Pelo segundo ano consecutivo, a geração de postos de trabalho na Região Metropolitana de Salvador foi positiva. Conforme informações da PED-RMS, foram gerados 8 mil novos postos, quantitativo bastante inferior ao total gerado no ano de 2012 (70 mil). Da mesma forma que no ano anterior, o acréscimo da ocupação não foi suficiente para absorver o aumento da População Economicamente Ativa (PEA), que apresentou oferta adicional de 24 mil indivíduos. Com isso, o contingente de desempregados aumentou em 16 mil pessoas, chegando a um total de 341 mil. A dinâmica do mercado de trabalho, no ano de 2013, foi ditada, basicamente, pelo ritmo da inserção feminina, dado que pouco se alteraram os indicadores de ocupação e desemprego relativos à parcela masculina presente no mercado de trabalho.
Influenciado pelo aumento da PEA feminina, o contingente de mulheres desempregadas elevou-se em 15 mil, enquanto que o dos homens aumentou apenas em 1 mil pessoas. Por outro lado, foram geradas 10 mil oportunidades de trabalho para as mulheres, enquanto houve redução de 2 mil posições entre os homens. Esses movimentos representaram pequenas mudanças na correlação das inserções feminina e masculina no mercado de trabalho. A sobre representação das mulheres entre os desempregados, que já era significativa, intensificou-se ainda mais entre 2012 e 2013, passando de 57,2% para 58,9%. Ou seja, de cada 100 pessoas desempregadas no ano de 2013, aproximadamente 59 eram do sexo feminino. Houve aumento também da proporção de mulheres na população ocupada, porém de forma mais tímida – de 45,7% para 46,1%. Os dados do Boletim Especial Mulheres utilizam como fonte de informações a base de dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Salvador (PED-RMS), executada pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia, autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan), em parceria com o Dieese, a Setre-BA e a Fundação Seade do Estado de São Paulo, com apoio do MTE/FAT.
O aumento da proporção de mulheres entre os desempregados derivou da pressão que esse grupo exerceu sobre o mercado de trabalho, sem que tenha havido a devida correspondência na geração de postos. No ano de 2013, ingressaram no mercado de trabalho da RMS 25 mil mulheres, enquanto reduziu em 1 mil indivíduos o contingente masculino na força de trabalho. Já a Taxa de Participação – indicador que estabelece a proporção de pessoas com dez anos de idade ou mais presentes no mercado de trabalho, como ocupadas ou desempregadas – praticamente não se alterou para nenhum dos grupos de gênero, diferente do ano de 2012, quando teve um forte aumento, em especial para as mulheres (7,7%). A Taxa de Participação feminina passou de 53,1% da População em Idade Ativa (PIA), em 2012, para 53,0% em 2013. Entre os homens, esse indicador passou de 67,6% da PIA masculina para 67,4%.
A geração insuficiente de postos de trabalho elevou o contingente de desempregados e, consequentemente, a Taxa de Desemprego. No ano de 2013, a Taxa de Desemprego Total passou de 17,7% para 18,3%, esse aumento geral foi influenciado, principalmente, pela elevação da taxa de desemprego das mulheres, que passou de 21,2% para 22,3%; enquanto que a taxa de desemprego masculina pouco se alterou, ao passar de 14,5% para 14,6%. Com esses resultados, a distância existente entre as taxas de desemprego masculina e feminina, que sempre foi grande, ficou ainda maior - no ano de 2012, a taxa de desemprego feminina era 46,2% maior que a masculina; em 2013, essa diferença aumentou para 52,7%.
Cresce a ocupação para as mulheres, mas estrutura ocupacional se mantém
O crescimento de 10 mil postos de trabalho para as mulheres distribuiu-se por quase todos os setores de atividade econômica, excetuando-se o de Construção, cujo comportamento não foi apreendido pela pesquisa. No setor de Comércio, Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas o contingente feminino cresceu 3,9%, percentual superior ao verificado para os homens, 1,2%. Na Indústria de Transformação, o aumento do número de mulheres nas posições de trabalho foi de 2,9%, muito diferente do observado entre os homens, cujo contingente reduziu 3,1%. Nos Serviços, setor com grande importância na estrutura ocupacional feminina, houve aumento de 0,8% para as mulheres, e decréscimo, no mesmo percentual, para os homens.
O comportamento da ocupação feminina não foi suficiente para alterar significativamente a distribuição setorial do trabalho segundo o sexo, entre os anos de 2012 e 2013. Como apresentada na Tabela 2, não houve alterações relevantes nas estruturas ocupacionais de homens e mulheres no período.
