificam com as dos estados do Nordeste de maiores perdas, como Maranhão, Piauí e Alagoas. A pesquisa aponta que o cenário considerado mais provável para a Bahia é de continuidade da diminuição das perdas de população, porém em ritmo relativamente lento, quando comparado com estados que já vêm reduzindo seus saldos negativos há mais tempo, como Minas Gerais e Paraná.