O Indicador de Confiança do Empresariado Baiano (ICEB), índice que avalia as expectativas das entidades representativas do setor produtivo do estado, calculado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan), apresentou em março piora de 50 pontos em relação ao mês anterior. O ICEB marcou -390 pontos em março, ante o registro de -340 pontos em fevereiro. A pontuação do ICEB no período indica novo declínio do nível de confiança do empresariado do estado – registrando, assim, dois meses seguidos de queda. O resultado observado neste mês não vem acompanhado por uma queda generalizada, já que nem todos os segmentos revelaram revés na confiança.
Apesar da baixa, a expectativa geral do empresariado baiano continuou na zona de Pessimismo dentro da escala de otimismo – zona frequentada desde outubro último. O registro de -390 pontos, em março, representa o menor valor assumido pelo Indicador a contar do início do levantamento. Os últimos nove meses confinam os piores registros do ICEB.
O setor de Agropecuária, no mês anterior, registrou -183 pontos e, neste, marcou -247 pontos, mantendo-se o menos pessimista dos segmentos. A Agropecuária, mesmo com decréscimo de 64 pontos em seu Indicador, permaneceu na zona de Pessimismo Moderado – zona frequentada desde junho passado. O setor de Indústria foi o único a revelar melhora das expectativas no mês, passando de -400 pontos, em fevereiro, para -396 pontos em março – permanecendo, no entanto, na zona de Pessimismo. Já o setor de Serviços e Comércio marcou -407 pontos em março, aprofundando, portanto, o nível de pessimismo comparativamente a fevereiro, quando registrou -335 pontos – sem sair, no entanto, da zona de Pessimismo.
No mês de março, tanto a expectativa referente ao cenário econômico quanto a relacionada ao desempenho das empresas retrocedeu, com o Indicador para as variáveis econômicas mantendo-se mais pessimista que o das variáveis de desempenho das empresas. O Indicador de março, para as variáveis econômicas, registrou o menor valor da sua série histórica. Com -468 pontos, decréscimo de 58 pontos em relação ao mês antecedente (-410 pontos), as expectativas quanto ao cenário econômico mantiveram-se na zona de Pessimismo no mês. A piora da percepção, nesse recorte, ocorreu em dois dos três segmentos analisados: o setor de Agropecuária e o de Serviços e Comércio, a saber.
Com variação de 3 pontos, a Indústria foi o único setor a apresentar melhora das expectativas em março. A Indústria passou de mais pessimista para menos pessimista de um mês ao outro quanto ao quesito econômico, registrando -435 pontos em março, ante o registro de -438 pontos em fevereiro. O Indicador do setor de Serviços e Comércio, para o cenário econômico, apresentou o maior recuo entre os segmentos em março. O setor voltou, assim, a ser o mais pessimista de um mês ao outro, com o Indicador passando de -403 pontos, em fevereiro, para -486, em março.
O Indicador para desempenho das empresas marcou -351 pontos em março, redução de 46 pontos ante o registro do mês anterior (-305 pontos). A pontuação de março foi a menor da série histórica desse Indicador. A confiança em relação a esse quesito, entretanto, permaneceu na faixa de Pessimismo. A piora da expectativa, quanto ao desempenho das empresas, ocorreu em dois setores: o setor de Agropecuária e o de Serviços e Comércio.
Acerca das expectativas sobre a inflação para os próximos doze meses, 57,0% dos entrevistados afirmaram que os preços afastar-se-ão da estabilidade; 37,2% creem na extrema instabilidade futura dos preços; 5,8%, que os preços tenderão à estabilidade; e nenhum dos entrevistados espera a ocorrência de inflação próxima a zero.
Em relação aos juros, especificamente à taxa Selic para os próximos doze meses, 46,4% declararam que a taxa de juros aumentará entre 2,1 e 4,0 pontos percentuais em relação ao patamar atual; 44,0%, que a variação deve ficar entre 2,0 e -2,0 pontos percentuais; 7,1% endossaram um aumento acima de 4,0 pontos percentuais; 2,4%, uma diminuição entre 2,1 e 4,0 pontos percentuais; e não houve registro apontando recuo de mais de 4,0 pontos percentuais em relação ao estágio atual.
Quanto ao PIB nacional para os próximos doze meses, 58,8% dos entrevistados apontaram para uma variação entre -1,0% e 0,9%; 23,8%, para a possibilidade de redução igual ou superior a 1%; 17,5% preveem um crescimento entre 1,0% e 2,9%; e nenhum dos respondentes acredita que o PIB do país apresentará crescimento igual ou superior a 3,0%.