Em relação às formas de inserção no mercado de trabalho, o aumento no nível ocupacional feminino em 2013, decorreu, sobretudo, do crescimento do trabalho assalariado no setor privado com carteira de trabalho assinada, cujo acréscimo foi 8,6% entre as mulheres e de apenas 0,4% entre os homens. No contingente de trabalhadores do setor privado sem carteira assinada, observou-se aumento de 1,8% para as mulheres e diminuição de 11,4% para os homens. Já entre os assalariados do setor público, verificou-se significativa redução entre as mulheres (9,5%) e, em proporção menos elevada, entre os homens (1,4%). Esse resultado traz forte impacto negativo na estrutura ocupacional feminina, dado que o setor público, com rendimentos médios mais elevados, se configura num importante espaço de inserção das mulheres, e pelo terceiro ano consecutivo reduz o seu contingente feminino.
Dentre as demais modalidades de inserção ocupacional, destaca-se o acréscimo de 8,3% no número de mulheres empregadoras, percentual idêntico ao observado para os homens. Nas demais categorias, houve redução na ocupação feminina no trabalho autônomo (5,3%), especialmente entre as trabalhadoras autônomas que trabalham para empresas (20,0%). Nos serviços domésticos, setor que representa 16,9% de toda ocupação feminina, houve redução de 1,7% no número de mulheres ocupadas, com acréscimo de 3,2% para as mensalistas e redução de 18,5% no número de diaristas. É importante mencionar que os serviços domésticos ainda guardam alto grau de precariedade e vulnerabilidade, além de auferirem os menores rendimentos médios (Gráfico 4).
Rendimento médio real das mulheres mantém trajetória de declínio pelo terceiro ano consecutivo
No período 2012-2013, o rendimento médio real aumentou para os homens (5,1%) e diminuiu para as mulheres (1,1%). O valor auferido pelas mulheres passou de R$ 963 para R$ 952, e o dos homens, de R$ 1.260 para R$ 1.324 (Tabela 3). A histórica desigualdade de rendimentos entre os sexos se alarga - enquanto o rendimento médio dos homens voltou a crescer, depois de dois anos consecutivos de queda, o rendimento das mulheres mantém trajetória de declínio, há três anos. Isso fez com que a proporção do rendimento médio real auferido pelas mulheres mensalmente, em relação ao dos homens, reduzisse de 76,4%, em 2012, para 71,9%, em 2013. Levando em consideração as jornadas médias semanais trabalhadas por cada grupo de gênero, onde as mulheres trabalham 39 horas frente às 43 horas trabalhadas pelos homens, cabe analisar o rendimento/hora, dado que este indicador elimina as diferenças de jornada, destacando o valor da hora trabalhada. Em 2012, o rendimento médio por hora trabalhada recebido pelas mulheres foi de R$ 5,77, passando a R$ 5,70, em 2013; no mesmo período, o rendimento/hora dos homens passou de R$ 6,69 para R$ 7,19. Desse modo, o rendimento médio por hora auferido pelas mulheres correspondia a 86,2% do rendimento dos homens, em 2012, e passou a equivaler a 79,3%, em 2013.
Em termos setoriais, destaca-se o menor valor do rendimento médio auferido para as mulheres em todos os setores de atividade com estatísticas comparáveis (Tabela 3). A maior desigualdade de rendimentos foi observada na Indústria, onde o rendimento médio por hora trabalhada das mulheres correspondeu a apenas 65,5% do rendimento dos homens, seguido pelo setor de Serviços, no qual as mulheres auferem 78,2% do rendimento/hora dos homens. Já o setor de Comércio, cujo rendimento médio é o menor comparativamente aos demais setores, registrou o menor hiato entre os rendimentos médios/hora das mulheres em relação aos dos homens (84,5%).
Em todos os setores de atividade econômica, a desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres se ampliou, considerando o assalariamento no setor privado, para os homens, houve aumento do rendimento médio real mensal na Indústria de Transformação (3,3%), no Comércio (3,8%) e nos Serviços (3,6%). Já as mulheres tiveram perda de rendimento de forma mais intensa na Indústria de Transformação (-8,3%) e menos intensa no Comércio (-3,8%); elevando os seus ganhos de rendimento apenas nos Serviços (2,0%) e ainda assim em proporção menor que a experimentada pelos homens.
Ao observar as informações sobre o rendimento médio mensal por posição na ocupação, constata-se a mesma situação observada no indicador por setor de atividade – em qualquer posição, as mulheres auferem rendimentos inferiores aos dos homens. Também para os indicadores de rendimentos por posição na ocupação as distâncias se ampliaram, dado que, em todas as posições onde há estatísticas comparáveis, ou as mulheres perderam rendimento enquanto os homens ganharam, como é o caso do assalariamento no setor privado com carteira assinada, onde o rendimento médio dos homens aumentou 2,8% e o das mulheres decresceu 2,3%; ou as mulheres tiveram ganhos de rendimentos menores que os dos homens. Nesse aspecto, a maior discrepância foi observada no setor público, no qual os homens tiveram ganho de 11,3% e as mulheres tiveram acréscimo de apenas 1,1%.