População negra registra crescimento em todos os setores da economia

Publicado: 05/11/2013 Última atualização: 06/10/2026 às 09:48


A criação de 70 mil novas ocupações na RMS em 2012 representou um crescimento de 4,9% em relação a 2011, beneficiando particularmente à população negra da RMS.



A criação de 70 mil novas ocupações na RMS em 2012 representou um crescimento de 4,9% em relação a 2011, beneficiando particularmente à população negra da RMS. O aumento do emprego foi especialmente intenso na Construção (8,3% ou 11 mil postos), nos Serviços (5,0% ou 43 mil), no Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (4,9% ou 13 mil) e, em menor proporção, na Indústria de transformação (1,4% ou 2 mil postos). Os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Salvador (PED-RMS), realizado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan), em parceria com o Dieese, Seade e Setre.

O segmento negro da população ocupada cresceu em todos os setores da atividade econômica. No Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, o número total de negros cresceu 8,4%; na Construção, 7,8%; nos Serviços, 6,3%; e na Indústria de transformação, 4,3%. Os não-negros, por sua vez, reduziram seu contingente em todos os segmentos da estrutura setorial da ocupação: na Indústria de transformação, 25,6%; no Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, 17,8%; e nos Serviços, 5,5%. O número de não-negros na amostra da Construção não comportou a desagregação.

Entre todos os setores de atividade econômica, o único que reduziu a importância relativa na estrutura ocupacional da RMS foi o a indústria de transformação. A participação do comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas permaneceu estável e o setor de serviços e a construção ampliaram levemente a suas participações. Entre 2011 e 2012, a presença dos não-negros na indústria diminuiu (9,4% para 7,7%) assim como a dos negros (9,0% para 8,8%). Dentre os negros, a importância do emprego na indústria diminuiu apenas para os homens (12,2% para 11,8%), permanecendo estável para as mulheres (5,1%).

O Comércio elevou sua participação na estrutura ocupacional dos negros (18,8% para 19,1%) e diminuiu, sobremaneira, entre os não-negros (21,2% para 19,2%). O setor de serviços diminuiu a importância na estrutura ocupacional dos negros, refletindo o decréscimo ocorrido entre as mulheres negras (74,1% para 73,5%), pois entre os homens negros houve discreto aumento (47,5% para 47,8%). Para os não-negros, aumentou bastante a participação do setor de serviços, tanto para os homens (54,1% para 56,9%) quanto para as mulheres (70,9% para 73,0%).

Aumento na taxa de desemprego em 2012 foi impulsionado pelo forte crescimento da PEA negra

No ano de 2012, a População Economicamente Ativa (PEA) elevou-se em 135 mil pessoas, resultado da entrada de 146 mil negros no mercado de trabalho e da saída de 11 mil não-negros. A geração de 70 mil novos postos de trabalho entre a população total e 86 mil entre a população negra, não foi suficiente para absorver toda demanda por ocupação, elevando o contingente de desempregados na região em 65 mil pessoas: sendo 62 mil negros e 3 mil não-negros a mais em situação de desemprego na RMS. Em termos relativos, a ocupação elevou-se 4,9%, de modo geral, com diferentes variações por grupo populacional: homens negros, mais 7,2%; mulheres negras, mais 5,8%; homens não-negros, menos 10,2%; e mulheres não-negras, menos 7,6%.

Embora a geração de postos de trabalho tenha sido positiva, o aumento da taxa de participação (de 56,4% para 59,8%) determinou a elevação da taxa de desemprego total em 2012, que após oito anos em declínio, passou de 15,3% para 17,7%.

A taxa de participação cresceu em igual proporção para as mulheres negras e não-negras, e menos entre os homens não-negros. Já a elevação da taxa de desemprego foi intensa tanto para a população não-negra (de 11,1% para 13,6%) como para os negros (de 15,8% para 18,8%). Considerando a desagregação por sexo, na população negra, a elevação da taxa de desemprego foi mais acentuada para os homens (de 12,7% para 14,9%) do que para as mulheres (de 19,2% para 21,2%).

