Em setembro, queda no comércio varejista baiano é de 9,8%

Publicado: 13/11/2015 Última atualização: 06/10/2026 às 09:44

No mês de setembro, o comércio varejista baiano ameniza ritmo de queda. Entretanto, o resultado desse mês representa a nona variação negativa para a série em 2015. O volume de vendas registrado na Bahia para o varejo foi 9,8% negativo, em relação a igual mês do ano passado. Na análise sazonal, a taxa foi positiva em 0,2%, indicando uma estabilidade no quadro de desaquecimento, apesar do setor continuar sofrendo os efeitos da retração da atividade econômica. Na mesma base de comparação, o varejo nacional registrou queda de 6,2% frente a setembro de 2014. Esses dados foram apurados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em âmbito nacional, e analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento.

Em setembro, a queda das vendas na Bahia continua refletindo à frágil confiança dos empresários e dos consumidores, dado o momento de retração econômica. O enfraquecimento da atividade econômica, com reflexo no mercado de trabalho, leva ao comprometimento da renda familiar. Diante da desaceleração do crescimento real da massa de salários, aceleração da inflação, escassez de crédito, elevação da taxa de juros e aumento da incerteza a demanda se retrai, pois os agentes econômicos estão cada vez mais temerosos em realizar gastos, comprometendo, assim, as vendas do setor.

Por atividade, os dados do comércio varejista do estado da Bahia, quando comparados a setembro de 2014, revelam que todos os oito segmentos que compõem o Indicador do Volume de Vendas registraram comportamento negativo. Listados pelo grau de magnitude das taxas em ordem decrescente, têm-se: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-2,2%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-3,3%); Combustíveis e lubrificantes (-6,4%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-9,3%); Livros, jornais, revistas e papelaria (-13,6%);Tecidos, vestuário e calçados (-22,6%); Móveis e eletrodomésticos (-22,9%); e Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação(-26,1%).

Quanto aos segmentos que mais influenciaram o comportamento negativo das vendas na Bahia, têm-se: Móveis e eletrodomésticos (-22,9%); Tecidos, vestuário e calçados (-22,6%); Combustíveis e lubrificantes (-6,4%), e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-3,3%).

O segmento de Móveis e eletrodomésticos foi o maior impulsionador da queda registrada nesse mês para o setor. Nos subgrupos Móveis e Eletrodomésticos as variações foram negativas em 23,4% e 22,5%, respectivamente, em relação a igual mês do ano passado. Esse comportamento reflete não somente a queda na renda disponível, a seletividade do crédito, mas também ao aumento das taxas de juros. Segundo informações do IBGE, a taxa de juros no crédito às pessoas físicas de 28,2% a.a em setembro de 2014 passaram para 37,9% a. a. no mesmo mês de 2015. Além da retirada dos incentivos através da redução do IPI para diversos itens do segmento, especialmente, a “linha branca” e móveis. Quando observado o comportamento do segmento nos meses anteriores, constata-se que desde dezembro de 2014, o volume de vendas para a atividade vem sendo negativo.

 O segundo a contribuir negativamente para o comportamento das vendas na Bahia foi Tecidos, vestuário e calçados. Esse resultado é reflexo da contração econômica vivenciada pelo país. Apesar dos preços de vestuário situarem-se abaixo da média geral de preços (3,7% em 12 meses), segundo o IPCA, a influência da redução da massa real dos rendimentos, leva as pessoas a reduzirem o seu ímpeto de consumo. A partir de então, passam a ponderar mais sobre suas reais necessidades de adquirir produtos comercializados pelo setor, como roupas, tecidos e calçados. O comportamento negativo da atividade se mantém pelo décimo mês consecutivo.

O segmento de Combustíveis e lubrificantes exerceu, na Bahia, o terceiro maior peso para a queda verificada nas vendas no mês de setembro. Esse comportamento pode ser atribuído a alguns fatores como o crescimento dos preços dos combustíveis (11,1%)  no acumulado dos últimos 12 meses acima da inflação (9,5%), e ao menor ritmo da atividade econômica.

Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo segmento de maior peso para o Indicador de Volume de Vendas do Comércio Varejista foi responsável pela quarta maior influência negativa na formação da taxa do varejo. No subgrupo Hipermercados e supermercados a vendas caíram em 0,5%. Este desempenho negativo continua sendo influenciado pelo menor poder de compra da população, além da influência do comportamento dos preços do grupo alimentação no domicílio (10,0%), que cresceu acima do índice geral (9,5%) segundo dados do IPCA, divulgados pelo IBGE. Entretanto, nesse mês, percebe-se que houve amenização do ritmo de queda, muito provavelmente, a comemoração de festejos populares na Bahia, como a dos santos Cosme e Damião. Além do que, o segmento comercializam bens de primeira necessidade, indicando, assim que os cortes nos itens que compõem a cesta dos consumidores já atingiram o seu limite.

O comércio varejista ampliado, que inclui o varejo e mais as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, registrou, em setembro, decréscimo de 11,4% nas vendas, em relação a igual mês do ano anterior. Nos últimos 12 meses, a retração no volume de negócios foi de 5,7%.

O segmento de Veículos, motos, partes e peças registrou variação negativa de 15,0%, em relação a igual mês do ano anterior. O desempenho da atividade, em relação ao mesmo mês do ano anterior, continua refletindo o crédito mais seletivo por parte das financeiras, o menor ritmo da atividade econômica, além do comprometimento da renda familiar, diante da desaceleração do crescimento real da massa de salários. Em relação ao segmentoMaterial de Construção, também se observa queda de 12,3% nas vendas no mês de setembro, quando comparado ao mesmo mês do ano de 2014, sendo reflexo das expectativas negativas sobre o quadro macroeconômico.