Sobre a expectativa do PIB estadual para os próximos doze meses, 47,7% dos representantes sindicais vislumbram uma variação de -1,0% a 0,9%; 31,4%, um crescimento entre 1,0% e 2,9%; 18,6% acreditam na retração igual ou superior a 1%; 2,3%, num crescimento igual ou superior a 5,0%; e nenhum dos participantes apontou para uma variação entre 3,0% e 4,9% do PIB do estado.
Em relação às expectativas de vendas para os próximos doze meses, 51,2% apontaram para reduções razoáveis; 24,4% dos entrevistados acham que não haverá alteração; 11,6%, que as vendas irão diminuir muito; 10,5%, que haverá aumento razoável nas vendas nos próximos doze meses; e 2,3% creem que ocorrerão aumentos consideráveis. Já referindo-se ao crédito, 56,5% dos entrevistados o veem como pouco atrativo para os próximos doze meses; 35,3% acreditam que o mesmo não estará atrativo; 7,1% consideraram que estará atrativo; e 1,2% apontaram para um crédito muito atrativo no intervalo de um ano.
Quanto ao comportamento do câmbio para o próximo mês, 34,9% dos entrevistados apontaram que estará favorável; 32,6%, que estará desfavorável; 16,3% creem que estará bastante desfavorável; para 9,3%, será indiferente; e 7,0% dos entrevistados endossaram a ocorrência de um câmbio muito favorável para os próximos trinta dias.
Acerca da utilização da capacidade produtiva nos próximos doze meses, 36,0% preveem uma pequena redução; 30,2%, que permanecerá a mesma; 22,1% creem em um aproveitamento consideravelmente menor da capacidade produtiva; 10,5% enxergam uma pequena ampliação na utilização da capacidade produtiva das empresas; e 1,2% dos entrevistados demonstraram confiança no aumento significativo do uso da capacidade produtiva.
Em relação à situação financeira das empresas, nos próximos doze meses, 45,3% dos entrevistados afirmaram que estará pouco pior; 25,6%, que estará muito pior; 23,3%, que não sofrerá alterações; em contraponto, 5,8% endossam que a situação financeira estará um pouco melhor que a atual; e nenhum dos respondentes visualiza melhora considerável dentro de um ano.
Analisando-se a empregabilidade em termos de contratação, nos próximos doze meses, 60,7% dos entrevistados disseram que pretendem demitir alguns empregados; 32,1%, que têm a intenção em manter a quantidade atual; 6,0% apontaram a possibilidade de demissão em massa (mais de 10% da quantidade atual); 1,2%, a possibilidade de contratar funcionários; e nenhum dos respondentes vê chances em contratar muitos funcionários (mais de 10% da quantidade atual) em um ano.
No que concerne à expectativa para as exportações nos próximos doze meses, 36,0% acreditam na estabilidade da demanda externa; outros 36,0%, na redução futura das exportações; 16,0% esperam um aumento; 8,0%, uma elevação substancial; e 4,0% dos entrevistados acreditam na redução considerável das exportações para o intervalo futuro de um ano.
Entre aberturas e fechamentos de unidades nos próximos doze meses, 43,5% acham que o quadro não se alterará; outros 43,5%, que o saldo será de fechamento de algumas unidades; 7,1% acreditam no fechamento de muitas unidades; 5,9%, na abertura de algumas unidades; e nenhum dos respondentes acredita na abertura de muitas unidades para os próximos doze meses.
Em março, quando se observa o indicador geral, todas as variáveis obtiveram avaliações negativas por parte das entidades representativas do setor produtivo baiano. Analisando-se as variáveis econômicas, na passagem de fevereiro a março, Juros passou da área de Pessimismo Moderado para a de Pessimismo. PIB Estadual permaneceu na zona de Pessimismo. PIB Nacional passou de Pessimismo para Grande Pessimismo. Inflação continuou na zona de Grande Pessimismo.
No que se refere ao desempenho das empresas, as observações içadas revelaram que a variável Exportação retornou à zona de Pessimismo Moderado, em março, deixando a zona de Pessimismo frequentada em fevereiro. Câmbio permaneceu na zona de Pessimismo Moderado e Capacidade Produtiva, Situação Financeira e Emprego mantiveram-se na de Pessimismo. Vendas e Abertura de Unidades passaram de Pessimismo Moderado para Pessimismo de fevereiro a março. Crédito permaneceu na área de Grande Pessimismo.
ICEB revela nova queda do nível de confiança do empresariado baiano em março
Publicado: 15/04/2015
Última atualização: 06/10/2026 às 09:45