No ano de 2011, o total de 40 mil postos de trabalho com carteira assinada gerados na RMS decorreu da ampliação de 45 mil postos de trabalho com carteira assinada entre a população negra, enquanto entre não-negros foram eliminados 5 mil postos. Já em 2012, 68 mil novos postos com carteira assinada no setor privado foram ocupados pelos negros, frente aos 63 mil gerados na região metropolitana. Por outro lado, houve decréscimo de 4 mil entre os não-negros.

Considerando o segmento ocupacional negro, as variações no nível de ocupação por tipo de inserção mantêm a mesma trajetória quando se considera a desagregação por sexo, com aumento da ocupação em quase todas as posições, tanto para os homens quanto para as mulheres. A intensidade do crescimento, porém, foi maior entre os homens. Já, no setor público, a ocupação diminuiu para os dois grupos da população negra, mas diminuiu menos entre os homens. O emprego doméstico, que só permite análise para as mulheres negras, por serem essas a maioria a ocupar os postos de trabalho nessa posição, continua se elevando para esse grupo.

Entre a população não-negra, houve redução da ocupação em todas as posições para as mulheres e, com mais intensidade, para os homens; exceto entre os autônomos, onde a ocupação diminuiu para as mulheres e não se alterou entre os homens.

Redução do Rendimento Médio Real afeta principalmente a população negra

Pelo segundo ano consecutivo, o rendimento médio real declinou. Contudo, no ano de 2011, o decréscimo foi observado em todos os grupos populacionais, mas com maior intensidade para os não-negros. Já, em 2012, a redução do rendimento atingiu, principalmente, homens negros (-4,1%) e mulheres negras (-1,8%) e, depois, homens não-negros (-1,5%). As mulheres não-negras foram as únicas que tiveram aumento no rendimento médio real (2,5%) (Tabela 6). Apesar do declínio da ocupação para as mulheres não-negras, em 2012, o emprego com carteira assinada no setor privado apresentou, para esse grupo, o maior aumento proporcional e a participação do setor público reduziu relativamente menos para elas. Essas são questões importantes para explicar os ganhos de rendimentos desse grupo, haja vista esses dois segmentos ocupacionais pagarem remunerações médias superiores. Além disso, foi justamente nesses dois segmentos que as mulheres não-negras, elevaram em 1 hora a sua jornada de trabalho semanal média.

Historicamente, o rendimento médio real da população negra sempre foi inferior ao da não-negra. Nos anos de 2010 e, especialmente, 2011, os ganhos de rendimentos dos negros foram superiores aos dos não- negros, reduzindo o diferencial entre eles. Em 2012, o rendimento médio real dos ocupados negros diminuiu (3,2%), enquanto o dos não-negros permaneceu relativamente estável (-0,1%). Os valores desses rendimentos passaram, entre 2011 e 2012, de R$ 1.077 a R$ 1.043, e de R$ 1.727 para R$ 1.726,00, respectivamente. Os homens negros registraram a maior perda de rendimento (de R$ 1.230 para R$ 1.179) no período analisado.

Por não ter havido mudança na jornada média de trabalho semanal para os ocupados em geral no período analisado, o rendimento médio real por hora de trabalho, que permite eliminar as diferenças advindas do tamanho das jornadas, apresentou as mesmas variações que o rendimento médio mensal. Os movimentos observados no valor do rendimento médio real auferido pelos grupos, levaram à ampliação da desigualdade existente entre os ganhos do trabalho de negros e não-negros. Enquanto as mulheres não-negras passaram a auferir 86,8% do rendimento médio real do homem não-negro, em 2012, frente aos 83,4% que auferiam em 2011, para os homens negros essa proporção passou de 61,3%, em 2011, para 59,7%, em 2012. Nesse mesmo período a proporção recebida pelas mulheres negras, em relação aos homens não-negros, passou de 51,0% para 50,9%.


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